COESÃO SOCIAL
Uma mobilidade mais humana
O gerenciamento da mobilidade e a construção de cidades mais humanas foi o tema central do 15º ECCOM - Conferência Européia sobre Gestão de Mobilidade, realizada na Espanha, neste mês. O evento trouxe uma contribuição importante para a reflexão sobre modelos de cidades pensadas com valores socioambientais a favor de uma mobilidade mais sustentável e com coesão social
Lincoln Paiva
29/05/2009
[img1]A era dos grandes projetos de infraestrutura, para permitir maior circulação de automóveis, já passou e o mundo desenvolvido está trabalhando no gerenciamento da mobilidade centrado no indivíduo. Não adianta desenvolver projetos milionários de mobilidade para redução de veículos individuais e aumentar a demanda de ônibus e metrô, pois essa medida aumenta os custos da cidade, a queima de combustíveis fósseis, entre outros problemas.
Consultores ingleses de mobilidade avaliaram que sairia mais barato para a cidade de Londres pagar para que as pessoas fiquem em suas casas. O gerenciamento da mobilidade e a construção de cidades mais humanas foi o tema central do 15º ECCOM - Conferência Européia sobre Gestão de Mobilidade - que aconteceu na cidade de San Sebastian, na Espanha, entre os dias 12 e 16 de maio. O evento trouxe uma contribuição importante para a reflexão sobre modelos de cidades pensadas com valores socioambientais a favor de uma mobilidade mais sustentável e com coesão social.
A cidade de San Sebastian foi a patrocinadora do 15º Eccom e logo no credenciamento todos os participantes receberam um cartão com acesso a todos os meios de transportes da cidade, incluindo bicicletas, ônibus, trem, taxi e estacionamentos. A abertura do evento foi realizada pelo governador da cidade, Odon Elorza, que colocou as dificuldades de levar a cabo um projeto de mobilidade numa cidade que sofre com atentados terroristas do ETA.
As cidades européias estão trabalhando no conceito de diminuir os deslocamentos por veículos individuais, convertendo espaços públicos em espaços mais humanos. Cidades mais sustentáveis onde se potencializam a mobilidade em transporte público de qualidade e onde as caminhadas adquirem o protagonismo. As cidades estão redesenhando os seus espaços em favor do bem-estar das pessoas e não dos veículos. A nova ordem é frear a deterioração do meio ambiente, adotar iniciativas para dissuadir e reduzir o uso do automóvel e potencializar a mobilidade a pé, o transporte público e os deslocamentos por bicicleta.
O “Projeto Caminhe +”, de San Sebastian, é um plano intermodal que liga todos os meios de transportes e estacionamentos públicos, fazendo com que as pessoas tenham muitas alternativas para seus deslocamentos individuais podendo utilizar seu veículo até os bolsões de estacionamento, caminhar parte do trajeto e pedalar outro.
Além dos elementos clássicos de uma política de mobilidade baseada na infraestrutura e gestão, o plano de mobilidade de San Sebastian estabeleceu também uma série de programas centrados na configuração social, na demanda de deslocamentos, na cultura e nos comportamentos relativos a mobilidade. Para cuidar deste projeto, a cidade criou um Centro Municipal de Informações e Gestão de Mobilidade que facilita o impulso de uma mudança comportamental com um enfoque cultural e pedagógico.
Está mais do que na hora da cidade de São Paulo provocar um encontro envolvendo orgãos públicos, privados e ONGs, discutir soluções e maneiras de redesenhar a cidade de São Paulo de forma que as pessoas sejam o centro da mobilidade. A conferência de San Sebastian reuniu 438 delegados dos cinco continentes a maioria deles secretários de transportes, Consultores de Mobilidade Sustentável e especialistas em gerenciamento da mobilidade, sendo que o Projeto MelhorAR de Mobilidade Sustentável foi a única delegação sul-americana presente na 15ª ECOMM.
Durante o Ecomm, foi possível constatar que cidades pequenas, com dois mil habitantes, na Suécia, por exemplo, estão comprometidas em reduzir o número de pessoas que circulam por automóveis ao passo que megacidades, como São Paulo, estão adormecidas e presas nos engarrafamentos diários. Obviamente que os números, recursos financeiros e cultura são outros, mas estamos falando de um encontro que já tem mais de 15 edições anuais.
