
Shirley Paradiso
Revista Bravo! – Especial Ceará
Se estivesse vivo, Patativa do Assaré completaria 100 anos. Nesse quase um século de existência, ele criou, inovou e encantou o povo simples do sertão e os intelectuais. Ajudou a levar mais cultura para o interior do Ceará e um pouco para o Brasil e o mundo, onde foi lido, estudado em universidades e escutado em poemas musicados por cantores consagrados.
Em sua terra natal, as homenagens a seu centenário se prolongam até março do ano vem por meio do projeto Patativa do Assaré Encanta em Todo Canto. “É um programa itinerante no qual um caminhão vai percorrer 95 municípios do estado com o objetivo de difundir a importância da poesia popular e de seu grande mestre”, conta Cândido B. C. Neto, da Secretaria da Cultura do Ceará. Em cada cidade, a população terá acesso a uma linha cronológica da vida e obra de Patativa na exposição Patativa do Assaré — Poeta Cidadão, com painéis e fotografi as, em cartaz dentro do veículo.
À noite, um palco recebe apresentações de repentistas e trovadores, e um telão exibe filmes sobre o poeta, como documentário Patativa do Assaré — Ave Poesia, de Rosemberg Cariry, e a animação Patativa, de Ítalo Maia. “Ele atravessou gerações, permanecendo com uma produção rural, universalizada, na escola itinerante da vida. Uma celebração mais do que merecida”, diz Cândido. Nada mau para quem despontou para o mundo quase por acaso. A vida prometia não ser nada justa para o pequeno lavrador Patativa. Nascido Antônio Gonçalves da Silva, em 5 de março de 1909, na serra de Santana, em Assaré, foi o segundo filho do casal Pedro Gonçalves e Maria Pereira da Silva, uma família pobre que vivia da agricultura de subsistência.
Por causa de uma inflamação, o menino, aos 4 anos, ficou cego de um olho. Aos 8, pegou na enxada para ajudar no sustento da mãe, após a morte prematura do pai.
À noite, à luz das lamparinas, completava os estudos com a leitura de todos os livros que chegassem às suas mãos. Logo, Antônio começou a compor os próprios versos. “Ele dizia ter ouvido a declamação de um cordel quando criança e que isso mudou sua percepção do mundo. A partir daí, ele quis fazer folhetos e poemas”, conta Gilmar de Carvalho, professor da Universidade Federal do Ceará e autor da obra Patativa do Assaré: Pássaro Liberto.
Acompanhado do violão, que comprou com o dinheiro da venda de uma ovelha do pai, passou a animar de casamentos a folguedos. Até que um parente o convidou para uma temporada em Belém, onde ganhou o apelido Patativa, dado pelo folclorista José Carvalho de Brito, cearense lá radicado — o Assaré ele mesmo acrescentou, como um lembrete de suas raízes.
“Para ser poeta não era preciso ser professor. Basta, no mês de maio, recolher um poema em cada flor brotada nas árvores do meu sertão.”
Patativa do Assaré
Nessa época, a mente do poeta estava em ebulição, e todos os poemas que criava fi cavam guardados na memória. Ele não gostava de escrevêlos em papel, apesar de letrado. Patativa era capaz de recitar, sem pestanejar, longos e incontáveis poemas de sua autoria. “Certa vez, com mais de 90 anos, ele me disse que iria declamar seu poema mais longo, o Vim-Vim. Foi mais de meia hora de emoção, e ele não errou uma vez sequer”, lembra Gilmar. Em suas composições, ele surpreendia ao transitar tanto pelos moldes camonianos (inclusive sonetos na forma clássica), como em Inferno, Purgatório e Paraíso, quanto pela poesia de rima e métrica populares (por exemplo, a décima e a sextilha nordestina). Eram frases rimadas que traziam a sabedoria de quem aprendeu a viver nas adversidades e a superar as privações.
