Mercado
Produção responsável
A indústria está aquecida no Brasil e, para reduzir o impacto de sua expansão, investe na formação de pessoas preocupadas com o crescimento sustentável
Por Marco Losso
Revista Você S.A. - 12/03/2008
A indústria brasileira cresceu 6,3% em 2007, o melhor resultado dos últimos três anos. Boa parte dos setores aumentou sua produção, encabeçada por bens de capital (que inclui máquinas e equipamentos para a indústria) e bens de consumo duráveis (produtos com vida longa, como carros e eletrodomésticos).
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) constatou que 42% de 1.655 indústrias pesquisadas pretendem aumentar os investimentos em máquinas e equipamentos nos próximos meses. Ou seja, a fase de expansão continuará em 2008. Essa é uma boa notícia para a economia, principalmente porque vem acompanhada da intenção das empresas de usar matéria-prima com responsabilidade ambiental e de fabricar com sustentabilidade produtos que deixem menos rastros no meio ambiente.
Com essa nova pegada, o setor industrial vem sendo um dos maiores recrutadores de profissionais que entendam de sustentabilidade. Um trabalho que começa muitas vezes dentro de seus próprios quadros, já que a complexidade das operações pede gente que compreenda esses processos.
"A indústria de celulose, por exemplo, que está entre alguns dos setores mais poluentes, também inclui algumas das empresas que mais avançam em programas sustentáveis e procuram profissionais para tocar seus projetos", diz Claudio Carvalho, consultor da DBM, empresa de recolocação de São Paulo.
Nos últimos anos, segundo dados da DBM, o profissional de sustentabilidade teve seus ganhos aumentados em mais de 1.000%. Os ganhos de um gerente chegam a 20.000 reais mensais. Na área de segurança do trabalho, um setor em que há algum tempo se equiparava em importância com sustentabilidade, um profissional do mesmo nível ganha 15.000 reais, no máximo. Sem contar o tempo de recolocação — um terço da média do mercado.
CADEIA SUSTENTÁVEL
O investimento da indústria nesse perfil de executivo não acontece apenas por consciência social e ambiental. Há necessidades do próprio negócio. Para ter uma idéia, o Wal-Mart, que há algum tempo não era nenhum exemplo de empresa ambientalmente responsável, passou a pedir que seus fornecedores, a indústria em sua maior parte, façam o mesmo. "A cadeia de supermercados exigiu que a fabricante de papel Kimberly-Clark entregue produtos sem impacto ambiental. A Kimberly, por sua vez, exigiu uma celulose limpa de seu fornecedor.
Esse é o efeito da política de sustentabilidade que vem se espalhando na indústria", diz Andrea Goldschmidt, sócia da consultoria Apoena Social, especializada em soluções de responsabilidade social para empresas. No ano passado, 76% das empresas que fazem parte da CNI adotaram procedimentos gerenciais associados à gestão ambiental.
Jeferson Corrêa, de 27 anos, gerente da área de sustentabilidade da Kimberly-Clark, responde ao diretor de assuntos corporativos e contribui para aumentar esses índices. É parte do trabalho dele orientar os fornecedores e encontrar soluções para a própria empresa usar processos sustentáveis de fabricação, como o de produzir papel com 100% de fibra reciclada, ou seja, sem derrubar nenhuma árvore.
PERTO DA DIRETORIA
Muitas das indústrias mais desenvolvidas em programas sustentáveis têm um aspecto em comum: o profissional responsável por essa área está diretamente ligado à alta gestão da companhia. "Não precisa ser o vice-presidente, mas tem que ter trânsito livre com ele", diz Andrea, da Apoena Social.
Quem quiser aproveitar as oportunidades para mudar de área deve ficar de olho dentro da própria empresa em que atua. Uma vez que a compreensão do processo de produção integralmente é essencial no setor, as indústrias aproveitam quem já está na casa para tocar seus novos departamentos. Nesse caso não importa a formação, porém o envolvimento com o negócio e a capacidade de transitar pelos departamentos.
