MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Al Gore quer o Brasil
No I Encontro Latino-Americano promovido pelo The Climate Project, ONG de Al Gore, na cidade do México, ele deixou clara sua intenção de levar ao Brasil, em breve, sua cruzada contra o aquecimento global. Ele quer formar redes de "geradores de consciência" pelo mundo, pessoas interessadas em se unir e multiplicar a mensagem de que precisamos agir para preservar o planeta. E o Brasil não pode ficar de fora dessa corrente
Marcia Bindo e Priscilla Santos, da Cidade do México - Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável - 01/10/2009
[mg1]O ex-vice-presidente norte-americano Al Gore quer fincar sua bandeira contra o aquecimento global em solo brasileiro. Essa é uma das principais conclusões do I Encontro Latino Americano com Al Gore, que terminou ontem, 30 de setembro, na Cidade do México, onde se reuniram 300 participantes de cerca de 20 países da América Latina, entre eles 13 brasileiros, como nós (que contamos com o apoio do Planeta Sustentável). Foram dois dias intensos de palestras com renomados cientistas e a equipe do TCP. "Espero que esse evento aconteça logo no Brasil", disse Al Gore na abertura do evento.
Declarações como essa salpicaram durante o encontro promovido pelo The Climate Project (TCP), ONG de Al Gore cuja missão é treinar pessoas ao redor do mundo para dar versões resumidas da palestra do filme “Uma Verdade Inconveniente” (2007). Já no coquetel de abertura do evento - em que Gore apareceu de surpresa para comoção dos participantes - a diretora-executiva do TCP, Jenny Clad, anunciou o lançamento de um braço oficial da ONG no México e falou de seus planos urgentes de fazer o mesmo no Brasil.
O TCP foi criado em meados de 2006 por Al Gore, que já treinou, pessoalmente, mais de três mil voluntários, que têm a missão de divulgar o conteúdo dessas palestras em seus países. Só nos EUA, mais de três milhões de pessoas já assistiram à mensagem de Al Gore contra o aquecimento global - no mundo todo, foram cinco milhões de espectadores, numa espécie de efeito viral. Os braços oficiais do TCP também se multiplicaram: além de Estados Unidos e México, a ONG também está no Canadá, Reino Unido, Indonésia, Índia, Austrália e Espanha e a promessa é de que, em até seis meses, chegue ao Brasil.
Às sete horas da manhã da última terça-feira, 28 de setembro os voluntários - engenheiros, diretores de empresas, professores, representantes de ONGs e estudantes (a mais jovem deles era uma argentina de 13 anos) - começaram a chegar para o café da manhã na entrada do auditório onde aconteceu a conferência, no centro histórico da Cidade do México. Todos seguiram o conselho dado no dia anterior por Al Gore, que enfatizou a ideia de que todos deveríamos aproveitar ao máximo para conhecer pessoas, pois aprenderíamos tanto uns com os outros quanto com o próprio treinamento. Ali ficava clara a ideia do TCP: formar redes de "geradores de consciência", pessoas interessadas em se unir e multiplicar a mensagem de que precisamos agir para preservar o planeta.
Essa urgência ficou clara nas palestras dos pesquisadores latino-americanos, como Exequiel Ezcurra, presidente do Conselho Nacional de Áreas Naturais Protegidas do México, que resumiu cerca de 30 anos de pesquisa científica na menor ilha do oceano pacífico mexicano, levantando questões como a relação entre correntes marítimas e temperatura da água, migração de aves e produção de pescado, apresentando imagens de paisagens inspiradoras e estatísticas assustadoras. "Quando se tortura os dados por um longo tempo, eles hão de confessar alguma coisa", disse, parafraseando um professor que teve há anos nos Estados Unidos. Pois Carlos Mena, do Centro Mario Molina - uma das principais instituições de pesquisas científicas mexicanas -, na palestra que se seguiu, parece ter escutado a sugestão já que apresentou uma sucessão de dados e gráficos. Contou a todos, por exemplo, que os 33 países da América Latina são responsáveis por apenas 5% das emissões de CO2 por queima de combustíveis fósseis, número que sobe para 23% se for levado em conta o desmatamento das florestas - outro tema em que o Brasil foi muito lembrado ao longo desses dois dias de encontro.
