atenção, professor!
Gagueira na escola Com esse tema, o Dia Internacional de Atenção à Gagueira, comemorado em 22 de outubro, será celebrado no Brasil com uma grande programação que inclui cartilha para orientar educadoresVocê conhece alguém que gagueja? Provavelmente, sim. Afinal, de acordo com informações do IBF – Instituto Brasileiro de Fluência, 10 milhões de crianças gaguejam ou já gaguejaram e quase 2 milhões têm gagueira crônica, ou seja, apresentam, regularmente, essa disfluência - termo usado pelos médicos para se referir à gagueira. Pesquisas internacionais mostram que cinco a cada cem crianças apresentam gagueira e, na população em geral, esse número é de uma pessoa a cada cem. No Brasil, são cerca de 192 milhões de pessoas.
A gagueira é um distúrbio ou transtorno da fala (outra vez, termos médicos), ou seja, por motivos genéticos, uma tendência transmitida de pai para filho, ou por causa de uma lesão no cérebro, algumas pessoas têm dificuldade para falar. “É uma dificuldade na fala que não significa que a criança tenha alguma outra dificuldade. Ela pensa muito bem, ela entende muito bem, é inteligente, mas tem dificuldade de transmitir o que pensa”, explica Eliana Nigro Rocha, diretora clínica do IBF.
Os gagos não falam dessa forma porque querem, claro! Mesmo assim, algumas pessoas muuuito mal educadas e desrespeitosas acham engraçado. Como o próprio slogan da campanha da IBF deste ano diz, “Gagueira não tem graça. Tem tratamento”.
É por causa desse comportamento horroroso que muitos gagos acabam se escondendo, tentando falar o mínimo possível para não serem alvo de piadas e não se envergonharem. “Como eles ficam mais quietos, não treinam a fala e falar é um treino. Por isso, ficam atrasados em relação aos outros. Esse incômodo de falar em público pode se arrastar por muito tempo. Existem pessoas que até largam a faculdade para não ter que apresentar trabalhos e se expor”, conta Eliana.
Enquanto a criança é menor, até os sete anos, o tratamento é mais fácil. Quando ela é mais velha, os resultados também são bons, ela aprende a lidar com aquela fala, mas ela - a gagueira - não irá desaparecer.
COMO AGIR
Muitas vezes, as pessoas não sabem o que fazer para deixar os gagos mais à vontade durante uma conversa. Dependendo da carga genética da gagueira e da situação (de pressão, de ansiedade), falar é mais difícil, assim como acontece com todos nós, quando estamos em uma situação difícil.
Quem pode ajudar muito é o professor, que pode aprender a lidar com seu aluno e orientar a classe, se necessário. Para ajudá-lo, o IBF e o Conselho Federal de Fonoaudiologia irão lançar uma cartilha para os professores que, em breve, estará no site de ambas. Enquanto a cartilha não está disponível, a Eliana adianta algumas dicas de como lidar com quem apresenta gagueira:
- Manter a calma durante a conversa e ter paciência para ouvir;
- Não completar as palavras quando perceber que a pessoa está com dificuldade em finalizá-la;
- Dar liberdade para que eles respondam à chamada com “aqui”, “eu”, em vez de responder “presente” que é mais difícil;
- Nas provas orais, fazer perguntas que exijam respostas menos longas (o que não significam perguntas fáceis);
- Optar pela leitura em conjunto para que a criança que tem dificuldade (nem todas gaguejam durante a leitura). Assim, ela tem uma pista auditiva e consegue fluência maior ou total e
- Se perceber que existe algum conflito na classe, intervenha, converse com o grupo que está desrespeitando a criança para que eles colaborem e não atrapalhem.
Para participar do Dia Internacional de Atenção à Gagueira, confira a programação completa em todo o país.
Parabéns pela reportagem.
Com informações assim, divulgadas por instituições como a Abril que conseguiremos acabar com a ignorância e o preconceito de forma mais rápida.
Agardeço em meu nome e no de todas as pessoas que gaguejam. São elas que instigam e desafiam os fonoaudiólogos especializados em fluência a continuar estudando e melnorando nossa prática clínica.
Anelise Junqueira Bohnen, MSc
CRFaRS 5587
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