A UNIÃO FAZ A FORÇA
Ecovilas: um encontro pela sustentabilidade
Na Nazaré Uniluz, no interior de São Paulo - cerca de 80 representantes de comunidades e iniciativas pela sustentabilidade se reuniu durante quatro dias para partilharar experiências, discutir desafios e pensar o futuro do planeta
Giuliana Capello
Planeta Sustentável - 30/04/2009
Entre os dias 9 e 12 de abril, a Uniluz - Nazaré Universidade da Luz, uma das mais antigas comunidades intencionais do país, sediada em Nazaré Paulista, interior de São Paulo, organizou o “II Encontro com Ecovilas e Iniciativas pela Sustentabilidade”, com o apoio do curso Gaia Education e em parceria com a Ecovila Terra Una e as empresas Ecotoré e Nexo Cultural. Lá, cerca de 80 representantes de ecovilas e projetos relacionados ao tema do país trocaram experiências, discutiram os principais desafios comuns a essas comunidades e refletiram sobre formas de articulação efetiva.
Diferentemente do I Encontro de Ecovilas, realizado em 2008, o evento deste ano não se concentrou em palestras de fundadores e líderes de ecovilas e comunidades sustentáveis. “Neste ano, inovamos no formato”, explica Larissa Lamas de Oliveira, da comissão organizadora do evento. “A ideia foi trazer relatos dos participantes de forma horizontal, sem divisão entre palestrantes e público. Todos tiveram oportunidade para compartilhar experiências, em círculos”.
No primeiro dia, houve espaço para a apresentação dos participantes e de suas comunidades e iniciativas. Depois, para aprofundar as discussões, os coordenadores organizaram atividades em grupos menores para facilitar e aprofundar as discussões, usando metodologias difundidas entre as ecovilas, como o World Café, o Open Space e o Aquário.
Veteranos da vida comunitária e iniciantes curiosos conversaram sobre as dificuldades de formação e desenvolvimento de uma ecovila, que exige um trabalho intenso de comunicação interpessoal e de clareza no sistema de tomada de decisões. “O grupo precisa saber como lidar com os conflitos, já que eles são inevitáveis. É preciso aprender a decidir coletivamente, em consenso ou por maioria, por exemplo”, disse Marcelo Bueno, coordenador do IPEMA em Ubatuba-SP, numa das rodas de diálogo.
A educação foi outro tema abordado em vários momentos do encontro. Como educar as crianças em uma ecovila? Criar uma escola alternativa dentro da comunidade ou levar as crianças e jovens para estudar fora dos limites da ecovila? Vários educadores discutiram a questão e Oberom Corrêa da Silva, 24 anos, nascido na comunidade mineira Aham Prema, compartilhou sua experiência de frequentar uma escola estadual dentro da ecovila.
Mas o tema mais presente no encontro foi a sustentabilidade econômica das ecovilas, considerada seu “calcanhar-de-Aquiles”. “O grande desafio está em conquistar sustentabilidade financeira para as iniciativas, sem depender exclusivamente do patrocínio de projetos temporários”, afirmou Luciana Kalil, do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (IPEC).
A autossuficiência alimentar, autossustentabilidade versus desenvolvimento biorregional e a formação de uma rede de ecovilas para promover o intercâmbio de experiências também permearam as reflexões do grupo. “Hoje não se fala mais em autossustentabilidade da ecovila porque isso remete a uma ideia de isolamento e não é esse o objetivo das ecovilas que, de maneira geral, buscam uma interação com o entorno, que possa envolver trocas de produtos, serviços e saberes, benéficas para todos”, defendeu Marina Dain, da Ecovila Terra Una.
O evento contou, ainda, com a apresentação do grupo musical Novos Gaianos, que conduziu um sarau, rodas de danças circulares e exibição de vídeos de ecovilas e projetos urbanos de sustentabilidade. “Foi, sem dúvida, um encontro inovador porque expandiu as discussões para além das fronteiras das ecovilas. Ao incluir a participação de pessoas que não fazem parte de nenhuma comunidade sustentável, o tema pôde inspirar novas formações de comunidades e iniciativas, inclusive de políticas públicas”, avaliou May East, integrante da Global Ecovillage Network – GEN, que participou do encerramento do evento.
