Meio Ambiente
Chega de invasão
Projeto para conter expansão de favelas prevê muro e remoção de casas
Por Patrick Moraes
Revista Veja – 28/01/2008
Depois de crescerem mais de 3 milhões de metros quadrados nos últimos dez anos e alcançarem 3,7% do território do município do Rio, as favelas cariocas serão o novo alvo da prefeitura. Para impedirem o surgimento de casas em encostas e áreas florestais, as secretarias de Urbanismo e de Meio Ambiente do Rio planejam a construção de barreiras – que ganharam o sonoro nome de ecolimites – com o objetivo de delimitar suas áreas. A intenção é erguer muros de 1 metro de altura e, no topo, instalar um alambrado de aço com mais 1,60 metro. Esse trabalho será feito em conjunto com órgãos de segurança e ordem pública, e o primeiro ecolimite está previsto para o Morro Dona Marta – vizinho do Palácio da Cidade, sede social da prefeitura do Rio –, com 900 metros de extensão. Nessa etapa, mais de 100 famílias que vivem em áreas de risco serão removidas e deslocadas para moradias na própria vizinhança.
"Os ecolimites têm o objetivo de proteger as áreas florestais e melhorar a qualidade de vida dos moradores", diz o secretário municipal de Meio Ambiente e vice-prefeito, Carlos Alberto Muniz. Embora seja cauteloso ao estabelecer prazos, Muniz afirma que a intenção é levar o projeto para as favelas do Pavão-Pavãozinho, Rocinha e Complexo do Alemão, entre outras. De acordo com o secretário de Habitação, Jorge Bittar, as famílias desalojadas terão subsídios para hospedagem e construção de novas moradias, mas não haverá indenização. As medidas incluem também a construção de dezessete novos postos de orientação urbanística e social (Pousos), em parceria com associações de moradores – hoje existem 33, que não foram capazes de impedir o crescimento desordenado. Com uma equipe formada por arquitetos, engenheiros e agentes administrativos, eles terão a missão de orientar moradores e evitar invasões.
A decisão de construir barreiras para coibir o crescimento de favelas já provocou polêmica anteriormente. Há cinco anos, durante o governo de Rosinha Matheus, a proposta de erguer uma muralha de 3 metros de altura para conter a expansão da Rocinha e do Vidigal em direção à Mata Atlântica foi alvo de protestos, sob a alegação de que transformaria os lugares em guetos segregados. Terminou descartada antes do primeiro tijolo – e as favelas continuaram se expandindo pela cidade. Muniz rejeita qualquer caráter discriminatório. "Não há espírito de segregação", explica. "Compactuar com esse crescimento desordenado é dar a bênção a condições indignas de vida de seus moradores."
Depois de crescerem mais de 3 milhões de metros quadrados nos últimos dez anos e alcançarem 3,7% do território do município do Rio, as favelas cariocas serão o novo alvo da prefeitura. Para impedirem o surgimento de casas em encostas e áreas florestais, as secretarias de Urbanismo e de Meio Ambiente do Rio planejam a construção de barreiras – que ganharam o sonoro nome de ecolimites – com o objetivo de delimitar suas áreas. A intenção é erguer muros de 1 metro de altura e, no topo, instalar um alambrado de aço com mais 1,60 metro. Esse trabalho será feito em conjunto com órgãos de segurança e ordem pública, e o primeiro ecolimite está previsto para o Morro Dona Marta – vizinho do Palácio da Cidade, sede social da prefeitura do Rio –, com 900 metros de extensão. Nessa etapa, mais de 100 famílias que vivem em áreas de risco serão removidas e deslocadas para moradias na própria vizinhança.
"Os ecolimites têm o objetivo de proteger as áreas florestais e melhorar a qualidade de vida dos moradores", diz o secretário municipal de Meio Ambiente e vice-prefeito, Carlos Alberto Muniz. Embora seja cauteloso ao estabelecer prazos, Muniz afirma que a intenção é levar o projeto para as favelas do Pavão-Pavãozinho, Rocinha e Complexo do Alemão, entre outras. De acordo com o secretário de Habitação, Jorge Bittar, as famílias desalojadas terão subsídios para hospedagem e construção de novas moradias, mas não haverá indenização. As medidas incluem também a construção de dezessete novos postos de orientação urbanística e social (Pousos), em parceria com associações de moradores – hoje existem 33, que não foram capazes de impedir o crescimento desordenado. Com uma equipe formada por arquitetos, engenheiros e agentes administrativos, eles terão a missão de orientar moradores e evitar invasões.
A decisão de construir barreiras para coibir o crescimento de favelas já provocou polêmica anteriormente. Há cinco anos, durante o governo de Rosinha Matheus, a proposta de erguer uma muralha de 3 metros de altura para conter a expansão da Rocinha e do Vidigal em direção à Mata Atlântica foi alvo de protestos, sob a alegação de que transformaria os lugares em guetos segregados. Terminou descartada antes do primeiro tijolo – e as favelas continuaram se expandindo pela cidade. Muniz rejeita qualquer caráter discriminatório. "Não há espírito de segregação", explica. "Compactuar com esse crescimento desordenado é dar a bênção a condições indignas de vida de seus moradores."