o que te move?
Mobilidade toma conta do Parque do Ibirapuera
Oitocentos veículos novos ganham as ruas a cada dia. No Parque do Ibirapuera, o “Planeta no Parque” propõe reflexões sobre como a forma de transitar pelas cidades nos afeta e o que podemos fazer para mudar essa realidade
Por Roberta Avila
Planeta Sustentável - 17/10/2008
Um fusca amarelo “recheado” de plantas e uma turma de amigos morando em árvores do parque por 10 dias. Estes os pontos principais do percurso sobre Mobilidade, que propõe discutir os meios de transporte mais eficientes e adequados para uma cidade como São Paulo. Tema de destaque nas eleições municipais, a questão da mobilidade também é central nas candidaturas do Brasil, a sede da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. O motivo é lógico: é cada vez mais difícil e demorado se locomover nas grandes cidades brasileiras.
Como nos outros percursos, a reflexão começa na base: uma tenda decorada por painéis feitos com embalagens de Tetra Pak recicladas que representam um rapaz passeando com seu cachorro, uma criança de patinete e uma mulher correndo. Lá estão listadas várias maneiras de lidar com a questão.
As soluções podem vir de inúmeras formas, mas sem mudança de atitude, sem chance! Que tal optar pelo transporte coletivo, pela bicicleta ou mesmo pela caminhada - ir a pé a lugares perto de casa, ao invés de tirar o carro da garagem? O carro é o meio de locomoção mais caro e geralmente é usado por uma única pessoa. Também vale dar carona aos conhecidos e amigos.
O TRÂNSITO NOSSO DE CADA DIA
Parece que só mesmo com números as pessoas conseguem compreender a maioria dos impactos que ajudam a causar na cidade. No caso do problema da Mobilidade, não poderia ser diferente. E eis a lista que o Planeta no Parque “garimpou” para ilustrar as placas deste percurso: 800 novos veículos ganham as ruas todos os dias: essa é a informação destacada na primeira parada do trajeto. Não é difícil entender porque cidades como São Paulo batem recordes de congestionamentos todos os dias; quem tem carro faz uso dele todos os dias e, ainda por cima, sozinho.
Se andar pela cidade é um desafio para todos, imagine para um portador de deficiência física! Não é questão de escolha, é questão de igualdade. Muitos brasileiros representaram o Brasil nas Paraolimpíadas e obtiveram ótimos resultados. Nós torcemos por eles e ficamos felizes com suas vitórias. Mas quem lembra de sua existência quando constrói a calçada de sua casa ou uma escada que impede seu acesso a lugares públicos?
Terceira parada e mais uma questão: nossos representantes políticos têm o dever de garantir mobilidade e acessibilidade para todos, sejam pedestres, ciclistas, usuários de transportes públicos ou pessoas portadoras de deficiências. Cabe a todos cobrar que isso seja realizado. Na quarta parada um fusquinha amarelo recheado por plantas chama a atenção na beira do lago do Ibirapuera. Mas não se engane pela impressão meiga que pode causar: a imagem que o segue apresenta as várias substâncias nocivas à saúde que expelem, como o sulfato de enxofre e o ozônio.
Já andar de bicicleta, além de não poluir, faz bem à saúde. Ainda pode ser divertido e é o jeito mais barato de se locomover. Enfim, vale considerar a alternativa. Caçambas cheias de lixo e de materiais de construção tornaram-se comuns na cidade de São Paulo. Quem já não se deparou com uma? Inclusive em sua rua? Mas fique atento: nem carros estacionados nem caçambas têm o direito de tomar o lugar dos pedestres e de quem quer transitar pelas vias públicas. Você pode e deve reclamar!
Tempo perdido no trânsito é tempo desperdiçado. Uma pesquisa realizada a pedido da ONG Movimento Nossa São Paulo estima que o deslocamento médio do paulistano pela cidade dura duas horas. São quatro horas por dia, 20 horas por semana, 160 horas por ano. Dá para pensar em coisas muito mais interessantes para se fazer com esse tempo, não?
E quer ficar mais injuriado? A velocidade média dos carros na hora do rush é de 17 quilômetros por hora, enquanto uma bicicleta chega tranquilamente a alcançar 15 km/ hora; em uma caminhada tranqüila, atinge 5 km/hora. Dez dias se deslocando de uma árvore para outra para questionar a maneira de morar e de se mover nas grandes cidades. Essa é a proposta da artista plástica Floriana Breyer, que finaliza o trajeto. Ela e seus amigos ficarão instalados assim até o último dia do Planeta no Parque. Leia a reportagem: Artistas habitam árvore.
Para acompanhar tanta reflexão, o papertoy Móbilis, distribuído pelo Planeta no Parque para as crianças, simboliza um veículo do futuro, movido a hidrogênio.
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Um fusca amarelo “recheado” de plantas e uma turma de amigos morando em árvores do parque por 10 dias. Estes os pontos principais do percurso sobre Mobilidade, que propõe discutir os meios de transporte mais eficientes e adequados para uma cidade como São Paulo. Tema de destaque nas eleições municipais, a questão da mobilidade também é central nas candidaturas do Brasil, a sede da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. O motivo é lógico: é cada vez mais difícil e demorado se locomover nas grandes cidades brasileiras.
Como nos outros percursos, a reflexão começa na base: uma tenda decorada por painéis feitos com embalagens de Tetra Pak recicladas que representam um rapaz passeando com seu cachorro, uma criança de patinete e uma mulher correndo. Lá estão listadas várias maneiras de lidar com a questão.
As soluções podem vir de inúmeras formas, mas sem mudança de atitude, sem chance! Que tal optar pelo transporte coletivo, pela bicicleta ou mesmo pela caminhada - ir a pé a lugares perto de casa, ao invés de tirar o carro da garagem? O carro é o meio de locomoção mais caro e geralmente é usado por uma única pessoa. Também vale dar carona aos conhecidos e amigos.
O TRÂNSITO NOSSO DE CADA DIA
Parece que só mesmo com números as pessoas conseguem compreender a maioria dos impactos que ajudam a causar na cidade. No caso do problema da Mobilidade, não poderia ser diferente. E eis a lista que o Planeta no Parque “garimpou” para ilustrar as placas deste percurso: 800 novos veículos ganham as ruas todos os dias: essa é a informação destacada na primeira parada do trajeto. Não é difícil entender porque cidades como São Paulo batem recordes de congestionamentos todos os dias; quem tem carro faz uso dele todos os dias e, ainda por cima, sozinho.
Se andar pela cidade é um desafio para todos, imagine para um portador de deficiência física! Não é questão de escolha, é questão de igualdade. Muitos brasileiros representaram o Brasil nas Paraolimpíadas e obtiveram ótimos resultados. Nós torcemos por eles e ficamos felizes com suas vitórias. Mas quem lembra de sua existência quando constrói a calçada de sua casa ou uma escada que impede seu acesso a lugares públicos?
Terceira parada e mais uma questão: nossos representantes políticos têm o dever de garantir mobilidade e acessibilidade para todos, sejam pedestres, ciclistas, usuários de transportes públicos ou pessoas portadoras de deficiências. Cabe a todos cobrar que isso seja realizado. Na quarta parada um fusquinha amarelo recheado por plantas chama a atenção na beira do lago do Ibirapuera. Mas não se engane pela impressão meiga que pode causar: a imagem que o segue apresenta as várias substâncias nocivas à saúde que expelem, como o sulfato de enxofre e o ozônio.
Já andar de bicicleta, além de não poluir, faz bem à saúde. Ainda pode ser divertido e é o jeito mais barato de se locomover. Enfim, vale considerar a alternativa. Caçambas cheias de lixo e de materiais de construção tornaram-se comuns na cidade de São Paulo. Quem já não se deparou com uma? Inclusive em sua rua? Mas fique atento: nem carros estacionados nem caçambas têm o direito de tomar o lugar dos pedestres e de quem quer transitar pelas vias públicas. Você pode e deve reclamar!
Tempo perdido no trânsito é tempo desperdiçado. Uma pesquisa realizada a pedido da ONG Movimento Nossa São Paulo estima que o deslocamento médio do paulistano pela cidade dura duas horas. São quatro horas por dia, 20 horas por semana, 160 horas por ano. Dá para pensar em coisas muito mais interessantes para se fazer com esse tempo, não?
E quer ficar mais injuriado? A velocidade média dos carros na hora do rush é de 17 quilômetros por hora, enquanto uma bicicleta chega tranquilamente a alcançar 15 km/ hora; em uma caminhada tranqüila, atinge 5 km/hora. Dez dias se deslocando de uma árvore para outra para questionar a maneira de morar e de se mover nas grandes cidades. Essa é a proposta da artista plástica Floriana Breyer, que finaliza o trajeto. Ela e seus amigos ficarão instalados assim até o último dia do Planeta no Parque. Leia a reportagem: Artistas habitam árvore.
Para acompanhar tanta reflexão, o papertoy Móbilis, distribuído pelo Planeta no Parque para as crianças, simboliza um veículo do futuro, movido a hidrogênio.
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