“Ele falava do que vivia: terra, trabalho, reforma agrária, amor, natureza, cultura, morte. O que o inspirava era o sofrimento, a beleza, a fertilidade da terra, a solidariedade fraterna, a mulher”, aponta Gilmar. Apesar de cantar o amor e as malícias do caboclo, Patativa foi homem de um amor só. No dia 6 de janeiro de 1936, casou-se com Belarmina Paes Cidrão, a dona Belinha, que morava em um sítio próximo ao dele, na serra de Santana. Dessa união, nasceram 14 fi lhos, dos quais sobreviveram sete: Afonso, Pedro, Geraldo, João Batista, Lúcia, Inês e Míriam. A relação só se desfez com a morte da esposa, em 1994.
A VOZ DO SERTÃO
O poeta cearense foi a voz não só do sertanejo nordestino e dos trabalhadores rurais, como de todos os marginalizados, injustiçados e oprimidos. “Patativa contribuiu para tirar a poesia da torre de marfi m das experimentações esotéricas para fazê-la ecoar em praças, igrejas, mercados”, diz Gilmar. Também declamava seus poemas em um programa da Rádio Araripe, de Crato. Um dia, foi ouvido por José Arraes de Alencar, que, convencido de seu potencial, lhe propôs a publicação de um livro, quebrando a barreira do ineditismo com o lançamento, em 1956, de Inspiração Nordestina. A obra tevesegunda edição, com acréscimos, em 1967, rebatizada Cantos do Patativa.
Não demorou para seu canto ecoar por todo o Brasil graças A Triste Partida, que escreveu em 1953 e ganhou voz de Luiz Gonzaga em 1964. Na letra, a epopeia de uma família rural que, depois de perder tudo, se muda para as “plagas do sul [São Paulo] para viver ou morrer”, mas com a certeza de um dia voltar. A canção virou um dos grandes sucessos do Rei do Baião e um marco da música popular brasileira pelas ousadias, como conter 19 estrofes, cantadas no decorrer de oito minutos — as canções nunca passavam de três minutos e só eram gravadas em um único canal, o que signifi cava gravar todos os instrumentos e vozes ao mesmo tempo, como se fosse ao vivo. Em 1970, saiu nova coletânea, Patativa do Assaré: Novos Poemas Comentados e, em 1974, Cante Lá que Eu Canto Cá, com grande repercussão nos meios intelectuais brasileiros.
Os outros dois livros, Ispinho e Fulô e Aqui Tem Coisa, foram lançados, respectivamente, em 1988 e 1994. Seus poemas ainda foram gravados por Chico Buarque, Rolando Boldrin, Zé Ramalho, Renato Teixeira e Raimundo Fagner, que se tornou parceiro de Patativa. A união começou em 1972, quando Fagner levou para os estúdios o cordel Vaqueiro, que viraria Sina. Tempos depois, o cantor se tornou produtor dos discos de Assaré, colocando no mercado o primeiro álbum do poeta, Poemas e Canções, em 1979.
Um ano depois, a dupla saiu em turnê pelo país, e Vaca Estrela e Boi Fubá caiu no gosto popular. Dos palcos para as telas de cinema, foi um pulo. Em 1983, Rosemberg Cariry, com o conterrâneo Jefferson de Albuquerque, levou às salas escuras Um Poeta do Povo, que foi legendado em vários idiomas para exibição em festivais nacionais e internacionais. O mesmo Rosemberg revisitou o mito, em 2007, com Ave Poesia, resultado de mais de cem horas de fi lmagens que, captadas ao longo de 27 anos, renderam ao cineasta o prêmio de melhor longa-metragem no 17º Cine Ceará. O sucesso e a riqueza, na verdade, nunca foram alvo das realizações de Patativa, que afi rmava não ter tido a intenção de fazer profi ssão de seus versos. Tanto que manteve sua vida de agricultor até se aposentar, aos 70 anos, quando se mudou com dona Belinha para a cidade de Assaré, ao lado da igreja matriz. “Patativa não ganhou dinheiro com suas obras.