ECOVILAS NO BRASIL
Reunir ecovilas brasileiras não é uma tarefa simples. Primeiro, porque não há um levantamento completo e difundido sobre o número dessas comunidades, embora se estime que existam mais de 100 experiências do gênero no Brasil. Segundo, porque muitas comunidades ficam em regiões mais isoladas do país, não fazem questão de serem conhecidas ou, apesar de desenvolver conceitos e práticas sustentáveis, não se intitulam como ecovilas. Por isso, para os organizadores, eventos como este são de extrema importância para o fortalecimento dessas comunidades.
Entre os presentes estavam integrantes das ecovilas Terra Una (MG), Aham Prema (MG), Clareando (SP), Nazaré Uniluz (SP), Piracanga (BA), Morada da Floresta (SP), Aldeia Arawikay (SC) e Aldeia Moarandu (SP), além de representantes do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado - IPEC (GO), Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica - IPEMA (SP), Centro de Estudos em Permacultura - CEP (MG), Universidade Aberta de Meio Ambiente e Cultura de PAZ – UMAPAZ (SP), Projeto Ecobairro (SP), Gaia Education (SP), Minha Rua, Minha Casa (SP) e Puravida (BA).
A VETERANA UNILUZ
A Nazaré Uniluz existe há 25 anos como uma escola de meditação e vivências para o autoconhecimento. A entidade foi fundada nos anos 80, inspirada na trajetória da ecovila escocesa Findhorn, considerada modelo de comunidade sustentável no mundo inteiro.
O primeiro evento brasileiro de ecovilas foi realizado em 2003, na Nazaré Uniluz, quando May East, do GEN, coordenou o primeiro curso de formação em ecovilas. Depois, em 2008, a universidade organizou o “I Encontro de Ecovilas”, reafirmando a vocação de congregar lideranças e iniciativas ligadas ao tema.
Nos últimos anos, a Nazaré Uniluz tem se empenhado na discussão e no planejamento da sustentabilidade e atualmente trabalha para se tornar referência para outras comunidades brasileiras.
Entre os dias 9 e 12 de abril, a Uniluz - Nazaré Universidade da Luz, uma das mais antigas comunidades intencionais do país, sediada em Nazaré Paulista, interior de São Paulo, organizou o “II Encontro com Ecovilas e Iniciativas pela Sustentabilidade”, com o apoio do curso Gaia Education e em parceria com a Ecovila Terra Una e as empresas Ecotoré e Nexo Cultural. Lá, cerca de 80 representantes de ecovilas e projetos relacionados ao tema do país trocaram experiências, discutiram os principais desafios comuns a essas comunidades e refletiram sobre formas de articulação efetiva.
Diferentemente do I Encontro de Ecovilas, realizado em 2008, o evento deste ano não se concentrou em palestras de fundadores e líderes de ecovilas e comunidades sustentáveis. “Neste ano, inovamos no formato”, explica Larissa Lamas de Oliveira, da comissão organizadora do evento. “A ideia foi trazer relatos dos participantes de forma horizontal, sem divisão entre palestrantes e público. Todos tiveram oportunidade para compartilhar experiências, em círculos”.
No primeiro dia, houve espaço para a apresentação dos participantes e de suas comunidades e iniciativas. Depois, para aprofundar as discussões, os coordenadores organizaram atividades em grupos menores para facilitar e aprofundar as discussões, usando metodologias difundidas entre as ecovilas, como o World Café, o Open Space e o Aquário.
Veteranos da vida comunitária e iniciantes curiosos conversaram sobre as dificuldades de formação e desenvolvimento de uma ecovila, que exige um trabalho intenso de comunicação interpessoal e de clareza no sistema de tomada de decisões. “O grupo precisa saber como lidar com os conflitos, já que eles são inevitáveis. É preciso aprender a decidir coletivamente, em consenso ou por maioria, por exemplo”, disse Marcelo Bueno, coordenador do IPEMA em Ubatuba-SP, numa das rodas de diálogo.
