direitos e deveres
Cidadania no Planeta no Parque
Circuito convida frequentadores do Parque do Ibirapuera a refletirem sobre seu poder como cidadãos e propõe formas simples de melhorar e descomplicar a vida na cidade
Por Monica Nunes e Roberta Avilla
Planeta Sustentável - 17/10/2008
Uma andorinha não faz verão, mas um cidadão consciente faz muita diferença. Esse é o recado do percurso “Cidadania e Coexistência”, no Planeta no Parque: mostrar que todos podem, sim, ajudar a mudar sua cidade para melhor, mas e que, para isso, não é preciso fazer mudanças radicais.
O circuito se inicia com uma tenda que exibe painéis com inúmeros dados sobre hábitos que podem ser mudados para beneficiar não só a nós mesmos, como a todos os que nos cercam e mais: nossos vizinhos, a comunidade, o bairro, nossa cidade... Impossível não refletir sobre cada informação ali exposta.
Eis um exemplo: reduzir o banho diário de 12 para 6 minutos economiza energia suficiente para manter uma lâmpada acesa por 7 horas. Se toda a população de São Paulo adotasse essa medida, a energia poupada daria para manter 11 milhões de lâmpadas acesas por 7 horas. Agora, imagine se todo o Brasil diminuísse o tempo embaixo do chuveiro! Economizaríamos a quantidade de energia que - se prevê - será produzida na usina nuclear Angra 3.
O tamanho do desperdício no Brasil assusta. Uma família desperdiça, em média, 500 gramas de comida por dia, o que resulta em 182 kg de comida por ano. Se um milhão de famílias brasileiras parasse de jogar alimentos fora, daria para alimentar meio milhão de pessoas carentes.
Para completar o painel de informações da tenda, um espaço em branco convida os visitantes a registrar uma frase inspirada no tema. Eduardo Jorge, secretário do Verde e Meio Ambiente de São Paulo, foi o primeiro a escrever lá. : “Viver simples para viver mais e melhor”. O prefeito Gilberto Kassab também deixou seu recado: “Plante uma cidade limpa e colha uma cidade linda”.
Ainda na tenda, uma criação de artistas e educadores do grupo “Política do Impossível” chama a atenção: um casal de bonecos vestidos com embalagens de produtos diversos. Algo para se pensar...
A “exploração” da tenda pode ser feita de forma independente, mas há monitores à disposição dos visitantes e sua companhia é imprescindível para entender todo o percurso. Pelo caminho, placas expõem dicas e convidam à reflexão, destacando, também a idéia de que ser voluntário e solidário com quem vive à nossa volta também é um ato de cidadania. A mobilização de grupos por um ideal comum é uma forma de modificar a sociedade em que vivemos.
Cidadania em cinco passos
Eis os temas das placas espalhadas pelo percurso da Cidadania e Coexistência, que culmina na estrutura do balanço de bambu, idealizada e implantada pelo grupo Bijari.
1. O município de São Paulo tem mais de 14 mil leis aprovadas. Você já parou para pensar para que elas servem? Na primeira parada do trajeto os monitores do Planeta no Parque questionam os participantes: como cidadão, você sabe o que os políticos que elegeu fizeram pelo município? Ser cidadão não é só exigir seus direitos, é reconhecer seus deveres.
2. A segunda placa do trajeto chamou a atenção de Priscila Cardoso, de 14 anos, aluna da 8ª série da Escola Estadual Walfredo Arantes Caldas. Ela ficou surpresa ao saber que 16 mil cães são apreendidos todos os anos pela Prefeitura nas ruas de São Paulo. Os mandamentos para a posse responsável – como considerar o tempo de vida médio de 12 anos do animal e levar em conta suas necessidades para ter uma vida saudável – certamente, não sairão tão cedo da cabeça da menina.
3. Fazia muito tempo que Priscila não ia ao Parque. Oras! Mas a cidade é de todos, será que você usufrui dela? Essa é a questão levantada pela placa que marca a metade do trajeto. Como a pequena visitante pode constatar, sobram bons motivos para passar um dia no parque.
4. Infelizmente, São Paulo dispõe de poucas áreas verdes e muitas regiões são desprovidas de espaços coletivos de lazer. Para mudar isso, a comunidade pode se unir e organizar um abaixo assinado, montar uma associação de bairro, os caminhos são vários. A quarta placa ressalta que a união faz a força. Se os cidadãos se unirem, então!
5. São Paulo, como megametrópole que é, reúne muitas cidades em si. A Liberdade da comunidade nipônica, o Braz e o Bexiga dos descendentes de italianos, a Avenida Paulista dos executivos e todo tipo de atividade cultural e comercial que se possa imaginar. Essa é a reflexão do final do trajeto. Respeitar as diferentes culturas com que convivemos é essencial para que possamos conviver em paz.
E, como até na diversão existe responsabilidade, o percurso da Cidadania ainda destaca um balanço feito com bambu, em uma estrutura pra lá de sofisticada, ao mesmo tempo que simples. Sua construção economizou madeira e pregos o que exemplifica a defesa de florestas e montanhas para a exploração de árvores e minérios.
Rafael Gomes da Silva, colega de Priscila que cursa a 6ª série, disse que, no trajeto, as mensagens mais importantes foram as que alertaram que não se deve jogar lixo na rua e nem maltratar os animais. Cada criança absorve um pouco das muitas informações apresentadas pelo caminho. Ganhar o papertoy Pólis - brinquedo de montar, feito de papel, que simboliza uma cidade - no final do passeio, reforçar a idéia de que uma cidade é como um organismo vivo, cada parte tem que funcionar para que vivamos bem com o todo.
