Via expressa
Bom senso sobre rodas
Os carros compactos e econômicos são os principais beneficiados pelas políticas europeias de incentivo à reciclagem de carros
Iuri Pitta
Revista Quatro Rodas - 07/2009
Quando a tempestade da crise financeira mundial chegou à indústria automotiva europeia, os governos de países como Alemanha e França correram atrás de soluções para evitar o pior. Surgiram aí dois modelos de política de incentivo à compra de carros novos: o governo alemão definiu um valor dado a quem trocasse um automóvel de pelo menos nove anos de uso, enquanto os franceses condicionaram esse bônus financeiro à escolha de um veículo com baixa emissão de dióxido de carbono. Passados alguns meses, os resultados acabaram sendo bastante parecidos.
Mesmo sem a exigência, os alemães naturalmente voltaram seus olhos aos carros compactos e mais econômicos, um comportamento simbólico na terra das Autobahnen e de alguns dos esportivos mais potentes – e beberrões – do mundo. À exceção do Volkswagen Golf, um tradicional líder de vendas do mercado europeu, o programa alemão só fez bem aos pequenos, em detrimento de modelos médios e grandes.
Quem entrega um carro velho para ser desmontado ganha 2 500 euros para usar como desconto na compra de um zero-quilômetro, e entre os mais procurados estão modelos como Ford Fiesta, Opel Corsa, Fiat Panda e VW Polo, entre outros. Ao mesmo tempo, as tradicionais Audi, BMW, Mercedes-Benz e Porsche praticamente não sentiram os benefícios do programa. Só o Panda, por exemplo, vendeu no mês de março volume semelhante a quase todo o ano de 2008. Com a maior procura pelo Fiesta e pelo Ka, a Ford vive seu melhor momento na Alemanha desde 2001.
Efeito semelhante está sendo visto na Inglaterra, que lançou seu programa de incentivo no fim de maio. De cada três automóveis comprados com o uso do bônus de 2 000 libras (valor dividido entre o governo e as montadoras), dois têm motor de no máximo 1,3 litro. Os compactos coreanos Kia Picanto e Hyundai i10 estão entre os modelos que mais ganharam com o incentivo britânico.
Ao lançar os programas de incentivo sem condicioná-los à compra de modelos com baixa emissão de poluentes, tanto o governo alemão quanto o inglês foram criticados por colocarem a pressão econômica à frente da causa ambiental, em vez de atacarem os dois problemas com o mesmo peso. Felizmente, o bom senso dos consumidores falou mais alto.
Quando a tempestade da crise financeira mundial chegou à indústria automotiva europeia, os governos de países como Alemanha e França correram atrás de soluções para evitar o pior. Surgiram aí dois modelos de política de incentivo à compra de carros novos: o governo alemão definiu um valor dado a quem trocasse um automóvel de pelo menos nove anos de uso, enquanto os franceses condicionaram esse bônus financeiro à escolha de um veículo com baixa emissão de dióxido de carbono. Passados alguns meses, os resultados acabaram sendo bastante parecidos.
Mesmo sem a exigência, os alemães naturalmente voltaram seus olhos aos carros compactos e mais econômicos, um comportamento simbólico na terra das Autobahnen e de alguns dos esportivos mais potentes – e beberrões – do mundo. À exceção do Volkswagen Golf, um tradicional líder de vendas do mercado europeu, o programa alemão só fez bem aos pequenos, em detrimento de modelos médios e grandes.
Quem entrega um carro velho para ser desmontado ganha 2 500 euros para usar como desconto na compra de um zero-quilômetro, e entre os mais procurados estão modelos como Ford Fiesta, Opel Corsa, Fiat Panda e VW Polo, entre outros. Ao mesmo tempo, as tradicionais Audi, BMW, Mercedes-Benz e Porsche praticamente não sentiram os benefícios do programa. Só o Panda, por exemplo, vendeu no mês de março volume semelhante a quase todo o ano de 2008. Com a maior procura pelo Fiesta e pelo Ka, a Ford vive seu melhor momento na Alemanha desde 2001.
Efeito semelhante está sendo visto na Inglaterra, que lançou seu programa de incentivo no fim de maio. De cada três automóveis comprados com o uso do bônus de 2 000 libras (valor dividido entre o governo e as montadoras), dois têm motor de no máximo 1,3 litro. Os compactos coreanos Kia Picanto e Hyundai i10 estão entre os modelos que mais ganharam com o incentivo britânico.
Ao lançar os programas de incentivo sem condicioná-los à compra de modelos com baixa emissão de poluentes, tanto o governo alemão quanto o inglês foram criticados por colocarem a pressão econômica à frente da causa ambiental, em vez de atacarem os dois problemas com o mesmo peso. Felizmente, o bom senso dos consumidores falou mais alto.