Artigo
A escolha nossa de cada dia
A sustentabilidade só será construída com pequenas decisões tomadas diariamente por todos os cidadãos: desde o mais rico até o mais pobre, desde o mais até o menos instruído, desde o mais velho até as crianças
Por Helio Mattar*
06/2007
[img01]Durante a edição de janeiro da "São Paulo Fashion Week", cujo tema foi sustentabilidade, circulou na internet uma piada de gosto duvidoso. Teriam perguntado às modelos que participavam do evento o que elas entendiam por sustentabilidade. Uma teria dito que se tratava de um tipo de soutien que sustenta bem os seios. A segunda teria afirmado que sustentabilidade era chegar ao final da passarela sustentando-se sobre os saltos altos sem cair. E a última teria arriscado que sustentabilidade é conseguir ganhar dinheiro suficiente para sustentar-se sozinha.
A piada é de mau gosto e desrespeitosa com as modelos, mas serve para mostrar que o termo sustentabilidade, na visão do público em geral, é considerado de difícil compreensão, um termo que todos pensam conhecer, mas poucos realmente entendem. Mesmo os estudiosos levaram tempo para chegar a uma definição aceita por gregos e troianos. Finalmente concordaram: sustentabilidade é a característica de um sistema que responde às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de responder às suas necessidades.
No entanto, quem ouve falar em sustentabilidade pensa logo em algo longínquo, ligado aos grandes empresários, ao governo e, quando muito, às entidades ambientalistas. E é exatamente aí que entra o Akatu.
Enquanto muitos acreditem que a sustentabilidade só será atingida por meio de decisões tomadas por grandes personalidades, o Akatu tem certeza que a sustentabilidade será construída com pequenas decisões tomadas diariamente por todos os cidadãos, desde o mais rico até o mais pobre, desde o mais até o menos instruído, desde o mais velho até as crianças. A dona-de-casa, o estudante, o caixa do banco, a recepcionista da loja, o funcionário de uma fábrica, o homem de negócios, o aposentado e até aquela menina que gosta de se balançar na gangorra da praça, todos eles irão decidir se viveremos em um mundo sustentável ou não.
A definição de sustentabilidade contém duas vezes a expressão "responder às necessidades". E quais são nossas necessidades? Necessitamos casa para viver, cama para dormir, água para beber, alimentos para comer, roupas para vestir, sapatos para calçar, transporte para nos locomovermos, remédios para nos curar e mais um grande número de coisas.
Na medida em que suprimos nossas necessidades, vamos consumindo os recursos disponíveis na natureza. Portanto, está nas mãos dos consumidores o poder de definir as suas necessidades, de decidir consumir apenas o que realmente necessitam e, com isso, controlar o quanto gastamos de recursos da natureza. Se gastamos mais do que a natureza consegue repor, geramos uma série de problemas. Se gastamos menos, permitimos que nossos filhos e netos também possam atender às suas necessidades.
Isso tudo é verdade, mas agora já sabemos que o consumo de 1,7 bilhões de pessoas no mundo - aqueles que podem ser considerados "consumidores" - é muito maior do que as suas reais necessidades e, com isso, chegou-se a um ponto no qual estamos comprometendo nossas próprias vidas. Hoje, consumimos 25% a mais do que a Terra consegue renovar. E se toda a humanidade vier a consumir como os habitantes mais ricos do mundo, será preciso 4 planetas iguais ao nosso para suprir todo esse consumo!
E é o homem comum, em seus gestos cotidianos de consumo, ao fechar a torneira, ao apagar a luz, ao escolher com cuidado seu novo aparelho eletrônico, ao escolher comer mais vegetais e menos carne, ao privilegiar uma empresa socialmente responsável, ao usar mais transporte coletivo e menos individual, quem irá mudar a trajetória da nossa história. Serão os pequenos gestos de consumo, praticados por todos, que poderão fazer a revolução em direção à sustentabilidade.
O Akatu está convencido de que, na medida em que as pessoas tiverem consciência do tamanho do impacto de seus atos de consumo e do alcance das suas decisões individuais de consumo, elas mesmas optarão por um modo de vida e de consumo menos agressivo à natureza e mais positivo para a sociedade. E, com isso, construirão, espontaneamente, a sustentabilidade da vida no planeta para seu próprio proveito e das próximas gerações.
