exemplo
Construção verde: um sonho possível
Reduzir o impacto ambiental da própria casa é uma ideia que vem ganhando adeptos. Veja dois exemplos bem-sucedidos: um refúgio rural no sul de Minas Gerais e uma casa em São Paulo
Cristina, Danilo, Eliana, Luciana e Valentina *
Especial Casa Sustentável* – 08/2009
*Revistas Casa Claudia e Arquitetura e Construção
CAPTAÇÃO DE ENERGIA NO CAMPO
Em vez de conectar-se à rede elétrica existente, distante 4 km de seu terreno, o engenheiro Tércio Pacitti aproveita o vento para gerar eletricidade em sua casa de campo, em Ouro Fino, no sul de Minas Gerais. O Sol também contribui para a causa. No lote de 22 mil mts, a 1 400 m de altitude, é possível captar até sete horas de radiação solar por dia. “A produção de energia não é constante, varia de acordo com as condições climáticas. Por isso optei pelo sistema híbrido. No verão há mais horas de sol e menos de vento, enquanto no inverno acontece o contrário.
Assim, as duas fontes se complementam”, diz o engenheiro. Preocupado em respeitar o meio ambiente, ele não se importou em encarecer seu orçamento inicial em 30% para instalar duas turbinas eólicas e dez placas fotovoltaicas.
Juntas, elas têm potencial para produzir em média 600 kwh (quilowatt-hora) por mês. É mais do que suficiente: uma família de quatro pessoas consome de 200 a 300 kwh morando no imóvel. Desde que construiu a casa, há dez anos, ele garante que nunca ficou no escuro. “Quando chove, a região fica sem luz, enquanto aqui nunca falta.” Mesmo assim, a família se empenha em economizar: prefere lâmpadas de baixo consumo (24 w) e cuida para não esquecer as luzes acesas.
Energia eólica e energia fotovoltáica
COMO FUNCIONA
Eletricidade fornecida pelo vento: Ela é produzida pela rotação das pás da turbina eólica. Para gerar luz, o vento deve ter uma velocidade minima de 4 m por segundo. “Isso acontece mais facilmente na costa do Ceará, no interior baiano, em alguns lugares de Minas Gerais e no litoral catarinense e gaúcho”, explica Júlio Passos, doutor em engenharia térmica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Energia vinda do Sol: Placas de células de silício – também conhecidas como placas fotovoltaicas – transformam a luz do Sol em energia elétrica, que fica armazenada em baterias. Um inversor converte a energia de corrente contínua para corrente alternada,adequada para eletrodomésticos. Numa casa, o alto investimento inicial demora a se pagar. “O valor equivale a todas as contas de luz durante 30 anos”, compara o engenheiro Ricardo Rüther, professor da UFSC. “Só vale a pena quando for preciso puxar a rede elétrica de um poste a cerca de 3 km de distância”, avalia.
Descubra o potencial eólico de sua região
Atlas do Potencial Eólico Brasileiro e Potencial Energético Solar - Laboratório Solar da Universidade Federal de Santa Catarina -
COLETA DE ÁGUA DA CHUVA NA CIDADE
Essa é uma das várias soluções adotadas na casa da arquiteta paulistana Consuelo Jorge e do marido, o engenheiro Sergio Cordeiro. Entusiasta da união de ecologia e tecnologia, ele frequenta feiras no exterior, adapta equipamentos náuticos para uso doméstico e desenvolve sozinho o que não encontra pronto no mercado. “Tem que ser idealista e um pouco inventor”, afirma.
A água da chuva coletada no telhado irriga o jardim e abastece as torneiras externas. Um sistema de reúso reduz ainda mais o consumo. “Com isso deixamos de gastar R$ 100 por mês na conta de água. Em seis anos, essa economia já amortizou o custo de instalação”, calcula. Embora a casa já contasse com sistema de aquecimento solar, Sergio queria aproveitar mais essa fonte de energia. Por isso, investiu numa bomba elétrica movida a energia solar, captada por uma placa fotovoltaica no telhado. “Na época, em 2003, paguei R$ 1 800.
Foi uma escolha ideológica, pois o sistema ainda não gerou eletricidade suficiente para compensar esse valor”, explica. Como os três tipos de água que abastecem a moradia (da chuva, de reúso e a proveniente da empresa de abastecimento) não podem se misturar, há a necessidade de tubulações e caixas extras, o que encarece o projeto. “O custo é alto, mas estamos ajudando a preservar um recurso natural e a diminuir as enchentes”, diz.
Veja as soluções adotadas numa casa da cidade
COMO FUNCIONA
[img2]Ar-condicionado ecológico: O projeto arquitetônico previa uma cascata decorativa feita de chapas de aço corten. “Vou tirar partido dela”, pensou Sergio durante a obra. Conhecendo o funcionamento dos climatizadores evaporativos de uso industrial – que diminuem a temperatura do ambiente em até 5 ºC por meio da evaporação de água –, resolveu adotar o mesmo princípio em casa. Ao passar através da cascata, o ar torna-se mais fresco e úmido, e é então soprado no interior da sala por meio de uma grelha embutida no piso. “Parece uma brisa de cachoeira”, compara Consuelo. O sistema utiliza água da chuva, filtrada e clorada.
[img3]Captação de chuva: “Conheci o método numa feira na Alemanha e adaptei para a nossa realidade”, afirma Sergio. Enquanto lá fora a questão é impedir a entrada de folhas, que levam à proliferação de bactérias e fungos (o que se resolve com um filtro), aqui a dificuldade consiste em evitar que a água poluída da primeira chuva após um longo período de estiagem alcance a cisterna. Para isso, o engenheiro bolou uma caixa de descarte da primeira chuva. Quando ela enche, um sistema de boias criado por ele com garrafas pet fecha a passagem. Só então a coleta na cisterna se inicia.
Deu certo: uma análise encomendada por ele ao Instituto Adolfo Lutz atesta que a água é saudável para consumo doméstico não humano.
Reúso: A água que escoa de chuveiros, lavatórios, máquina de lavar e tanque passa por dois filtros e vai para um reservatório sob o deck, onde é clorada e bombeada até uma segunda caixa localizada no telhado. Depois de um tratamento químico, está pronta para abastecer as descargas.
Quem oferece:
EÓLICA E SOLAR:
- Altercoop
- Energia Pura
- Unicoba
FOTOVOLTAICA:
- Solar Brasil
EÓLICA:
- Enersud
ÁGUA DA CHUVA E REÚSO:
- Acquabrasilis
- Cirra
- Perenne
* Cristina Bava, Danilo Costa, