design sustentável
A reinvenção dos materiais por Fernando e Humberto Campana
Homenageados no Prêmio Planeta Casa 2009, os designers conquistam o mundo dando novo status a objetos do cotidiano
Iracy Paulina
Revista Casa Claudia – 10/2009
Muito antes de a sustentabilidade virar moda, Fernando e Humberto Campana já usavam itens descartados nas peças que criavam. “Quando começamos a trabalhar com material reaproveitado, não era para ser ecológico. Era uma necessidade. Mas acho que mostramos um caminho”, afirma Humberto. E mostraram mesmo.
Ao olhar para rolos de corda, tocos de madeira, mangueiras e restos de borracha EVA, a dupla, que este ano completa 26 anos de carreira, enxerga a possibilidade de desenvolver móveis e objetos incríveis, como a cadeira Favela, de 1990. O mesmo princípio é aplicado na remodelação do Royal Olympic Hotel, de Atenas, na Grécia. Contratados para a tarefa em 2007, eles resolveram reciclar os entulhos removidos dois anos antes, quando a construção passou por uma grande reforma.
“No começo, criar com o que tínhamos era uma necessidade, mas acho que mostramos um caminho. Como formadores de opinião, precisamos ter consciência do tempo em que vivemos e da necessidade de respeitar o meio ambiente”
Humberto Campana
Criados no interior de São Paulo – Humberto nasceu em Rio Claro, e Fernando, em Brotas –, os irmãos Campana ganharam o mundo sem esquecer suas raízes. “Nossa inspiração é justamente o Brasil, nosso dia a dia, as situações que observamos indo ao trabalho ou passeando nas horas vagas”, afirma Humberto. “Admiramos a criatividade e agilidade mental de nosso povo, principalmente das partes mais frágeis de nossa sociedade, que, com pouco, constrói todo o seu repertório de vida”, completa Fernando. Essa conexão com o mundo em que vivem foi o passaporte para o sucesso. No livro Campanas (editora Bookmark), Paola Antonelli, curadora do MoMa, em Nova York, destaca que “Fernando e Humberto estouraram na cena internacional no momento em que aconteciam grandes transformações na cultura visual.
Com o mundo aberto a todos e tantas opções criativas à disposição, a ideia de um estilo único, ditado por alguma ordem superior, se tornou quase inaceitável”. Um marco na trajetória de Humberto, formado em direito, e Fernando, arquiteto, aconteceu em 1989, com a mostra de cadeiras de ferro Desconfortáveis. Mas o estouro lá fora só viria quase uma década depois, quando passaram a desenhar para a empresa italiana Edra. O primeiro fruto dessa parceria é a cadeira Vermelha, um trançado de cordas lançado no Salão Internacional do Móvel de Milão de 1998.
As também italianas Alessi e Fontana Arte hoje produzem objetos e luminárias com a assinatura dos Campana. No Brasil, eles mantêm uma parceria com a Grendene, que recria o trançado da dupla em sapatilhas da marca Melissa. O prestígio dos irmãos levou suas peças a integrar o acervo de importantes museus internacionais, como o MoMa. “Quero um dia ver um móvel nosso em uma loja de usados da avenida São João (em São Paulo).
Acho que aí ele terá cumprido seu ciclo”, diz Fernando. Outra prova do reconhecimento dos designers foi o convite para criar, em 2007, os figurinos e cenários do espetáculo Metamorfoses, do Balé Nacional de Marselha, na França. Fiéis a seus princípios, eles colocaram arame e tiras de borracha para bailar.
Muito antes de a sustentabilidade virar moda, Fernando e Humberto Campana já usavam itens descartados nas peças que criavam. “Quando começamos a trabalhar com material reaproveitado, não era para ser ecológico. Era uma necessidade. Mas acho que mostramos um caminho”, afirma Humberto. E mostraram mesmo.
Ao olhar para rolos de corda, tocos de madeira, mangueiras e restos de borracha EVA, a dupla, que este ano completa 26 anos de carreira, enxerga a possibilidade de desenvolver móveis e objetos incríveis, como a cadeira Favela, de 1990. O mesmo princípio é aplicado na remodelação do Royal Olympic Hotel, de Atenas, na Grécia. Contratados para a tarefa em 2007, eles resolveram reciclar os entulhos removidos dois anos antes, quando a construção passou por uma grande reforma.
“No começo, criar com o que tínhamos era uma necessidade, mas acho que mostramos um caminho. Como formadores de opinião, precisamos ter consciência do tempo em que vivemos e da necessidade de respeitar o meio ambiente”
Humberto Campana
Criados no interior de São Paulo – Humberto nasceu em Rio Claro, e Fernando, em Brotas –, os irmãos Campana ganharam o mundo sem esquecer suas raízes. “Nossa inspiração é justamente o Brasil, nosso dia a dia, as situações que observamos indo ao trabalho ou passeando nas horas vagas”, afirma Humberto. “Admiramos a criatividade e agilidade mental de nosso povo, principalmente das partes mais frágeis de nossa sociedade, que, com pouco, constrói todo o seu repertório de vida”, completa Fernando. Essa conexão com o mundo em que vivem foi o passaporte para o sucesso. No livro Campanas (editora Bookmark), Paola Antonelli, curadora do MoMa, em Nova York, destaca que “Fernando e Humberto estouraram na cena internacional no momento em que aconteciam grandes transformações na cultura visual.
Com o mundo aberto a todos e tantas opções criativas à disposição, a ideia de um estilo único, ditado por alguma ordem superior, se tornou quase inaceitável”. Um marco na trajetória de Humberto, formado em direito, e Fernando, arquiteto, aconteceu em 1989, com a mostra de cadeiras de ferro Desconfortáveis. Mas o estouro lá fora só viria quase uma década depois, quando passaram a desenhar para a empresa italiana Edra. O primeiro fruto dessa parceria é a cadeira Vermelha, um trançado de cordas lançado no Salão Internacional do Móvel de Milão de 1998.
As também italianas Alessi e Fontana Arte hoje produzem objetos e luminárias com a assinatura dos Campana. No Brasil, eles mantêm uma parceria com a Grendene, que recria o trançado da dupla em sapatilhas da marca Melissa. O prestígio dos irmãos levou suas peças a integrar o acervo de importantes museus internacionais, como o MoMa. “Quero um dia ver um móvel nosso em uma loja de usados da avenida São João (em São Paulo).
Acho que aí ele terá cumprido seu ciclo”, diz Fernando. Outra prova do reconhecimento dos designers foi o convite para criar, em 2007, os figurinos e cenários do espetáculo Metamorfoses, do Balé Nacional de Marselha, na França. Fiéis a seus princípios, eles colocaram arame e tiras de borracha para bailar.