* Hélio Mattar é diretor-presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente -
www.akatu.org.br
[img01]Durante a edição de janeiro da "São Paulo Fashion Week", cujo tema foi sustentabilidade, circulou na internet uma piada de gosto duvidoso. Teriam perguntado às modelos que participavam do evento o que elas entendiam por sustentabilidade. Uma teria dito que se tratava de um tipo de soutien que sustenta bem os seios. A segunda teria afirmado que sustentabilidade era chegar ao final da passarela sustentando-se sobre os saltos altos sem cair. E a última teria arriscado que sustentabilidade é conseguir ganhar dinheiro suficiente para sustentar-se sozinha.
A piada é de mau gosto e desrespeitosa com as modelos, mas serve para mostrar que o termo sustentabilidade, na visão do público em geral, é considerado de difícil compreensão, um termo que todos pensam conhecer, mas poucos realmente entendem. Mesmo os estudiosos levaram tempo para chegar a uma definição aceita por gregos e troianos. Finalmente concordaram: sustentabilidade é a característica de um sistema que responde às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de responder às suas necessidades.
No entanto, quem ouve falar em sustentabilidade pensa logo em algo longínquo, ligado aos grandes empresários, ao governo e, quando muito, às entidades ambientalistas. E é exatamente aí que entra o Akatu.
Enquanto muitos acreditem que a sustentabilidade só será atingida por meio de decisões tomadas por grandes personalidades, o Akatu tem certeza que a sustentabilidade será construída com pequenas decisões tomadas diariamente por todos os cidadãos, desde o mais rico até o mais pobre, desde o mais até o menos instruído, desde o mais velho até as crianças. A dona-de-casa, o estudante, o caixa do banco, a recepcionista da loja, o funcionário de uma fábrica, o homem de negócios, o aposentado e até aquela menina que gosta de se balançar na gangorra da praça, todos eles irão decidir se viveremos em um mundo sustentável ou não.
A definição de sustentabilidade contém duas vezes a expressão "responder às necessidades". E quais são nossas necessidades? Necessitamos casa para viver, cama para dormir, água para beber, alimentos para comer, roupas para vestir, sapatos para calçar, transporte para nos locomovermos, remédios para nos curar e mais um grande número de coisas.
Na medida em que suprimos nossas necessidades, vamos consumindo os recursos disponíveis na natureza. Portanto, está nas mãos dos consumidores o poder de definir as suas necessidades, de decidir consumir apenas o que realmente necessitam e, com isso, controlar o quanto gastamos de recursos da natureza. Se gastamos mais do que a natureza consegue repor, geramos uma série de problemas. Se gastamos menos, permitimos que nossos filhos e netos também possam atender às suas necessidades.
Isso tudo é verdade, mas agora já sabemos que o consumo de 1,7 bilhões de pessoas no mundo - aqueles que podem ser considerados "consumidores" - é muito maior do que as suas reais necessidades e, com isso, chegou-se a um ponto no qual estamos comprometendo nossas próprias vidas. Hoje, consumimos 25% a mais do que a Terra consegue renovar. E se toda a humanidade vier a consumir como os habitantes mais ricos do mundo, será preciso 4 planetas iguais ao nosso para suprir todo esse consumo!
E é o homem comum, em seus gestos cotidianos de consumo, ao fechar a torneira, ao apagar a luz, ao escolher com cuidado seu novo aparelho eletrônico, ao escolher comer mais vegetais e menos carne, ao privilegiar uma empresa socialmente responsável, ao usar mais transporte coletivo e menos individual, quem irá mudar a trajetória da nossa história. Serão os pequenos gestos de consumo, praticados por todos, que poderão fazer a revolução em direção à sustentabilidade.
O Akatu está convencido de que, na medida em que as pessoas tiverem consciência do tamanho do impacto de seus atos de consumo e do alcance das suas decisões individuais de consumo, elas mesmas optarão por um modo de vida e de consumo menos agressivo à natureza e mais positivo para a sociedade. E, com isso, construirão, espontaneamente, a sustentabilidade da vida no planeta para seu próprio proveito e das próximas gerações.
* Hélio Mattar é diretor-presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente -
www.akatu.org.br