alimentação
O quadro da fome
Segundo a FAO, mais de um bilhão de pessoas estão subnutridas, no mundo. Na República Democrática do Congo, 75% dos habitantes encontram-se nessa situação
Manoella Oliveira
Planeta Sustentável - 16/10/2009
Relatório sobre segurança alimentar publicado às vésperas do Dia Mundial da Alimentação, comemorado hoje, 16 de outubro, pela FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, aponta a gravidade do quadro de subnutrição crônica no mundo. Na última década, o crescimento deste número era constante e lento, mas piorou entre 2004 e 2006. Atualmente, uma a cada seis pessoas sofre desse problema, a maioria delas vive em países em desenvolvimento.
Para José Tubino, representante da FAO no Brasil, a crise alimentar é resultado das crises econômica e ambiental, que se retroalimentam e afetam profundamente a produção de alimentos. “Estamos testemunhando o aumento da poluição atmosférica a níveis elevados, de áreas degradadas, a perda de solos e a contaminação de recursos hídricos. Um suíno gera três litros de dejetos, por dia. Ou seja, são 250 milhões de litros de detritos despejados, diariamente, que se infiltram no subsolo ou vão para os rios”, diz.
Além disso, os estoques mundiais de alimentos continuam baixos e a alta de preços ainda é uma realidade, dado que os mecanismos da crise econômica que os causam não foram resolvidos. Os pobres não tem renda o suficiente para custear suas refeições e, por causa da globalização, as flutuações do mercado internacionais não atingem um país isolado, mas um conjunto deles.
O Índice de Preços dos Alimentos da FAO cresceu, em média, 52% de meados de 2007 a meados de 2008, o que provoca menor diversidade de alimentos consumidos e uma dieta bem menos balanceada. Em julho de 2008, os preços começaram a cair, mas os grãos continuam em alta.
OS PIORES DO MUNDO
Estima-se que os países desenvolvidos abriguem 15 milhões de pessoas nessa situação, enquanto apenas na África subsaariana são 265 milhões, na América Latina e Caribe são 53 milhões, Ásia e Pacífico somam 642 milhões e no Oriente próximo e no norte da África há 42 milhões de subnutridos. Os piores índices estão divididos entre vários continentes.
Segundo informou Tubino, O país com maior número de famintos no mundo é a Índia com 250 milhões, ou seja, 22% da população, seguida pela China, com 127 milhões. Quando o referencial é o percentual da população, a República Democrática do Congo aparece com alarmantes 75% da população em situação de subnutrição crônica, seguido pela Eritreia (África) com 63% e pelo Haiti (América Central) com 58%.
“Em relação a outros países, o Brasil não está ruim com seu índice de aproximadamente 6%, mas, ainda assim, estamos falando de 12 milhões de pessoas. Quantas cidades brasileiras, juntas, esse número representa?”, questiona Tubino.
Para o representante da FAO, a solução está na sustentabilidade e nos planos estratégicos de longo prazo que, aliás, estão sendo discutidos por 300 cientistas do Comitê de Segurança Alimentar da ONU, em Roma, nesta semana. “A economia verde que já está acontecendo. O novo paradigma é a tecnologia limpa, esse é o fator competitivo”.
Tubino afirma ainda, que para atender à futura demanda, a produção de alimentos precisa aumentar 70% em 40 anos, o que representa um investimento de US$83 bilhões por ano e um grande problema para os países em desenvolvimento.
*FAO
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Relatório sobre segurança alimentar publicado às vésperas do Dia Mundial da Alimentação, comemorado hoje, 16 de outubro, pela FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, aponta a gravidade do quadro de subnutrição crônica no mundo. Na última década, o crescimento deste número era constante e lento, mas piorou entre 2004 e 2006. Atualmente, uma a cada seis pessoas sofre desse problema, a maioria delas vive em países em desenvolvimento.
Para José Tubino, representante da FAO no Brasil, a crise alimentar é resultado das crises econômica e ambiental, que se retroalimentam e afetam profundamente a produção de alimentos. “Estamos testemunhando o aumento da poluição atmosférica a níveis elevados, de áreas degradadas, a perda de solos e a contaminação de recursos hídricos. Um suíno gera três litros de dejetos, por dia. Ou seja, são 250 milhões de litros de detritos despejados, diariamente, que se infiltram no subsolo ou vão para os rios”, diz.
Além disso, os estoques mundiais de alimentos continuam baixos e a alta de preços ainda é uma realidade, dado que os mecanismos da crise econômica que os causam não foram resolvidos. Os pobres não tem renda o suficiente para custear suas refeições e, por causa da globalização, as flutuações do mercado internacionais não atingem um país isolado, mas um conjunto deles.
O Índice de Preços dos Alimentos da FAO cresceu, em média, 52% de meados de 2007 a meados de 2008, o que provoca menor diversidade de alimentos consumidos e uma dieta bem menos balanceada. Em julho de 2008, os preços começaram a cair, mas os grãos continuam em alta.
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Estima-se que os países desenvolvidos abriguem 15 milhões de pessoas nessa situação, enquanto apenas na África subsaariana são 265 milhões, na América Latina e Caribe são 53 milhões, Ásia e Pacífico somam 642 milhões e no Oriente próximo e no norte da África há 42 milhões de subnutridos. Os piores índices estão divididos entre vários continentes.
Segundo informou Tubino, O país com maior número de famintos no mundo é a Índia com 250 milhões, ou seja, 22% da população, seguida pela China, com 127 milhões. Quando o referencial é o percentual da população, a República Democrática do Congo aparece com alarmantes 75% da população em situação de subnutrição crônica, seguido pela Eritreia (África) com 63% e pelo Haiti (América Central) com 58%.
“Em relação a outros países, o Brasil não está ruim com seu índice de aproximadamente 6%, mas, ainda assim, estamos falando de 12 milhões de pessoas. Quantas cidades brasileiras, juntas, esse número representa?”, questiona Tubino.
Para o representante da FAO, a solução está na sustentabilidade e nos planos estratégicos de longo prazo que, aliás, estão sendo discutidos por 300 cientistas do Comitê de Segurança Alimentar da ONU, em Roma, nesta semana. “A economia verde que já está acontecendo. O novo paradigma é a tecnologia limpa, esse é o fator competitivo”.
Tubino afirma ainda, que para atender à futura demanda, a produção de alimentos precisa aumentar 70% em 40 anos, o que representa um investimento de US$83 bilhões por ano e um grande problema para os países em desenvolvimento.
*FAO
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