energia eólica
Rumo ao interior
Novos investimentos em fontes renováveis abrem vagas fora do eixo Rio-São Paulo
Por Erica Polo
Revista Você S/A - 10/2008
A demanda gerada pelo crescimento econômico, unida à necessidade mundial de redução da emissão de gases, está levando governo e empresas a investir em fontes energéticas alternativas ao petróleo. A meta do governo brasileiro é de que o país amplie seu potencial de produção em 4% ao ano, até 2015. Em setembro, o governo garantiu contratos de compra de energia, que vai ser gerada por 31 empresas de biomassa a partir do ano que vem, equivalentes ao fornecimento de 2 385 MW. As companhias produtoras de açúcar e etanol, que comercializam o excedente da energia produzida a partir do bagaço e da palha da cana-de-açúcar, pretendem investir 48 bilhões de reais, até 2020, em estruturas que levarão à ampliação de seu potencial de geração de energia. Toda essa movimentação tem criado oportunidades de empregos especializados.
Juntas, a argentina Impsa Wind, com sede no Brasil, e a empresa brasileira Bioenergy, ambas de energia eólica (proveniente do vento), prevêem oferecer 40 novas vagas para gerentes de suprimentos, industrial, de manufatura, de produção, analistas financeiros e gerenciadores de projetos. No caso da Impsa, dez vagas deverão ficar no Ceará e em Santa Catarina, onde a empresa tem planos de investir mais de 1,5 bilhão de reais na construção de 13 parques eólicos nos próximos dois anos. “O Brasil é o maior mercado consumidor da América Latina, há apoio do governo para os projetos e o custo de produção é competitivo”, diz Luis Pescarmona, presidente da companhia. A Bioenergy vai começar a construção de três parques eólicos até dezembro, no Ceará, com investimentos de cerca de 400 milhões de reais. “Engenheiros da área de energia eólica não são fáceis de encontrar, mas profissionais formados em mecânica e mecatrônica, que tenham especialização nessa área, também têm o perfil que precisamos”, diz Sérgio Marques, presidente da Bioenergy. Na Universidade Federal de Pernambuco, há um curso de especialização recente na área, que atende quem procura a especialização citada pelo executivo.
Além desses três projetos, a Bioenergy detém outros 20 já em andamento em vários estados do país e mais dois parques em funcionamento na Paraíba. A administradora Vanessa Barion, de 34 anos, é um exemplo de profissional que migrou para a área de energia renovável. Há um ano está na Impsa Wind como supervisora de comércio exterior e logística e divide suas semanas entre São Paulo e Recife. “Já tinha experiência em lidar com transportes de cargas grandes, que é o caso de uma pá eólica”, diz. Vanessa alerta para o conhecimento sobre a legislação aduaneira. “Há uma série de incentivos fiscais para os transportes especiais e muitos não sabem aplicar a legislação às necessidades da empresa.”
FINANCEIROS COMEÇAM
Nas unidades que estão sendo construídas, a procura é mais intensa, num primeiro momento, pelos profissionais técnicos. Aí entram engenheiros civis, mecânicos, elétricos e químicos, com alguma especialização em gerenciamento de projetos, para trabalhar em equipes de desenvolvimento das unidades. Nessa leva também há oportunidades para cargos de diretoria e gerência, com níveis salariais que variam entre 8 000 reais e 25 000 reais. Técnicos que trabalham na indústria de base, mecânica, de óleo e gás também têm espaço. Nas novas plantas de usinas de cana, surge ainda a necessidade de contratar engenheiros agrônomos e florestais, para coordenar as áreas de plantações de matéria-prima da biomassa.
Os profissionais da área financeira aparecem em destaque nas contratações. “Esse profissional é recrutado antes mesmo dos técnicos, porque tem como incumbência viabilizar o projeto financeiramente”, diz Sílvia Sigaud, sócia da consultoria Korn/Ferry International, responsável pela área de indústria e agronegócio. No último ano, a Korn/Ferry recrutou executivos para pelo menos dez projetos na área de renováveis, principalmente etanol. O candidato ideal tem de ter bons contatos com bancos, visão de projetos e capacidade de se comunicar bem, para os momentos em que precisar apresentar a empresa a investidores. A sucroalcooleira Cosan, que está abrindo um departamento de comercialização de energia, contratou recentemente um engenheiro mecânico em sua unidade de Piracicaba, em São Paulo, e deve abrir, a médio prazo, mais seis vagas na mesma área. “Daqui pra frente, a comercialização de energia é o nicho que vai gerar empregos nas usinas de cana”, diz Antônio de Pádua Rodrigues, diretor da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). “Em cargos de liderança, é necessário o conhecimento de gerenciamento de contratos e projetos, para lidar com a venda de energia no mercado livre”, diz Gaus Azeredo, da Michael Page, consultoria com escritório em Campinas, em São Paulo. Engenheiros elétricos, mecânicos e civis têm o perfil adequado e podem sair na frente pela busca de vagas, que devem se concentrar nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
A demanda gerada pelo crescimento econômico, unida à necessidade mundial de redução da emissão de gases, está levando governo e empresas a investir em fontes energéticas alternativas ao petróleo. A meta do governo brasileiro é de que o país amplie seu potencial de produção em 4% ao ano, até 2015. Em setembro, o governo garantiu contratos de compra de energia, que vai ser gerada por 31 empresas de biomassa a partir do ano que vem, equivalentes ao fornecimento de 2 385 MW. As companhias produtoras de açúcar e etanol, que comercializam o excedente da energia produzida a partir do bagaço e da palha da cana-de-açúcar, pretendem investir 48 bilhões de reais, até 2020, em estruturas que levarão à ampliação de seu potencial de geração de energia. Toda essa movimentação tem criado oportunidades de empregos especializados.