Ele vivia com o que recebia de aposentadoria”, revela Gilmar. Amante até o fim de pitadas em cigarros de “paia de mio”, Patativa tinha uma única obsessão: denunciar as injustiças por meio da cantoria. “Dizia querer ser herdeiro do condoreirismo e da poesia libertária de Castro Alves. Falava que o jovem baiano tinha combatido a escravidão e ele, Patativa, queria combater as injustiças, o latifúndio, a concentração de renda e as mazelas do Brasil de hoje”, conta o escritor. Nem mesmo sua aversão à fama impediu que, na década de 1990, se iniciasse seu processo de mitificação, passando a fi gurar no panteão popular, onde já se haviam eternizado nomes como Padre Cícero, Antônio Conselheiro, Lampião e Cego Aderaldo. Patativa recebeu cinco vezes o título de Doutor Honoris Causa e até hoje tem sua vida revisitada em seminários sobre sua obra por universidades de todo o Nordeste. Seus poe mas são traduzidos em vários idiomas, e ele virou protagonista de biografi as de acadêmicos renomados de todo o Brasil.
Patativa, em 1991, se tornou enredo da Escola Acadêmicos do Samba, de Fortaleza, tema de quadrilhas juninas e nome de bibliotecas. Em 1993, ele participou da novela da TV Globo Renascer, transformando- se em um personagem assediado pela mídia. Por essa época, Patativa passou a enfrentar sérios problemas de saúde. Ouvia mal, se valia de uma perna mecânica (teve de amputar a perna depois de ser atropelado, em 1973, em Fortaleza), e a memória até então invejável lhe faltava. Desde os 91 anos já não escrevia porque, ao longo da vida, “já disse tudo que tinha de dizer”. Aos 93 anos, uma infecção na vesícula forçou sua internação. Teve alta médica para comemorar o aniversário em casa. Patativa morreu em 8 de julho de 2002, na cidade que amou, cantou em versos e lhe emprestou o nome.
Shirley Paradiso
Revista Bravo! – Especial Ceará
Se estivesse vivo, Patativa do Assaré completaria 100 anos. Nesse quase um século de existência, ele criou, inovou e encantou o povo simples do sertão e os intelectuais. Ajudou a levar mais cultura para o interior do Ceará e um pouco para o Brasil e o mundo, onde foi lido, estudado em universidades e escutado em poemas musicados por cantores consagrados.
Em sua terra natal, as homenagens a seu centenário se prolongam até março do ano vem por meio do projeto Patativa do Assaré Encanta em Todo Canto. “É um programa itinerante no qual um caminhão vai percorrer 95 municípios do estado com o objetivo de difundir a importância da poesia popular e de seu grande mestre”, conta Cândido B. C. Neto, da Secretaria da Cultura do Ceará. Em cada cidade, a população terá acesso a uma linha cronológica da vida e obra de Patativa na exposição Patativa do Assaré — Poeta Cidadão, com painéis e fotografi as, em cartaz dentro do veículo.
À noite, um palco recebe apresentações de repentistas e trovadores, e um telão exibe filmes sobre o poeta, como documentário Patativa do Assaré — Ave Poesia, de Rosemberg Cariry, e a animação Patativa, de Ítalo Maia. “Ele atravessou gerações, permanecendo com uma produção rural, universalizada, na escola itinerante da vida. Uma celebração mais do que merecida”, diz Cândido. Nada mau para quem despontou para o mundo quase por acaso. A vida prometia não ser nada justa para o pequeno lavrador Patativa. Nascido Antônio Gonçalves da Silva, em 5 de março de 1909, na serra de Santana, em Assaré, foi o segundo filho do casal Pedro Gonçalves e Maria Pereira da Silva, uma família pobre que vivia da agricultura de subsistência.
Por causa de uma inflamação, o menino, aos 4 anos, ficou cego de um olho. Aos 8, pegou na enxada para ajudar no sustento da mãe, após a morte prematura do pai.