A indústria brasileira cresceu 6,3% em 2007, o melhor resultado dos últimos três anos. Boa parte dos setores aumentou sua produção, encabeçada por bens de capital (que inclui máquinas e equipamentos para a indústria) e bens de consumo duráveis (produtos com vida longa, como carros e eletrodomésticos).
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) constatou que 42% de 1.655 indústrias pesquisadas pretendem aumentar os investimentos em máquinas e equipamentos nos próximos meses. Ou seja, a fase de expansão continuará em 2008. Essa é uma boa notícia para a economia, principalmente porque vem acompanhada da intenção das empresas de usar matéria-prima com responsabilidade ambiental e de fabricar com sustentabilidade produtos que deixem menos rastros no meio ambiente.
Com essa nova pegada, o setor industrial vem sendo um dos maiores recrutadores de profissionais que entendam de sustentabilidade. Um trabalho que começa muitas vezes dentro de seus próprios quadros, já que a complexidade das operações pede gente que compreenda esses processos.
"A indústria de celulose, por exemplo, que está entre alguns dos setores mais poluentes, também inclui algumas das empresas que mais avançam em programas sustentáveis e procuram profissionais para tocar seus projetos", diz Claudio Carvalho, consultor da DBM, empresa de recolocação de São Paulo.
Nos últimos anos, segundo dados da DBM, o profissional de sustentabilidade teve seus ganhos aumentados em mais de 1.000%. Os ganhos de um gerente chegam a 20.000 reais mensais. Na área de segurança do trabalho, um setor em que há algum tempo se equiparava em importância com sustentabilidade, um profissional do mesmo nível ganha 15.000 reais, no máximo. Sem contar o tempo de recolocação — um terço da média do mercado.
CADEIA SUSTENTÁVEL
O investimento da indústria nesse perfil de executivo não acontece apenas por consciência social e ambiental. Há necessidades do próprio negócio. Para ter uma idéia, o Wal-Mart, que há algum tempo não era nenhum exemplo de empresa ambientalmente responsável, passou a pedir que seus fornecedores, a indústria em sua maior parte, façam o mesmo. "A cadeia de supermercados exigiu que a fabricante de papel Kimberly-Clark entregue produtos sem impacto ambiental. A Kimberly, por sua vez, exigiu uma celulose limpa de seu fornecedor.
Esse é o efeito da política de sustentabilidade que vem se espalhando na indústria", diz Andrea Goldschmidt, sócia da consultoria Apoena Social, especializada em soluções de responsabilidade social para empresas. No ano passado, 76% das empresas que fazem parte da CNI adotaram procedimentos gerenciais associados à gestão ambiental.
Jeferson Corrêa, de 27 anos, gerente da área de sustentabilidade da Kimberly-Clark, responde ao diretor de assuntos corporativos e contribui para aumentar esses índices. É parte do trabalho dele orientar os fornecedores e encontrar soluções para a própria empresa usar processos sustentáveis de fabricação, como o de produzir papel com 100% de fibra reciclada, ou seja, sem derrubar nenhuma árvore.
PERTO DA DIRETORIA
Muitas das indústrias mais desenvolvidas em programas sustentáveis têm um aspecto em comum: o profissional responsável por essa área está diretamente ligado à alta gestão da companhia. "Não precisa ser o vice-presidente, mas tem que ter trânsito livre com ele", diz Andrea, da Apoena Social.
Quem quiser aproveitar as oportunidades para mudar de área deve ficar de olho dentro da própria empresa em que atua. Uma vez que a compreensão do processo de produção integralmente é essencial no setor, as indústrias aproveitam quem já está na casa para tocar seus novos departamentos. Nesse caso não importa a formação, porém o envolvimento com o negócio e a capacidade de transitar pelos departamentos.