Olhos d'água
Exposições questionam a poluição em São Paulo
Em "Quase Líquido" e "H2Olhos", o Itaú Cultural propõe - até 25 de maio - uma reflexão sobre esse problema no rio Tietê e mostra como em outras cidades a realidade é diferente. A instalação de garrafas PET de Eduardo Srur, nas margens do rio, é um dos destaques
Por Thiago Carrapatoso
Planeta Sustentável - 27/03/2008
O Itaú Cultural sedia duas exposições que têm o meio ambiente como tema de reflexão: "Quase Líquido" e "H2Olhos". Ambas estão ocupando o prédio da instituição, em São Paulo, até o dia 25 de maio, com entrada gratuita.
"Quase Líquido" preocupa-se em provocar o público sobre dilemas, incertezas e vazios que cercam os indivíduos que vivem em metrópoles, como a capital paulista, e precisam conviver com a contradição entre o moderno e os problemas básicos, como a violência, aexclusão social e o meio ambiente degradado. De acordo com o curador da exposição, Cauê Alves, é esse conflito que mostra que a sociedade brasileira ainda não alcançou a modernidade em si.
O trabalho do artista plástico Eduardo Srur é um exemplo desse conflito. Srur construiu 20 garrafas PET de 10m de comprimento por 3m de largura e espalhou-as pelas margens do rio Tietê. Os motoristas da marginal, então, poderão ver entre as pontes do Limão e da Casa Verde diversas garrafas coloridas que convidam o público a refletir sobre a poluição do rio. Quem quiser checar o trabalho de mais perto, o Itaú Cultural, em parceria com o Instituto Navega São Paulo, promove excursões agendadas pelo rio. Quando a exposição acabar, as garrafas virarão mochilas que serão distribuídas gratuitamente às escolas públicas da região.
Esse não é o primeiro trabalho de Srur sobre o meio ambiente. Ele já fez intervenções urbanas que questionam a mobilidade em São Paulo - pendurando bicicletas entre dois prédios em uma das travessas da avenida Paulista - e a poluição no rio Pinheiros que impossibilita os cidadãos de usufruir algo que era usado como lazer antigamente - soltando caiaques com manequins correnteza abaixo.
Outro destaque da exposição é o grafiteiro Zezão, que exibe o vídeo "Suco Gástrico", em que mostra sua experiência com seus grafites azuis nos esgotos e córregos da cidade. Zezão, aos 28 anos, por causa de uma crise depressão, visitou os subterrâneos da cidade pela primeira vez. Foi lá que começou a trabalhar suas intervenções urbanas com pixação e grafite.
[img01] Além desses, outros 15 artistas entram na exposição, como Tatiana Ferraz, Louise Ganz, Ana Tavares, Rosângelo Rennó, o mexicano Héctor Zamora e o catalão Martí Perran.
Em paralelo ao "Quase Líquido", no 2º subsolo do Itaú Cultural, há também a exposição "H2Olhos", em que o fotógrafo e curador Miguel Chikaoka mostra que a água do rio Tietê é limpa em outras cidades. Chikaoka divide a exposição em três partes: H2Olhos no Olho, em que o público pode ver sua imagem refletida por meio de um jardim de olhos d'água; H2Olhos no Leito, no qual o espectador tem a sensação de estar imerso em um rio cheio de peixes; e H2Olhos nas Nuvens, espaço com livros e jogos.
Para saber mais informações sobre as exposições, acesse o site do Itaú Cultural.
O
Itaú Cultural sedia duas exposições que têm o meio ambiente como tema de reflexão: "Quase Líquido" e "H2Olhos". Ambas estão ocupando o prédio da instituição, em São Paulo, até o dia 25 de maio, com entrada gratuita.
"Quase Líquido" preocupa-se em provocar o público sobre dilemas, incertezas e vazios que cercam os indivíduos que vivem em metrópoles, como a capital paulista, e precisam conviver com a contradição entre o moderno e os problemas básicos, como a violência, aexclusão social e o meio ambiente degradado. De acordo com o curador da exposição, Cauê Alves, é esse conflito que mostra que a sociedade brasileira ainda não alcançou a modernidade em si.
O trabalho do artista plástico Eduardo Srur é um exemplo desse conflito. Srur construiu 20 garrafas PET de 10m de comprimento por 3m de largura e espalhou-as pelas margens do rio Tietê. Os motoristas da marginal, então, poderão ver entre as pontes do Limão e da Casa Verde diversas garrafas coloridas que convidam o público a refletir sobre a poluição do rio. Quem quiser checar o trabalho de mais perto, o Itaú Cultural, em parceria com o Instituto Navega São Paulo, promove excursões agendadas pelo rio. Quando a exposição acabar, as garrafas virarão mochilas que serão distribuídas gratuitamente às escolas públicas da região.
Esse não é o primeiro trabalho de Srur sobre o meio ambiente. Ele já fez intervenções urbanas que questionam a mobilidade em São Paulo - pendurando bicicletas entre dois prédios em uma das travessas da avenida Paulista - e a poluição no rio Pinheiros que impossibilita os cidadãos de usufruir algo que era usado como lazer antigamente - soltando caiaques com manequins correnteza abaixo.
Outro destaque da exposição é o grafiteiro Zezão, que exibe o vídeo "Suco Gástrico", em que mostra sua experiência com seus grafites azuis nos esgotos e córregos da cidade. Zezão, aos 28 anos, por causa de uma crise depressão, visitou os subterrâneos da cidade pela primeira vez. Foi lá que começou a trabalhar suas intervenções urbanas com pixação e grafite.
[img01] Além desses, outros 15 artistas entram na exposição, como Tatiana Ferraz, Louise Ganz, Ana Tavares, Rosângelo Rennó, o mexicano Héctor Zamora e o catalão Martí Perran.
Em paralelo ao "Quase Líquido", no 2º subsolo do Itaú Cultural, há também a exposição "H2Olhos", em que o fotógrafo e curador Miguel Chikaoka mostra que a água do rio Tietê é limpa em outras cidades. Chikaoka divide a exposição em três partes: H2Olhos no Olho, em que o público pode ver sua imagem refletida por meio de um jardim de olhos d'água; H2Olhos no Leito, no qual o espectador tem a sensação de estar imerso em um rio cheio de peixes; e H2Olhos nas Nuvens, espaço com livros e jogos.
Para saber mais informações sobre as exposições, acesse o site do Itaú Cultural.