Campus Party - Democratização
Dos hackers ao UCA
O Seminário Nacional de Inclusão Digital questionou a democracia da internet e apresentou o projeto do governo federal "Um Computador por Aluno"
Por Thiago Carrapatoso
Planeta Sustentável - 13/02/08
"Algumas regiões do planeta em que praticamente toda a população está conectada na internet são Singapura, que conseguiu isso por meio de uma ditadura, e os EUA, com ações em que imperam as leis de mercado, ou seja, não existe a lei do cidadão, mas sim a neoliberal." Foi o que contou Marcelo Branco, um dos fundadores do "Projeto Software Livre Brasil", no Seminário Nacional de Inclusão Digital, que acontece na Campus Party Brasil.
Branco questionou a democracia da internet brasileira, exemplificando com o papel dos hackers e com as leis de direitos autorais. "Nós, do Brasil, precisamos ter consciência que é a partir das pressões da sociedade civil e das escolhas feitas pelas autoridades governamentais que vão determinar o grau de democracia do estado, e não o número de computadores por pessoa", disse.
Segundo ele, as ferramentas de web surgiram por causa desses usuários que, por sentirem necessidade de um programa, desenvolvem e liberam a utilização para os outros usuários, sem cobrar pelo serviço. "O software livre será a plataforma para 32% das Tecnologias da Informação em 2010", estima Branco.
Os direitos autorais de uma propriedade intelectual também foram levantados como um príncipio de inclusão digital. "Quando eu tinha o meu vinil, eu o colocava embaixo do braço e emprestava para quem eu quisesse. Por que eu faço algo ilegal quando eu permito que um amigo escute tal música pelo computador dele?", indaga.
Para ele, quando a imprensa informa sobre a troca de arquivos pela internet, considera como algo ilegal, sem ao menos existir alguma lei brasileira que regulamente esse serviço. "Dizem que é para proteger os autores, mas nunca pergutaram se eles precisam ser protegidos".
O assessor Especial da Presidência da República, Cezar Alvarez, mostrou ao público o projeto "Um Computador por Aluno" (UCA). "É uma revolução do processo pedagógico. É a troca entre professores, alunos e a comunidade acadêmica". O objetivo é com que todos os alunos da rede pública de ensino tenham um laptop para auxiliar nos estudos. O governo abriu uma licitação para comprar os computadores em dezembro do ano passado, mas as propostas foram mais caras do que eles esperavam. Atualmente, porém, há algumas cidades-testes para esses equipamentos, como Piraí.
O governo escolherá 5 cidades pequenas para equipar 100% dos alunos com os computadores. As cidades que desejam entrar no projeto precisam ter adesão do governador ou prefeito, indicar um coordenador e disponibilizar pelo menos 4 horas de atividades semanais para professores e coordenadores pedagógicos para acompanhar e aprimorar o processo.
Outro ponto levantado foi o acesso à banda larga. Alvarez contou que há um projeto para firmar uma parceria com as operadoras de telefonia fixa para, assim, permitir com que mais de 5 mil municípios tenham acesso à banda larga até o final de 2010, com um contrato de 18 anos. "Este Brasil será outro com essa parceria existindo, porque o tema da banda larga vai ser discutido e vai ter que ser barato".
"Algumas regiões do planeta em que praticamente toda a população está conectada na internet são Singapura, que conseguiu isso por meio de uma ditadura, e os EUA, com ações em que imperam as leis de mercado, ou seja, não existe a lei do cidadão, mas sim a neoliberal." Foi o que contou Marcelo Branco, um dos fundadores do "Projeto Software Livre Brasil", no Seminário Nacional de Inclusão Digital, que acontece na Campus Party Brasil.
Branco questionou a democracia da internet brasileira, exemplificando com o papel dos hackers e com as leis de direitos autorais. "Nós, do Brasil, precisamos ter consciência que é a partir das pressões da sociedade civil e das escolhas feitas pelas autoridades governamentais que vão determinar o grau de democracia do estado, e não o número de computadores por pessoa", disse.
Segundo ele, as ferramentas de web surgiram por causa desses usuários que, por sentirem necessidade de um programa, desenvolvem e liberam a utilização para os outros usuários, sem cobrar pelo serviço. "O software livre será a plataforma para 32% das Tecnologias da Informação em 2010", estima Branco.
Os direitos autorais de uma propriedade intelectual também foram levantados como um príncipio de inclusão digital. "Quando eu tinha o meu vinil, eu o colocava embaixo do braço e emprestava para quem eu quisesse. Por que eu faço algo ilegal quando eu permito que um amigo escute tal música pelo computador dele?", indaga.
Para ele, quando a imprensa informa sobre a troca de arquivos pela internet, considera como algo ilegal, sem ao menos existir alguma lei brasileira que regulamente esse serviço. "Dizem que é para proteger os autores, mas nunca pergutaram se eles precisam ser protegidos".
O assessor Especial da Presidência da República, Cezar Alvarez, mostrou ao público o projeto "Um Computador por Aluno" (UCA). "É uma revolução do processo pedagógico. É a troca entre professores, alunos e a comunidade acadêmica". O objetivo é com que todos os alunos da rede pública de ensino tenham um laptop para auxiliar nos estudos. O governo abriu uma licitação para comprar os computadores em dezembro do ano passado, mas as propostas foram mais caras do que eles esperavam. Atualmente, porém, há algumas cidades-testes para esses equipamentos, como Piraí.
O governo escolherá 5 cidades pequenas para equipar 100% dos alunos com os computadores. As cidades que desejam entrar no projeto precisam ter adesão do governador ou prefeito, indicar um coordenador e disponibilizar pelo menos 4 horas de atividades semanais para professores e coordenadores pedagógicos para acompanhar e aprimorar o processo.
Outro ponto levantado foi o acesso à banda larga. Alvarez contou que há um projeto para firmar uma parceria com as operadoras de telefonia fixa para, assim, permitir com que mais de 5 mil municípios tenham acesso à banda larga até o final de 2010, com um contrato de 18 anos. "Este Brasil será outro com essa parceria existindo, porque o tema da banda larga vai ser discutido e vai ter que ser barato".