(*) Lincoln Paiva tem 40 anos, é formado em Comunicação Social e sócio da Believe Sustainability
[img1]A era dos grandes projetos de infraestrutura, para permitir maior circulação de automóveis, já passou e o mundo desenvolvido está trabalhando no gerenciamento da mobilidade centrado no indivíduo. Não adianta desenvolver projetos milionários de mobilidade para redução de veículos individuais e aumentar a demanda de ônibus e metrô, pois essa medida aumenta os custos da cidade, a queima de combustíveis fósseis, entre outros problemas.
Consultores ingleses de mobilidade avaliaram que sairia mais barato para a cidade de Londres pagar para que as pessoas fiquem em suas casas. O gerenciamento da mobilidade e a construção de cidades mais humanas foi o tema central do 15º ECCOM - Conferência Européia sobre Gestão de Mobilidade - que aconteceu na cidade de San Sebastian, na Espanha, entre os dias 12 e 16 de maio. O evento trouxe uma contribuição importante para a reflexão sobre modelos de cidades pensadas com valores socioambientais a favor de uma mobilidade mais sustentável e com coesão social.
A cidade de San Sebastian foi a patrocinadora do 15º Eccom e logo no credenciamento todos os participantes receberam um cartão com acesso a todos os meios de transportes da cidade, incluindo bicicletas, ônibus, trem, taxi e estacionamentos. A abertura do evento foi realizada pelo governador da cidade, Odon Elorza, que colocou as dificuldades de levar a cabo um projeto de mobilidade numa cidade que sofre com atentados terroristas do ETA.
As cidades européias estão trabalhando no conceito de diminuir os deslocamentos por veículos individuais, convertendo espaços públicos em espaços mais humanos. Cidades mais sustentáveis onde se potencializam a mobilidade em transporte público de qualidade e onde as caminhadas adquirem o protagonismo. As cidades estão redesenhando os seus espaços em favor do bem-estar das pessoas e não dos veículos. A nova ordem é frear a deterioração do meio ambiente, adotar iniciativas para dissuadir e reduzir o uso do automóvel e potencializar a mobilidade a pé, o transporte público e os deslocamentos por bicicleta.
O “Projeto Caminhe +”, de San Sebastian, é um plano intermodal que liga todos os meios de transportes e estacionamentos públicos, fazendo com que as pessoas tenham muitas alternativas para seus deslocamentos individuais podendo utilizar seu veículo até os bolsões de estacionamento, caminhar parte do trajeto e pedalar outro.
Além dos elementos clássicos de uma política de mobilidade baseada na infraestrutura e gestão, o plano de mobilidade de San Sebastian estabeleceu também uma série de programas centrados na configuração social, na demanda de deslocamentos, na cultura e nos comportamentos relativos a mobilidade. Para cuidar deste projeto, a cidade criou um Centro Municipal de Informações e Gestão de Mobilidade que facilita o impulso de uma mudança comportamental com um enfoque cultural e pedagógico.
Está mais do que na hora da cidade de São Paulo provocar um encontro envolvendo orgãos públicos, privados e ONGs, discutir soluções e maneiras de redesenhar a cidade de São Paulo de forma que as pessoas sejam o centro da mobilidade. A conferência de San Sebastian reuniu 438 delegados dos cinco continentes a maioria deles secretários de transportes, Consultores de Mobilidade Sustentável e especialistas em gerenciamento da mobilidade, sendo que o Projeto MelhorAR de Mobilidade Sustentável foi a única delegação sul-americana presente na 15ª ECOMM.
Durante o Ecomm, foi possível constatar que cidades pequenas, com dois mil habitantes, na Suécia, por exemplo, estão comprometidas em reduzir o número de pessoas que circulam por automóveis ao passo que megacidades, como São Paulo, estão adormecidas e presas nos engarrafamentos diários. Obviamente que os números, recursos financeiros e cultura são outros, mas estamos falando de um encontro que já tem mais de 15 edições anuais.
(*) Lincoln Paiva tem 40 anos, é formado em Comunicação Social e sócio da Believe Sustainability