DE OLHO EM COPENHAGUE
Cada participante do treinamento volta para casa não só com a missão de dar palestras do TCP em sua região - como ocorre sempre após esses encontros -, como de dar o maior número de palestras possíveis nos próximos dois meses que antecedem a 15ª. Conferência das Partes (COP-15), em dezembro, em Copenhague, onde devem ser selados novos compromissos para serem cumpridos após o término do primeiro prazo do Protocolo de Quioto (2008-2012). (Veja o especial Rumo a Copenhague).
No segundo dia desse I Encontro Latino-Americano com Al Gore foi realizada uma mesa-redonda dedicada exclusivamente a esse assunto. Entre os participantes da rodada de debate, o ex-ministro de Ambiente, Habitação e Desenvolvimento Territorial da Colômbia, Juan Lozano, resumiu bem as pretensões da América Latina para os novos acordos ao enumerar seis pontos:
1) assegurar os compromissos concretos e verificáveis de redução de gases do efeito estufo pelos países desenvolvidos (Anexo 1);
2) incorporação de países que não estavam no Anexo 1 como parte integrante da solução com compromissos obrigatórios;
3) estabelecimentos de mecanismos para a redução de poluentes para os países que não são do Anexo 1;
4) estabelecimento de fundos de compensação e adaptação para os países que não causadores, mas vítimas do aquecimento global;
5) transferência de tecnologia e conhecimento que permitam os países fora do Anexo 1 a incorporarem energia limpas;
6) definir um mecanismo de comum acordo para evitar o desmatamento e incentivar a preservação de florestas e fornecer fluxos de recursos para estimular que essas riquezas naturais sejam protegidas.
No vídeo a seguir, Lozano comenta alguns desses pontos e assinala que países acredita que deveriam ser incorporados ao Anexo 1.
No último dia do encontro, foram anunciados duas novidades:
- o lançamento do novo site do The Climate Project e
- o lançamento de “Our Choice”, o novo livro de Al Gore previsto para novembro. Será que vai virar filme? Ainda não se sabe, mas um novo slide show, com certeza.
Leia também:
Al Gore faz primeiro Encontro Latino Americano
[mg1]O ex-vice-presidente norte-americano Al Gore quer fincar sua bandeira contra o aquecimento global em solo brasileiro. Essa é uma das principais conclusões do I Encontro Latino Americano com Al Gore, que terminou ontem, 30 de setembro, na Cidade do México, onde se reuniram 300 participantes de cerca de 20 países da América Latina, entre eles 13 brasileiros, como nós (que contamos com o apoio do Planeta Sustentável). Foram dois dias intensos de palestras com renomados cientistas e a equipe do TCP. "Espero que esse evento aconteça logo no Brasil", disse Al Gore na abertura do evento.
Declarações como essa salpicaram durante o encontro promovido pelo The Climate Project (TCP), ONG de Al Gore cuja missão é treinar pessoas ao redor do mundo para dar versões resumidas da palestra do filme “Uma Verdade Inconveniente” (2007). Já no coquetel de abertura do evento - em que Gore apareceu de surpresa para comoção dos participantes - a diretora-executiva do TCP, Jenny Clad, anunciou o lançamento de um braço oficial da ONG no México e falou de seus planos urgentes de fazer o mesmo no Brasil.
O TCP foi criado em meados de 2006 por Al Gore, que já treinou, pessoalmente, mais de três mil voluntários, que têm a missão de divulgar o conteúdo dessas palestras em seus países. Só nos EUA, mais de três milhões de pessoas já assistiram à mensagem de Al Gore contra o aquecimento global - no mundo todo, foram cinco milhões de espectadores, numa espécie de efeito viral. Os braços oficiais do TCP também se multiplicaram: além de Estados Unidos e México, a ONG também está no Canadá, Reino Unido, Indonésia, Índia, Austrália e Espanha e a promessa é de que, em até seis meses, chegue ao Brasil.
