sustentabilidade
As melhores ideias da Casa Cor SP
A mostra levantou uma questão atual: o que é viver de modo sustentável?
Maria Helena Pugliesi
Revista Casa Cláudia - 06/2009
[img01] TENDA DOS PRAZERES
Cerca de 160 m² de uma área descampada do Jockey Club se transformaram num espaço delicioso pelas mãos do arquiteto João Armentano, que ergueu uma tenda de perfis metálicos (Lock Construtora) sustentando o teto de juta. As paredes são compostas de faixas de voal de linho (no caso de chuva, toldos verticais são acionados). Os tecidos filtram a luz natural e reforçam o clima mágico do ambiente. Sobre um piso de cimento queimado - que, no lugar do pó xadrez, usou terra do próprio terreno -, distribuem-se os móveis, um mix de peças clássicas e modernas.
Dica de sustentabilidade: a Eco Juta, da Locomotiva (empresa do grupo Alpargatas), utilizada na cobertura, é um produto 100% correto. O plantio, feito por populações ribeirinhas da região amazônica, não emprega fertilizantes e defensivos. Além disso, a decomposição desse tecido é de apenas dois anos já o poliéster pode demorar até 100 anos.
[img02] UM BOSQUE PARTICULAR
Não importa quantos graus o termômetro indica: quem passeia pelo jardim assinado por Luiz Carlos Orsini é agraciado com uma temperatura agradável e atmosfera aconchegante. "Escolhi plantas que reproduzissem o microclima das matas da Indonésia. São todas espécies nativas desse país, mas adaptadas a nosso clima há mais de 50 anos", diz ele. Outra investida para gerar frescor ao local foi a construção do espelho-d’água. "A evaporação da água confere umidade ao ar, proporcionando conforto térmico inclusive a ambientes fechados, o que dispensa o uso de aparelhos de ar condicionado", conclui.
Dica de sustentabilidade: o que Orsini fez aqui é um bom exemplo de como recuperar áreas verdes. Preservando as sibipirunas originais, ele recompôs o sub-bosque, isto é, a vegetação abaixo das árvores. "Com isso, o solo torna-se fértil novamente e a mata como um todo se regenera."
[img03] DENTRO OU FORA, TANTO FAZ
O paisagista Gil Fialho e a arquiteta Fernanda Marques formaram uma dupla afinada para compor seus espaços. Os ambientes de ambos interagem - quase não se percebe a fronteira entre eles. A caixa de tauari que abriga o quarto paira sobre o espelho-d’água, que avança até o deque de madeira de demolição e se insinua pelas ilhotas verdes do jardim. Da cama, a visão é de um quadro vivo, em que água e folhagens se movimentam ao sabor da brisa. Nos dias quentes, grandes painéis de vidro correm para dentro das paredes e deixam entrar o ar refrescante da área externa. Quando faz frio, as partes envidraçadas se fecham sem comprometer a vista e a luz natural.
Dica de sustentabilidade: construções suspensas e pisos permeáveis são aliados no combate às enchentes nas cidades, pois permitem que a água penetre o solo, em vez de empoçar. Consequentemente, o risco de erosão também diminui, e a terra se beneficia, nutrida pela chuva.
[img04] TRAÇO DE ARQUITETO
Cruzetas antigas vestem as paredes deste estúdio. Mas Arthur Casas não se contentou com as peças comumente vendidas no mercado. Garimpou bastante até reunir exemplares de coloração parecida, como amendoim, angelim, perobinha e angico. Em seguida, todas foram descoloridas e protegidas com Neutrol. A harmonia de tonalidades ganhou reforço com a colocação das cruzetas, que mescla painéis horizontais e verticais. Como depois da mostra tudo será reaproveitado, as peças foram grampeadas com minúsculos pinos em compensados pregados na parede. "Na retirada, é só remover os pininhos", diz Carlos Rodrigues, da Pica-Pau Marcenaria, responsável pelo trabalho.
Dica de sustentabilidade: valorizar nossas raízes é atitude ecológica. Arthur priorizou o artesanato nordestino e deu visibilidade à foto do índio.
[img05] RESGATES PRECIOSOS
Os 80 m² pareciam pequenos para o loft idealizado. Porém, não tendo como aumentar a área, o arquiteto Toninho Noronha apostou em artifícios para reverter a situação. Assim, com a assessoria da Lavoro e Arte, garimpou em casas demolidas tábuas de canela para revestir as paredes. "Com elas, criei painéis afastados 40 cm do forro e do piso. Isso dá a ilusão de um ambiente mais longo", explica. Outro achado valioso foi um antigo sofá de couro que seria jogado fora por um cliente. Toninho não permitiu: desmontou o estofado e com as partes fez dois pufes, que serviram sob medida para dividir os ambientes do loft.