Juntas, a argentina Impsa Wind, com sede no Brasil, e a empresa brasileira Bioenergy, ambas de energia eólica (proveniente do vento), prevêem oferecer 40 novas vagas para gerentes de suprimentos, industrial, de manufatura, de produção, analistas financeiros e gerenciadores de projetos. No caso da Impsa, dez vagas deverão ficar no Ceará e em Santa Catarina, onde a empresa tem planos de investir mais de 1,5 bilhão de reais na construção de 13 parques eólicos nos próximos dois anos. “O Brasil é o maior mercado consumidor da América Latina, há apoio do governo para os projetos e o custo de produção é competitivo”, diz Luis Pescarmona, presidente da companhia. A Bioenergy vai começar a construção de três parques eólicos até dezembro, no Ceará, com investimentos de cerca de 400 milhões de reais. “Engenheiros da área de energia eólica não são fáceis de encontrar, mas profissionais formados em mecânica e mecatrônica, que tenham especialização nessa área, também têm o perfil que precisamos”, diz Sérgio Marques, presidente da Bioenergy. Na Universidade Federal de Pernambuco, há um curso de especialização recente na área, que atende quem procura a especialização citada pelo executivo.
Além desses três projetos, a Bioenergy detém outros 20 já em andamento em vários estados do país e mais dois parques em funcionamento na Paraíba. A administradora Vanessa Barion, de 34 anos, é um exemplo de profissional que migrou para a área de energia renovável. Há um ano está na Impsa Wind como supervisora de comércio exterior e logística e divide suas semanas entre São Paulo e Recife. “Já tinha experiência em lidar com transportes de cargas grandes, que é o caso de uma pá eólica”, diz. Vanessa alerta para o conhecimento sobre a legislação aduaneira. “Há uma série de incentivos fiscais para os transportes especiais e muitos não sabem aplicar a legislação às necessidades da empresa.”
FINANCEIROS COMEÇAM
Nas unidades que estão sendo construídas, a procura é mais intensa, num primeiro momento, pelos profissionais técnicos. Aí entram engenheiros civis, mecânicos, elétricos e químicos, com alguma especialização em gerenciamento de projetos, para trabalhar em equipes de desenvolvimento das unidades. Nessa leva também há oportunidades para cargos de diretoria e gerência, com níveis salariais que variam entre 8 000 reais e 25 000 reais. Técnicos que trabalham na indústria de base, mecânica, de óleo e gás também têm espaço. Nas novas plantas de usinas de cana, surge ainda a necessidade de contratar engenheiros agrônomos e florestais, para coordenar as áreas de plantações de matéria-prima da biomassa.
Os profissionais da área financeira aparecem em destaque nas contratações. “Esse profissional é recrutado antes mesmo dos técnicos, porque tem como incumbência viabilizar o projeto financeiramente”, diz Sílvia Sigaud, sócia da consultoria Korn/Ferry International, responsável pela área de indústria e agronegócio. No último ano, a Korn/Ferry recrutou executivos para pelo menos dez projetos na área de renováveis, principalmente etanol. O candidato ideal tem de ter bons contatos com bancos, visão de projetos e capacidade de se comunicar bem, para os momentos em que precisar apresentar a empresa a investidores. A sucroalcooleira Cosan, que está abrindo um departamento de comercialização de energia, contratou recentemente um engenheiro mecânico em sua unidade de Piracicaba, em São Paulo, e deve abrir, a médio prazo, mais seis vagas na mesma área. “Daqui pra frente, a comercialização de energia é o nicho que vai gerar empregos nas usinas de cana”, diz Antônio de Pádua Rodrigues, diretor da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). “Em cargos de liderança, é necessário o conhecimento de gerenciamento de contratos e projetos, para lidar com a venda de energia no mercado livre”, diz Gaus Azeredo, da Michael Page, consultoria com escritório em Campinas, em São Paulo. Engenheiros elétricos, mecânicos e civis têm o perfil adequado e podem sair na frente pela busca de vagas, que devem se concentrar nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.