Leitura indispensável para aqueles que pensam em rumos sustentáveis para o planeta. Mostra várias ações de indivíduos, prefeituras e organizações para a manutenção e promoção da qualidade de vida. O livro "Mundo Sustentável", do jornalista multimídia André Trigueiro, é uma aula, um seminário, um curso não só de cidadania, mas também de jornalismo. Reúne reportagens, entrevistas, artigos de sua autoria que tiveram veiculação em distintos meios de comunicação: na rádio CBN, no canal de tevê a cabo Globo News, no site Ecopop, no jornal O Globo, além de comentários de especialistas para os assuntos que afetam diretamente a sustentabilidade.
André lançou o "Mundo Sustentável" depois de ter feito diversas reportagens para a televisão (de 2003 a 2005) e para o quadro, de mesmo nome, da rádio CBN (que está no ar, em rede nacional, desde agosto de 2003). Para fazer as matérias de TV, aproveitava "as horas vagas da cozinha da Globo News", como ele mesmo disse, para trabalhar os assuntos que ele julgava importantes mas que não tinham o "timing", (como ele explica no livro) exigido para a cobertura da imprensa. Mesmo não abandonando a bancada do Jornal das Dez, depois do lançamento deste livro, conquistou mais espaço para os temas socioambientais, e conseguiu transformar uma série de reportagens em um programa semanal, o Cidades e Soluções, no canal de TV por assinatura.
Além de denunciar, alertar e enumerar vários exemplos de como é possível fazer do limão, uma limonada, o autor se preocupa em decifrar termos, conceitos e utiliza pesquisas, números e gráficos para contextualizar melhor as informações. O livro é um caleidoscópio de temas e um convite a reflexão para a mudança de atitudes cotidianas.
Começa tocando na ferida da sociedade contemporânea: o consumismo, uma das razões evidentes e pouco faladas na mídia da causa do aquecimento global, pois move cifras milionárias de publicidade, E conta como cidadãos de vários países estão promovendo o Buy Nothing Day (Um dia sem compras) como forma de chamar a atenção para o consumo desenfreado. De uma forma clara e até mesmo coloquial, ele sempre toca dos problemas e depois relata como há caminhos para se encontrar resultados promissores e criativos.
Na publicação predominam também os assuntos urbanos. Mas nem por isso, a situação dos ambientes um pouco menos mexidos pelas mãos do homem não são abordados. Até porque é longe das grandes avenidas e das zonas densamente povoadas que a natureza pode "depurar" os erros e a sujeira gerada pelas cidades.
André mostra como o lixo se tornou uma oportunidade lucrativa e de inserção social. E não perdoa quem se desfaz de cascas ou papéis (com uma boa dose de humor ele parte do mau exemplo do presidente Lula, que jogou propositalmente um papel de bombom no chão durante uma cerimônia, para salientar o quanto se gasta com limpeza urbana) na rua ou quem não vive sem as sacolinhas plásticas descartáveis.
Também evidencia as potencialidades do Brasil para a utilização de energias alternativas e alerta para o destino do mundo se não forem tomadas medidas para diminuição do aquecimento global. Tudo isso muito antes da imprensa "descobrir" os relatórios alarmantes do IPCC (sigla em inglês do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). Ainda dá uma visão geral de outros assuntos da agenda socioambiental, entre eles, a utilização de tecnologias ambientalmente saudáveis, como biodigestores e construções "verdes", o gerenciamento de recursos hídricos, o valor da biodiversidade, os diferentes tipos de Unidades de Conservação e os vários aspectos que podem ser incorporados pelas diversas editorias dos meios de comunicação quando uma pauta tem como pano de fundo a questão ambiental.
O autor é pós-graduado em Gestão Ambiental pela Coppe/UFRJ e professor da cadeira de Jornalismo Ambiental da PUC/RJ. Encerra sua obra evidenciando o que procura trabalhar com seus alunos e o que prega em todo o seu livro: a importância da visão sistêmica, a percepção da ampla teia de relações entre as coisas.
E conclui: "o jornalismo ambiental quebra o dogma da imparcialidade, tão propalada e discutida nos cursos de comunicação, ao tomar partido em favor da sustentabilidade, do uso racional dos recursos naturais, do equilíbrio que deve reger as relações do homem com a natureza, do transporte coletivo, da energia limpa, dos três Rs do lixo (reduzir, reutilizar e reciclar) e de tudo aquilo que remeta à idéia de um novo modelo de civilização que não seja predatório e suicida, em que o lucro de poucos ainda ameaça a qualidade de vida de muitos e os interesses dos consumidores se sobrepõem aos interesses dos cidadãos. Quando essas idéias justificarem atitudes que se multipliquem pelo mundo inspirando a construção de uma nova civilização, um novo paradigma, talvez não exista mais a necessidade de existirem ambientalistas, assim como os abolicionistas deixaram de existir com o fim da escravidão."
Assim como o livro "Meio Ambiente no Século 21", do qual foi organizador, a renda dos direitos autorais é destinada a uma organização da sociedade civil. Desta vez o contemplado é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que realiza serviço voluntário e gratuito de apoio emocional de prevenção ao suicídio.