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Uma andorinha não faz verão, mas um cidadão consciente faz muita diferença. Esse é o recado do percurso “Cidadania e Coexistência”, no Planeta no Parque: mostrar que todos podem, sim, ajudar a mudar sua cidade para melhor, mas e que, para isso, não é preciso fazer mudanças radicais.
O circuito se inicia com uma tenda que exibe painéis com inúmeros dados sobre hábitos que podem ser mudados para beneficiar não só a nós mesmos, como a todos os que nos cercam e mais: nossos vizinhos, a comunidade, o bairro, nossa cidade... Impossível não refletir sobre cada informação ali exposta.
Eis um exemplo: reduzir o banho diário de 12 para 6 minutos economiza energia suficiente para manter uma lâmpada acesa por 7 horas. Se toda a população de São Paulo adotasse essa medida, a energia poupada daria para manter 11 milhões de lâmpadas acesas por 7 horas. Agora, imagine se todo o Brasil diminuísse o tempo embaixo do chuveiro! Economizaríamos a quantidade de energia que - se prevê - será produzida na usina nuclear Angra 3.
O tamanho do desperdício no Brasil assusta. Uma família desperdiça, em média, 500 gramas de comida por dia, o que resulta em 182 kg de comida por ano. Se um milhão de famílias brasileiras parasse de jogar alimentos fora, daria para alimentar meio milhão de pessoas carentes.
Para completar o painel de informações da tenda, um espaço em branco convida os visitantes a registrar uma frase inspirada no tema. Eduardo Jorge, secretário do Verde e Meio Ambiente de São Paulo, foi o primeiro a escrever lá. : “Viver simples para viver mais e melhor”. O prefeito Gilberto Kassab também deixou seu recado: “Plante uma cidade limpa e colha uma cidade linda”.
Ainda na tenda, uma criação de artistas e educadores do grupo “Política do Impossível” chama a atenção: um casal de bonecos vestidos com embalagens de produtos diversos. Algo para se pensar...
A “exploração” da tenda pode ser feita de forma independente, mas há monitores à disposição dos visitantes e sua companhia é imprescindível para entender todo o percurso. Pelo caminho, placas expõem dicas e convidam à reflexão, destacando, também a idéia de que ser voluntário e solidário com quem vive à nossa volta também é um ato de cidadania. A mobilização de grupos por um ideal comum é uma forma de modificar a sociedade em que vivemos.
Cidadania em cinco passos
Eis os temas das placas espalhadas pelo percurso da Cidadania e Coexistência, que culmina na estrutura do balanço de bambu, idealizada e implantada pelo grupo Bijari.
1. O município de São Paulo tem mais de 14 mil leis aprovadas. Você já parou para pensar para que elas servem? Na primeira parada do trajeto os monitores do Planeta no Parque questionam os participantes: como cidadão, você sabe o que os políticos que elegeu fizeram pelo município? Ser cidadão não é só exigir seus direitos, é reconhecer seus deveres.
2. A segunda placa do trajeto chamou a atenção de Priscila Cardoso, de 14 anos, aluna da 8ª série da Escola Estadual Walfredo Arantes Caldas. Ela ficou surpresa ao saber que 16 mil cães são apreendidos todos os anos pela Prefeitura nas ruas de São Paulo. Os mandamentos para a posse responsável – como considerar o tempo de vida médio de 12 anos do animal e levar em conta suas necessidades para ter uma vida saudável – certamente, não sairão tão cedo da cabeça da menina.
3. Fazia muito tempo que Priscila não ia ao Parque. Oras! Mas a cidade é de todos, será que você usufrui dela? Essa é a questão levantada pela placa que marca a metade do trajeto. Como a pequena visitante pode constatar, sobram bons motivos para passar um dia no parque.
4. Infelizmente, São Paulo dispõe de poucas áreas verdes e muitas regiões são desprovidas de espaços coletivos de lazer. Para mudar isso, a comunidade pode se unir e organizar um abaixo assinado, montar uma associação de bairro, os caminhos são vários. A quarta placa ressalta que a união faz a força. Se os cidadãos se unirem, então!
5. São Paulo, como megametrópole que é, reúne muitas cidades em si. A Liberdade da comunidade nipônica, o Braz e o Bexiga dos descendentes de italianos, a Avenida Paulista dos executivos e todo tipo de atividade cultural e comercial que se possa imaginar. Essa é a reflexão do final do trajeto. Respeitar as diferentes culturas com que convivemos é essencial para que possamos conviver em paz.
E, como até na diversão existe responsabilidade, o percurso da Cidadania ainda destaca um balanço feito com bambu, em uma estrutura pra lá de sofisticada, ao mesmo tempo que simples. Sua construção economizou madeira e pregos o que exemplifica a defesa de florestas e montanhas para a exploração de árvores e minérios.
Rafael Gomes da Silva, colega de Priscila que cursa a 6ª série, disse que, no trajeto, as mensagens mais importantes foram as que alertaram que não se deve jogar lixo na rua e nem maltratar os animais. Cada criança absorve um pouco das muitas informações apresentadas pelo caminho. Ganhar o papertoy Pólis - brinquedo de montar, feito de papel, que simboliza uma cidade - no final do passeio, reforçar a idéia de que uma cidade é como um organismo vivo, cada parte tem que funcionar para que vivamos bem com o todo.
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