A educação foi outro tema abordado em vários momentos do encontro. Como educar as crianças em uma ecovila? Criar uma escola alternativa dentro da comunidade ou levar as crianças e jovens para estudar fora dos limites da ecovila? Vários educadores discutiram a questão e Oberom Corrêa da Silva, 24 anos, nascido na comunidade mineira Aham Prema, compartilhou sua experiência de frequentar uma escola estadual dentro da ecovila.
Mas o tema mais presente no encontro foi a sustentabilidade econômica das ecovilas, considerada seu “calcanhar-de-Aquiles”. “O grande desafio está em conquistar sustentabilidade financeira para as iniciativas, sem depender exclusivamente do patrocínio de projetos temporários”, afirmou Luciana Kalil, do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (IPEC).
A autossuficiência alimentar, autossustentabilidade versus desenvolvimento biorregional e a formação de uma rede de ecovilas para promover o intercâmbio de experiências também permearam as reflexões do grupo. “Hoje não se fala mais em autossustentabilidade da ecovila porque isso remete a uma ideia de isolamento e não é esse o objetivo das ecovilas que, de maneira geral, buscam uma interação com o entorno, que possa envolver trocas de produtos, serviços e saberes, benéficas para todos”, defendeu Marina Dain, da Ecovila Terra Una.
O evento contou, ainda, com a apresentação do grupo musical Novos Gaianos, que conduziu um sarau, rodas de danças circulares e exibição de vídeos de ecovilas e projetos urbanos de sustentabilidade. “Foi, sem dúvida, um encontro inovador porque expandiu as discussões para além das fronteiras das ecovilas. Ao incluir a participação de pessoas que não fazem parte de nenhuma comunidade sustentável, o tema pôde inspirar novas formações de comunidades e iniciativas, inclusive de políticas públicas”, avaliou May East, integrante da Global Ecovillage Network – GEN, que participou do encerramento do evento.
ECOVILAS NO BRASIL
Reunir ecovilas brasileiras não é uma tarefa simples. Primeiro, porque não há um levantamento completo e difundido sobre o número dessas comunidades, embora se estime que existam mais de 100 experiências do gênero no Brasil. Segundo, porque muitas comunidades ficam em regiões mais isoladas do país, não fazem questão de serem conhecidas ou, apesar de desenvolver conceitos e práticas sustentáveis, não se intitulam como ecovilas. Por isso, para os organizadores, eventos como este são de extrema importância para o fortalecimento dessas comunidades.
Entre os presentes estavam integrantes das ecovilas Terra Una (MG), Aham Prema (MG), Clareando (SP), Nazaré Uniluz (SP), Piracanga (BA), Morada da Floresta (SP), Aldeia Arawikay (SC) e Aldeia Moarandu (SP), além de representantes do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado - IPEC (GO), Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica - IPEMA (SP), Centro de Estudos em Permacultura - CEP (MG), Universidade Aberta de Meio Ambiente e Cultura de PAZ – UMAPAZ (SP), Projeto Ecobairro (SP), Gaia Education (SP), Minha Rua, Minha Casa (SP) e Puravida (BA).
A VETERANA UNILUZ
A Nazaré Uniluz existe há 25 anos como uma escola de meditação e vivências para o autoconhecimento. A entidade foi fundada nos anos 80, inspirada na trajetória da ecovila escocesa Findhorn, considerada modelo de comunidade sustentável no mundo inteiro.
O primeiro evento brasileiro de ecovilas foi realizado em 2003, na Nazaré Uniluz, quando May East, do GEN, coordenou o primeiro curso de formação em ecovilas. Depois, em 2008, a universidade organizou o “I Encontro de Ecovilas”, reafirmando a vocação de congregar lideranças e iniciativas ligadas ao tema.
Nos últimos anos, a Nazaré Uniluz tem se empenhado na discussão e no planejamento da sustentabilidade e atualmente trabalha para se tornar referência para outras comunidades brasileiras.