À noite, à luz das lamparinas, completava os estudos com a leitura de todos os livros que chegassem às suas mãos. Logo, Antônio começou a compor os próprios versos. “Ele dizia ter ouvido a declamação de um cordel quando criança e que isso mudou sua percepção do mundo. A partir daí, ele quis fazer folhetos e poemas”, conta Gilmar de Carvalho, professor da Universidade Federal do Ceará e autor da obra Patativa do Assaré: Pássaro Liberto.
Acompanhado do violão, que comprou com o dinheiro da venda de uma ovelha do pai, passou a animar de casamentos a folguedos. Até que um parente o convidou para uma temporada em Belém, onde ganhou o apelido Patativa, dado pelo folclorista José Carvalho de Brito, cearense lá radicado — o Assaré ele mesmo acrescentou, como um lembrete de suas raízes.
“Para ser poeta não era preciso ser professor. Basta, no mês de maio, recolher um poema em cada flor brotada nas árvores do meu sertão.”
Patativa do Assaré
Nessa época, a mente do poeta estava em ebulição, e todos os poemas que criava fi cavam guardados na memória. Ele não gostava de escrevêlos em papel, apesar de letrado. Patativa era capaz de recitar, sem pestanejar, longos e incontáveis poemas de sua autoria. “Certa vez, com mais de 90 anos, ele me disse que iria declamar seu poema mais longo, o Vim-Vim. Foi mais de meia hora de emoção, e ele não errou uma vez sequer”, lembra Gilmar. Em suas composições, ele surpreendia ao transitar tanto pelos moldes camonianos (inclusive sonetos na forma clássica), como em Inferno, Purgatório e Paraíso, quanto pela poesia de rima e métrica populares (por exemplo, a décima e a sextilha nordestina). Eram frases rimadas que traziam a sabedoria de quem aprendeu a viver nas adversidades e a superar as privações.
“Ele falava do que vivia: terra, trabalho, reforma agrária, amor, natureza, cultura, morte. O que o inspirava era o sofrimento, a beleza, a fertilidade da terra, a solidariedade fraterna, a mulher”, aponta Gilmar. Apesar de cantar o amor e as malícias do caboclo, Patativa foi homem de um amor só. No dia 6 de janeiro de 1936, casou-se com Belarmina Paes Cidrão, a dona Belinha, que morava em um sítio próximo ao dele, na serra de Santana. Dessa união, nasceram 14 fi lhos, dos quais sobreviveram sete: Afonso, Pedro, Geraldo, João Batista, Lúcia, Inês e Míriam. A relação só se desfez com a morte da esposa, em 1994.
A VOZ DO SERTÃO
O poeta cearense foi a voz não só do sertanejo nordestino e dos trabalhadores rurais, como de todos os marginalizados, injustiçados e oprimidos. “Patativa contribuiu para tirar a poesia da torre de marfi m das experimentações esotéricas para fazê-la ecoar em praças, igrejas, mercados”, diz Gilmar. Também declamava seus poemas em um programa da Rádio Araripe, de Crato. Um dia, foi ouvido por José Arraes de Alencar, que, convencido de seu potencial, lhe propôs a publicação de um livro, quebrando a barreira do ineditismo com o lançamento, em 1956, de Inspiração Nordestina. A obra tevesegunda edição, com acréscimos, em 1967, rebatizada Cantos do Patativa.
Não demorou para seu canto ecoar por todo o Brasil graças A Triste Partida, que escreveu em 1953 e ganhou voz de Luiz Gonzaga em 1964. Na letra, a epopeia de uma família rural que, depois de perder tudo, se muda para as “plagas do sul [São Paulo] para viver ou morrer”, mas com a certeza de um dia voltar. A canção virou um dos grandes sucessos do Rei do Baião e um marco da música popular brasileira pelas ousadias, como conter 19 estrofes, cantadas no decorrer de oito minutos — as canções nunca passavam de três minutos e só eram gravadas em um único canal, o que signifi cava gravar todos os instrumentos e vozes ao mesmo tempo, como se fosse ao vivo. Em 1970, saiu nova coletânea, Patativa do Assaré: Novos Poemas Comentados e, em 1974, Cante Lá que Eu Canto Cá, com grande repercussão nos meios intelectuais brasileiros.