Às sete horas da manhã da última terça-feira, 28 de setembro os voluntários - engenheiros, diretores de empresas, professores, representantes de ONGs e estudantes (a mais jovem deles era uma argentina de 13 anos) - começaram a chegar para o café da manhã na entrada do auditório onde aconteceu a conferência, no centro histórico da Cidade do México. Todos seguiram o conselho dado no dia anterior por Al Gore, que enfatizou a ideia de que todos deveríamos aproveitar ao máximo para conhecer pessoas, pois aprenderíamos tanto uns com os outros quanto com o próprio treinamento. Ali ficava clara a ideia do TCP: formar redes de "geradores de consciência", pessoas interessadas em se unir e multiplicar a mensagem de que precisamos agir para preservar o planeta.
Essa urgência ficou clara nas palestras dos pesquisadores latino-americanos, como Exequiel Ezcurra, presidente do Conselho Nacional de Áreas Naturais Protegidas do México, que resumiu cerca de 30 anos de pesquisa científica na menor ilha do oceano pacífico mexicano, levantando questões como a relação entre correntes marítimas e temperatura da água, migração de aves e produção de pescado, apresentando imagens de paisagens inspiradoras e estatísticas assustadoras. "Quando se tortura os dados por um longo tempo, eles hão de confessar alguma coisa", disse, parafraseando um professor que teve há anos nos Estados Unidos. Pois Carlos Mena, do Centro Mario Molina - uma das principais instituições de pesquisas científicas mexicanas -, na palestra que se seguiu, parece ter escutado a sugestão já que apresentou uma sucessão de dados e gráficos. Contou a todos, por exemplo, que os 33 países da América Latina são responsáveis por apenas 5% das emissões de CO2 por queima de combustíveis fósseis, número que sobe para 23% se for levado em conta o desmatamento das florestas - outro tema em que o Brasil foi muito lembrado ao longo desses dois dias de encontro.
DE OLHO EM COPENHAGUE
Cada participante do treinamento volta para casa não só com a missão de dar palestras do TCP em sua região - como ocorre sempre após esses encontros -, como de dar o maior número de palestras possíveis nos próximos dois meses que antecedem a 15ª. Conferência das Partes (COP-15), em dezembro, em Copenhague, onde devem ser selados novos compromissos para serem cumpridos após o término do primeiro prazo do Protocolo de Quioto (2008-2012). (Veja o especial Rumo a Copenhague).
No segundo dia desse I Encontro Latino-Americano com Al Gore foi realizada uma mesa-redonda dedicada exclusivamente a esse assunto. Entre os participantes da rodada de debate, o ex-ministro de Ambiente, Habitação e Desenvolvimento Territorial da Colômbia, Juan Lozano, resumiu bem as pretensões da América Latina para os novos acordos ao enumerar seis pontos:
1) assegurar os compromissos concretos e verificáveis de redução de gases do efeito estufo pelos países desenvolvidos (Anexo 1);
2) incorporação de países que não estavam no Anexo 1 como parte integrante da solução com compromissos obrigatórios;
3) estabelecimentos de mecanismos para a redução de poluentes para os países que não são do Anexo 1;
4) estabelecimento de fundos de compensação e adaptação para os países que não causadores, mas vítimas do aquecimento global;
5) transferência de tecnologia e conhecimento que permitam os países fora do Anexo 1 a incorporarem energia limpas;
6) definir um mecanismo de comum acordo para evitar o desmatamento e incentivar a preservação de florestas e fornecer fluxos de recursos para estimular que essas riquezas naturais sejam protegidas.
No vídeo a seguir, Lozano comenta alguns desses pontos e assinala que países acredita que deveriam ser incorporados ao Anexo 1.
No último dia do encontro, foram anunciados duas novidades:
- o lançamento do novo site do The Climate Project e
- o lançamento de “Our Choice”, o novo livro de Al Gore previsto para novembro. Será que vai virar filme? Ainda não se sabe, mas um novo slide show, com certeza.
Leia também:
Al Gore faz primeiro Encontro Latino Americano