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é menino ou menina?

Um berçário no oceano Conheça o Atol das Rocas, a ilha brasileira que muitos peixes e aves escolheram para ter seus filhotes
04/04/2007 Luciano Candisani
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Atol é um tipo especial de ilha oceânica que surge onde há vulcões submarinos extintos. Formado por uma espécie de coroa de rochedos e corais, ele pode ter pequenas lagoas e ilhas de areia em seu interior.

Existe apenas um atol no oceano Atlântico Sul: é o Atol das Rocas, que faz parte do território brasileiro e ganhou esse nome por ter enormes rochas, chamadas de rocas. Esse atol tem pouco mais de 7 quilômetros quadrados de área, como se fosse um Maracanã dez vezes maior, e fica a quase 300 quilômetros do litoral do Rio Grande do Norte, a mais ou menos 24 horas de viagem de barco.

A distância não é problema para os animais marinhos que procuram as águas calmas do lugar para ter seus filhotes em segurança. Muitas aves marinhas voam até lá e fazem seus ninhos nas ilhas de areias que se formam dentro do Atol.

São mais de 140 mil aves de cinco espécies. O lugar é perfeito: além de calmo e afastado de predadores, tem peixes para alimentar os bebês.

LABORATÓRIO AO AR LIVRE
A vida marinha no Atol das Rocas é tão rica que a ilha é uma reserva biológica, ou seja, uma área exclusiva para pesquisas, onde não é permitido morar, pescar ou passear.

Atualmente ninguém mora lá, mas equipes de cientistas de todo o mundo se revezam no lugar para estudar os animais e proteger o ambiente contra problemas como a poluição e a pesca descontrolada, que quase destruíram a vida em outros lugares do país.

TARTARUGA-VERDE
As tartarugas-verdes vivem no mar, mas saem da água para colocar seus ovos. À noite, as fêmeas se arrastam pela areia até achar um bom local para cavar e fazer ninho em uma das duas ilhas dentro do Atol.

Depois de colocar em média 100 ovos, a tartaruga volta para o mar. Após cerca de 60 dias, os filhotes rompem a casca do ovo e correm para o mar. Eles nascem com mais ou menos 10 centímetros. Ao longo da vida, crescem muito e podem atingir 1 metro de comprimento e 300 quilos de peso.

Depois de aproximadamente 25 anos, as tartarugas que nasceram no Atol voltam lá para se reproduzir.

ÓTIMO PESCADOR
O atobá é uma ave que se alimenta basicamente de peixes. Ele sobrevoa o mar, avista os cardumes, desce em alta velocidade e mergulha para pescar, podendo atingir até 2 metros de profundidade. Por isso é chamado também de mergulhão.

Muitos fazem ninhos entre a vegetação rasteira do Atol das Rocas, usando pedaços de folhas, gravetos e penas. Os filhotes são alimentados pelos pais enquanto não aprendem a voar e mergulhar.

VERDE E BRAVO
O tubarão-limão é um peixe raro que tem esse nome porque a parte superior do seu corpo é esverdeada. Machos e fêmeas procuram o Atol na época do acasalamento. As fêmeas dão à luz seus filhotes em piscinas naturais que surgem quando a maré baixa. Depois do nascimento, os pequenos tubarões-limão ficam nadando em cardumes por ali e podem ser facilmente observados pelos cientistas.

Depois de algum tempo, eles saem e vão viver no oceano. Os tubarões adultos dessa espécie chegam a atingir mais de 3 metros de comprimento. Com seus dentes afiados, caçam crustáceos, moluscos e peixes, inclusive outros tubarões.

ESCONDE-ESCONDE
O linguado tem o corpo achatado e vive deitado de lado sobre o fundo do mar. Seus dois olhos ficam do mesmo lado da cabeça e a boca é virada para cima. Ele se camufla no fundo: se está sobre a areia, o corpo fica branco, porém muda rapidamente de cor se ele desliza para um lugar com pedras e algas.

Pode acreditar: as duas fotos que estão na galeira (lá em cima, do ladinho do título dessa reportagem) são do mesmo peixe. Você consegue vê-lo? Ele permanece quieto no fundo e devora presas que se aproximam sem notá-lo. O melhor é que passa despercebido também por predadores.

SEM VIZINHOS
Esta é a única casa da ilha, onde ficam os pesquisadores. A água doce tem de ser trazida de barco.

LOUCOS POR UMA PRAIA
Vários tipos de caranguejo vivem nas ilhas de areia que existem no Atol. Durante o dia, permanecem escondidos em frestas nas rochas e entre a vegetação. À noite, saem em busca de restos de algas e animais trazidos pelas ondas para matar a fome.

Algumas espécies só vão para o mar na época da reprodução. A fêmea libera seus ovos na água e, logo que os filhotes nascem, voltam para a areia onde vão se desenvolver curtindo uma praia quase deserta.

O Atol das Rocas é muito baixo e fica quase invisível para os barcos que se aproximam. Por conta disso vários navios bateram nos recifes e afundaram. Ainda são vistos na areia âncoras, correntes e vestígios de naufrágios.

HISTÓRIAS ANTIGAS
Hoje um farol automático pisca durante a noite toda para alertar os navegantes e indicar a presença da ilha. O primeiro farol foi construído na ilha em 1883 e tinha de ser controlado por um faroleiro. As pessoas que se mudaram para lá enfrentaram aventuras e perigos.

A história mais famosa é a de uma família que ficou sem água doce devido ao atraso do navio de abastecimento. Para sobreviver eles ferveram a água do mar e condensaram o vapor em um chapéu de tecido, de onde sugavam a umidade. Apavorados, lançaram ao mar garrafas com mensagens de socorro e foram salvos em tempo.

O antigo farol e a casa dos faroleiros foram desativados em 1914 com a chegada do farol automático e hoje estão em ruínas.

Comentários:
15/09/2009 às 19:03
Daniella - diz:

Que texto legal!
Amei mesmo, principalmente a parte dos tubaroes,que me ajudou com apesquiza da minha escola.


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