cada um no seu
Dança do Quadrado
Há um ano, a VT deu um alerta sobre o que acontecia em Trancoso. Hoje o quadro é outro
Por Afonso Capelas Jr.
Revista Viagem & Turismo – 01/2009
A Sociedade Amigos de Trancoso (SAT) se mobilizou, a comunidade aderiu, a ficha dos políticos da região fi nalmente está caindo e Trancoso já pode respirar um pouco mais aliviada.
Em março do ano passado, a VT mostrou na reportagem * Trancoso no Limite, como o vilarejo do litoral sul da Bahia – que pertence ao município de Porto Seguro e recebe todos os anos milhares de turistas brasileiros e gringos – estava sofrendo com a poluição de rios, praias e mangues, loteamentos clandestinos, um lixão fedorento e infestado de urubus e a derrubada da Mata Atlântica dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) Caraíva–Trancoso.
Com uma das vilas mais charmosas do litoral baiano quase à beira de um colapso, a SAT criou o movimento Trancoso Sustentável a fim de advertir moradores, governo e empresários de que estava na hora de reverter a situação. Pouco mais de um ano depois, já é possível vislumbrar um futuro melhor em favor da preservação. “A criação do movimento e a divulgação da matéria da Viagem deram uma sacudida geral por aqui. As pessoas estão mais participativas, querendo fazer algo pela sustentabilidade de Trancoso”, diz o empresário Randolfo Calenda, da SAT. Sinal nesse sentido é a mudança de atitude dos barraqueiros, que já não despejam o óleo das frituras nos rios.
Ainda há problemas com loteamentos clandestinos, o lixão continua lá, mas o distanciamento da população e dos governantes em relação aos problemas não existe mais. Esse, certamente, é o primeiro passo para salvar Trancoso. “Hoje a SAT é mais conhecida e respeitada até por políticos que antes nem nos ouviam. Dá para perceber que eles estão mais sintonizados”, reconhece Calenda. O novo prefeito eleito de Porto Seguro, Gilberto Abade, e seu vice, Miguel Balejo, têm mantido diálogo constante com a associação e prometem soluções para a região. “É preciso colocar Trancoso em um padrão de desenvolvimento sustentável. A melhor maneira de fazer isso é nos entendermos com o pessoal da SAT e da APA”, diz Balejo.
NADA SERÁ COMO ANTES?
Os problemas de um ano atrás e as novas perspectivas
POLUIÇÃO
Em novembro de 2007: Praia dos Coqueiros recebia esgoto sem tratamento. Os barraqueiros despejavam óleo de fritura nos rios
Um ano depois: A nova prefeitura promete instalar redes de tratamento de esgoto. O óleo é armazenado em garrafas pet e encaminhado à comunidade para produção de sabão
LIXÕES
Em novembro de 2007: Montanhas de dejetos acumulados a céu aberto, contaminando solo e águas
Um ano depois: Devem ser desativados. Promete-se coleta seletiva, além de cooperativa de catadores e estações de reciclagem
MATA ATLÂNTICA
Em novembro de 2007: Havia queimadas e desmatamentos na Área de Proteção Ambiental
Um ano depois: O prefeito eleito garante mais equipes de fiscalização. O Ibama tem dado multas pesadas aos infratores
TRÂNSITO
Em novembro de 2007: Liberado no Quadrado em várias ocasiões
Um ano depois: A circulação de veículos foi banida
[img1]
* A reportagem Trancoso no limite (março de 2007) ganhou o primeiro lugar no V Prêmio Ebape – FGV/EMBRATUR, concedido pelo Ministério do Turismo, pela Embratur e pela Fundação Getulio Vargas aos melhores textos e monografias no setor de turismo e hotelaria.
A Sociedade Amigos de Trancoso (SAT) se mobilizou, a comunidade aderiu, a ficha dos políticos da região fi nalmente está caindo e Trancoso já pode respirar um pouco mais aliviada.
Em março do ano passado, a VT mostrou na reportagem * Trancoso no Limite, como o vilarejo do litoral sul da Bahia – que pertence ao município de Porto Seguro e recebe todos os anos milhares de turistas brasileiros e gringos – estava sofrendo com a poluição de rios, praias e mangues, loteamentos clandestinos, um lixão fedorento e infestado de urubus e a derrubada da Mata Atlântica dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) Caraíva–Trancoso.
Com uma das vilas mais charmosas do litoral baiano quase à beira de um colapso, a SAT criou o movimento Trancoso Sustentável a fim de advertir moradores, governo e empresários de que estava na hora de reverter a situação. Pouco mais de um ano depois, já é possível vislumbrar um futuro melhor em favor da preservação. “A criação do movimento e a divulgação da matéria da Viagem deram uma sacudida geral por aqui. As pessoas estão mais participativas, querendo fazer algo pela sustentabilidade de Trancoso”, diz o empresário Randolfo Calenda, da SAT. Sinal nesse sentido é a mudança de atitude dos barraqueiros, que já não despejam o óleo das frituras nos rios.
Ainda há problemas com loteamentos clandestinos, o lixão continua lá, mas o distanciamento da população e dos governantes em relação aos problemas não existe mais. Esse, certamente, é o primeiro passo para salvar Trancoso. “Hoje a SAT é mais conhecida e respeitada até por políticos que antes nem nos ouviam. Dá para perceber que eles estão mais sintonizados”, reconhece Calenda. O novo prefeito eleito de Porto Seguro, Gilberto Abade, e seu vice, Miguel Balejo, têm mantido diálogo constante com a associação e prometem soluções para a região. “É preciso colocar Trancoso em um padrão de desenvolvimento sustentável. A melhor maneira de fazer isso é nos entendermos com o pessoal da SAT e da APA”, diz Balejo.
NADA SERÁ COMO ANTES?
Os problemas de um ano atrás e as novas perspectivas
POLUIÇÃO
Em novembro de 2007: Praia dos Coqueiros recebia esgoto sem tratamento. Os barraqueiros despejavam óleo de fritura nos rios
Um ano depois: A nova prefeitura promete instalar redes de tratamento de esgoto. O óleo é armazenado em garrafas pet e encaminhado à comunidade para produção de sabão
LIXÕES
Em novembro de 2007: Montanhas de dejetos acumulados a céu aberto, contaminando solo e águas
Um ano depois: Devem ser desativados. Promete-se coleta seletiva, além de cooperativa de catadores e estações de reciclagem
MATA ATLÂNTICA
Em novembro de 2007: Havia queimadas e desmatamentos na Área de Proteção Ambiental
Um ano depois: O prefeito eleito garante mais equipes de fiscalização. O Ibama tem dado multas pesadas aos infratores
TRÂNSITO
Em novembro de 2007: Liberado no Quadrado em várias ocasiões
Um ano depois: A circulação de veículos foi banida
[img1]
* A reportagem Trancoso no limite (março de 2007) ganhou o primeiro lugar no V Prêmio Ebape – FGV/EMBRATUR, concedido pelo Ministério do Turismo, pela Embratur e pela Fundação Getulio Vargas aos melhores textos e monografias no setor de turismo e hotelaria.