A maior parte das espécies de macacos do mundo vive nas florestas tropicais do Brasil. Os cientistas já identificaram mais de 90 tipos, incluindo o maior macaco das Américas: o muriqui ou mono-carvoeiro, que só existe na Mata Atlântica brasileira.
Ele tem 1 metro e meio de altura e, quando está pendurado, todo esticado, fica maior que um humano adulto. Apesar do tamanho, o que mais chama a atenção nos muriquis é o comportamento pacífico. Os outros macacos usam a agressividade para conquistar respeito entre os companheiros do grupo.
Entre os chimpanzés, por exemplo, há lutas para disputar uma namorada e existe sempre um chefe, que mantém sua liderança com a força.
Na turma dos muriquis, não há chefe. Machos e fêmeas têm o mesmo tamanho e se respeitam. Em vez de brigas, há demonstrações de carinho.
É comum ver vários animais no mesmo galho, cumprimentando-se com abraços demorados. E se um muriqui passa o dia longe, por exemplo, ele é recebido com abraços.
Além disso, eles emitem sons e fazem gestos para mostrar o melhor caminho entre as árvores uns para os outros e avisar se há algum perigo. Não há discussão nem na hora do namoro.
A fêmea escolhe o parceiro de que mais gosta e os outros pretendentes aceitam a opção dela e esperam ser escolhidos em outro dia.
A FICHA DO BICHO
Peso: cerca de 15 quilos.
Tamanho: 1 metro e meio.
Alimentação: folhas, néctar e frutos.
Onde vive: na Mata Atlântica do Brasil.
HORA DO DESCANSO
Quando os adultos param para descansar, as fêmeas aproveitam para amamentar os filhotes, que mamam até os 2 anos e meio de idade. Os pequenos costumam brincar e fazer acrobacias entre árvores. Assim eles desenvolvem suas habilidades físicas e começam a se enturmar e a aprender a respeitar os companheiros de turma.
TURMA EM PERIGO
Os muriquis vivem em bandos de cerca de 50 animais e passam quase todo o tempo em cima das árvores procurando folhas e frutos para comer. Seu corpo é adaptado para a vida no alto, com braços e pernas compridos e mãos, pés e ponta do rabo em forma de gancho. Fazem manobras incríveis e rápidas.
Esses macacos estão ameaçados de desaparecer, porque a Mata Atlântica foi quase toda derrubada. Restam poucos trechos preservados, em Minas Gerais e em São Paulo, onde há grupos de muriquis. Os cientistas acreditam que é possível salvar espécies, conservando o que restou da Mata Atlântica.
DUAS CARAS
Existem duas espécies de muriquis. O do norte, com manchas rosadas na cara, vive em florestas de Minas Gerais e Espírito Santo. No Rio de Janeiro, São Paulo e norte do Paraná, vive o muriqui do sul com a face preta. Os cientistas conseguem identificar cada muriqui do norte observando as manchas no rosto, que são diferentes de um animal para outro, e assim estudam o comportamento desses bichos.
PONTE DE MACACO
Machos e fêmeas cuidam dos filhotes e os adultos fazem pontes esticando o corpo para ajudar os pequenos a atravessar grandes distâncias entre árvores.
DOIS NOMES
Observando o comportamento amigável desse tipo de macaco, os índios resolveram chamá-lo de muriqui, que significa povo tranqüilo. Já os portugueses acharam o bicho parecido com os carvoeiros, que ficavam com a cara preta como a dos macacos. Assim surgiu o nome mono(macaco)-carvoeiro.
LOUCOS POR SALADA
Os muriquis são barrigudos porque têm um intestino muito grande para fazer a digestão da enorme quantidade de folhas duras que eles comem diariamente.
DE FLOR EM FLOR
Os muriquis adoram chupar o néctar adocicado das flores de uma planta chamada canudo-de-pito. Quando fazem isso, ficam com o focinho e as mãos sujos de pólen e assim levam o pólen de um lado para o outro da floresta, ajudando na reprodução das plantas.