Dica de sustentabilidade: toda a iluminação deste espaço é feita por lâmpadas de catodo frio. Extremamente econômicas, duram 50 mil horas, enquanto as fluorescentes têm vida útil de cerca de 10 mil horas, e as incandescentes, de apenas 2 mil.
[img06] ETERNA ELEGÂNCIA
Para o designer de interiores Fernando Piva, os anos 1940 foram os mais férteis em mobiliário sóbrio e sofisticado. "As linhas retas, os tons monocromáticos e os materiais naturais daquela época são muito chiques. Jamais sairão de moda", diz ele. A proposta clássica deste ambiente reflete sua admiração pelo estilo. Apesar de contemporâneas, as peças são fiéis ao design discreto que tanto caracteriza a década da elegância. Priorizar o móvel nacional foi a atitude ecológica de Piva. "Nossos produtos são excelentes tanto no desenho como na qualidade. Não ficamos devendo nada aos europeus", argumenta.
[img07] DESIGN IRRESISTÍVEL
Cercada por jardins, a casa construída pela arquiteta Débora Aguiar usa e abusa do vidro. "Todas as paredes externas são transparentes. Isso trouxe leveza ao projeto e aproximou os interiores à natureza", diz. A ideia tem ainda como atrativo a captação da luz natural. Filtrada pelas plantas, a luminosidade confere uma atmosfera suave aos ambientes, realçando o desenho do mobiliário escolhido. Entre as peças, um par de espreguiçadeiras de balanço de Oscar Niemeyer protagoniza o home office. Produzido em 1977, com madeira vergada na estrutura e palhinha no assento, o móvel perpetua o talento do mestre.
MIX RETRÔ
"A proposta foi provar que reunir gerações diferentes num mesmo espaço sempre dá bossa. É só saber dosar", fala o arquiteto Antonio Ferreira Jr., explicando seu projeto assinado com o sócio, Mario Celso Bernardes. Acolhidos por paredes de verde intenso, o móvel, com portas e gavetas revestidas de pergaminho, data de 1950, já a poltrona é um clássico de 1965, assinada por Sergio Rodrigues. "Usamos uma reedição, autorizada pelo autor, feita de madeira de reflorestamento. A original levava madeira de lei, inconcebível nos dias atuais", diz Ferreira Jr. Uma composição de xilogravuras geométricas de Odetto Guersoni arremata o conjunto.
Dica de sustentabilidade: tacões de perobinha-do-campo de reflorestamento formam o piso em forma de espinha de peixe. O produto (Indusparquet) já vem com verniz à base de água e, para instalar, basta colar as peças no contrapiso.
[img01] TENDA DOS PRAZERES
Cerca de 160 m² de uma área descampada do Jockey Club se transformaram num espaço delicioso pelas mãos do arquiteto João Armentano, que ergueu uma tenda de perfis metálicos (Lock Construtora) sustentando o teto de juta. As paredes são compostas de faixas de voal de linho (no caso de chuva, toldos verticais são acionados). Os tecidos filtram a luz natural e reforçam o clima mágico do ambiente. Sobre um piso de cimento queimado - que, no lugar do pó xadrez, usou terra do próprio terreno -, distribuem-se os móveis, um mix de peças clássicas e modernas.
Dica de sustentabilidade: a Eco Juta, da Locomotiva (empresa do grupo Alpargatas), utilizada na cobertura, é um produto 100% correto. O plantio, feito por populações ribeirinhas da região amazônica, não emprega fertilizantes e defensivos. Além disso, a decomposição desse tecido é de apenas dois anos já o poliéster pode demorar até 100 anos.
[img02] UM BOSQUE PARTICULAR
Não importa quantos graus o termômetro indica: quem passeia pelo jardim assinado por Luiz Carlos Orsini é agraciado com uma temperatura agradável e atmosfera aconchegante. "Escolhi plantas que reproduzissem o microclima das matas da Indonésia. São todas espécies nativas desse país, mas adaptadas a nosso clima há mais de 50 anos", diz ele. Outra investida para gerar frescor ao local foi a construção do espelho-d’água. "A evaporação da água confere umidade ao ar, proporcionando conforto térmico inclusive a ambientes fechados, o que dispensa o uso de aparelhos de ar condicionado", conclui.
Dica de sustentabilidade: o que Orsini fez aqui é um bom exemplo de como recuperar áreas verdes. Preservando as sibipirunas originais, ele recompôs o sub-bosque, isto é, a vegetação abaixo das árvores. "Com isso, o solo torna-se fértil novamente e a mata como um todo se regenera."