Os outros dois livros, Ispinho e Fulô e Aqui Tem Coisa, foram lançados, respectivamente, em 1988 e 1994. Seus poemas ainda foram gravados por Chico Buarque, Rolando Boldrin, Zé Ramalho, Renato Teixeira e Raimundo Fagner, que se tornou parceiro de Patativa. A união começou em 1972, quando Fagner levou para os estúdios o cordel Vaqueiro, que viraria Sina. Tempos depois, o cantor se tornou produtor dos discos de Assaré, colocando no mercado o primeiro álbum do poeta, Poemas e Canções, em 1979.
Um ano depois, a dupla saiu em turnê pelo país, e Vaca Estrela e Boi Fubá caiu no gosto popular. Dos palcos para as telas de cinema, foi um pulo. Em 1983, Rosemberg Cariry, com o conterrâneo Jefferson de Albuquerque, levou às salas escuras Um Poeta do Povo, que foi legendado em vários idiomas para exibição em festivais nacionais e internacionais. O mesmo Rosemberg revisitou o mito, em 2007, com Ave Poesia, resultado de mais de cem horas de fi lmagens que, captadas ao longo de 27 anos, renderam ao cineasta o prêmio de melhor longa-metragem no 17º Cine Ceará. O sucesso e a riqueza, na verdade, nunca foram alvo das realizações de Patativa, que afi rmava não ter tido a intenção de fazer profi ssão de seus versos. Tanto que manteve sua vida de agricultor até se aposentar, aos 70 anos, quando se mudou com dona Belinha para a cidade de Assaré, ao lado da igreja matriz. “Patativa não ganhou dinheiro com suas obras.
Ele vivia com o que recebia de aposentadoria”, revela Gilmar. Amante até o fim de pitadas em cigarros de “paia de mio”, Patativa tinha uma única obsessão: denunciar as injustiças por meio da cantoria. “Dizia querer ser herdeiro do condoreirismo e da poesia libertária de Castro Alves. Falava que o jovem baiano tinha combatido a escravidão e ele, Patativa, queria combater as injustiças, o latifúndio, a concentração de renda e as mazelas do Brasil de hoje”, conta o escritor. Nem mesmo sua aversão à fama impediu que, na década de 1990, se iniciasse seu processo de mitificação, passando a fi gurar no panteão popular, onde já se haviam eternizado nomes como Padre Cícero, Antônio Conselheiro, Lampião e Cego Aderaldo. Patativa recebeu cinco vezes o título de Doutor Honoris Causa e até hoje tem sua vida revisitada em seminários sobre sua obra por universidades de todo o Nordeste. Seus poe mas são traduzidos em vários idiomas, e ele virou protagonista de biografi as de acadêmicos renomados de todo o Brasil.
Patativa, em 1991, se tornou enredo da Escola Acadêmicos do Samba, de Fortaleza, tema de quadrilhas juninas e nome de bibliotecas. Em 1993, ele participou da novela da TV Globo Renascer, transformando- se em um personagem assediado pela mídia. Por essa época, Patativa passou a enfrentar sérios problemas de saúde. Ouvia mal, se valia de uma perna mecânica (teve de amputar a perna depois de ser atropelado, em 1973, em Fortaleza), e a memória até então invejável lhe faltava. Desde os 91 anos já não escrevia porque, ao longo da vida, “já disse tudo que tinha de dizer”. Aos 93 anos, uma infecção na vesícula forçou sua internação. Teve alta médica para comemorar o aniversário em casa. Patativa morreu em 8 de julho de 2002, na cidade que amou, cantou em versos e lhe emprestou o nome.
