[img03] DENTRO OU FORA, TANTO FAZ
O paisagista Gil Fialho e a arquiteta Fernanda Marques formaram uma dupla afinada para compor seus espaços. Os ambientes de ambos interagem - quase não se percebe a fronteira entre eles. A caixa de tauari que abriga o quarto paira sobre o espelho-d’água, que avança até o deque de madeira de demolição e se insinua pelas ilhotas verdes do jardim. Da cama, a visão é de um quadro vivo, em que água e folhagens se movimentam ao sabor da brisa. Nos dias quentes, grandes painéis de vidro correm para dentro das paredes e deixam entrar o ar refrescante da área externa. Quando faz frio, as partes envidraçadas se fecham sem comprometer a vista e a luz natural.
Dica de sustentabilidade: construções suspensas e pisos permeáveis são aliados no combate às enchentes nas cidades, pois permitem que a água penetre o solo, em vez de empoçar. Consequentemente, o risco de erosão também diminui, e a terra se beneficia, nutrida pela chuva.
[img04] TRAÇO DE ARQUITETO
Cruzetas antigas vestem as paredes deste estúdio. Mas Arthur Casas não se contentou com as peças comumente vendidas no mercado. Garimpou bastante até reunir exemplares de coloração parecida, como amendoim, angelim, perobinha e angico. Em seguida, todas foram descoloridas e protegidas com Neutrol. A harmonia de tonalidades ganhou reforço com a colocação das cruzetas, que mescla painéis horizontais e verticais. Como depois da mostra tudo será reaproveitado, as peças foram grampeadas com minúsculos pinos em compensados pregados na parede. "Na retirada, é só remover os pininhos", diz Carlos Rodrigues, da Pica-Pau Marcenaria, responsável pelo trabalho.
Dica de sustentabilidade: valorizar nossas raízes é atitude ecológica. Arthur priorizou o artesanato nordestino e deu visibilidade à foto do índio.
[img05] RESGATES PRECIOSOS
Os 80 m² pareciam pequenos para o loft idealizado. Porém, não tendo como aumentar a área, o arquiteto Toninho Noronha apostou em artifícios para reverter a situação. Assim, com a assessoria da Lavoro e Arte, garimpou em casas demolidas tábuas de canela para revestir as paredes. "Com elas, criei painéis afastados 40 cm do forro e do piso. Isso dá a ilusão de um ambiente mais longo", explica. Outro achado valioso foi um antigo sofá de couro que seria jogado fora por um cliente. Toninho não permitiu: desmontou o estofado e com as partes fez dois pufes, que serviram sob medida para dividir os ambientes do loft.
Dica de sustentabilidade: toda a iluminação deste espaço é feita por lâmpadas de catodo frio. Extremamente econômicas, duram 50 mil horas, enquanto as fluorescentes têm vida útil de cerca de 10 mil horas, e as incandescentes, de apenas 2 mil.
[img06] ETERNA ELEGÂNCIA
Para o designer de interiores Fernando Piva, os anos 1940 foram os mais férteis em mobiliário sóbrio e sofisticado. "As linhas retas, os tons monocromáticos e os materiais naturais daquela época são muito chiques. Jamais sairão de moda", diz ele. A proposta clássica deste ambiente reflete sua admiração pelo estilo. Apesar de contemporâneas, as peças são fiéis ao design discreto que tanto caracteriza a década da elegância. Priorizar o móvel nacional foi a atitude ecológica de Piva. "Nossos produtos são excelentes tanto no desenho como na qualidade. Não ficamos devendo nada aos europeus", argumenta.
[img07] DESIGN IRRESISTÍVEL
Cercada por jardins, a casa construída pela arquiteta Débora Aguiar usa e abusa do vidro. "Todas as paredes externas são transparentes. Isso trouxe leveza ao projeto e aproximou os interiores à natureza", diz. A ideia tem ainda como atrativo a captação da luz natural. Filtrada pelas plantas, a luminosidade confere uma atmosfera suave aos ambientes, realçando o desenho do mobiliário escolhido. Entre as peças, um par de espreguiçadeiras de balanço de Oscar Niemeyer protagoniza o home office. Produzido em 1977, com madeira vergada na estrutura e palhinha no assento, o móvel perpetua o talento do mestre.
MIX RETRÔ
"A proposta foi provar que reunir gerações diferentes num mesmo espaço sempre dá bossa. É só saber dosar", fala o arquiteto Antonio Ferreira Jr., explicando seu projeto assinado com o sócio, Mario Celso Bernardes. Acolhidos por paredes de verde intenso, o móvel, com portas e gavetas revestidas de pergaminho, data de 1950, já a poltrona é um clássico de 1965, assinada por Sergio Rodrigues. "Usamos uma reedição, autorizada pelo autor, feita de madeira de reflorestamento. A original levava madeira de lei, inconcebível nos dias atuais", diz Ferreira Jr. Uma composição de xilogravuras geométricas de Odetto Guersoni arremata o conjunto.
Dica de sustentabilidade: tacões de perobinha-do-campo de reflorestamento formam o piso em forma de espinha de peixe. O produto (Indusparquet) já vem com verniz à base de água e, para instalar, basta colar as peças no contrapiso.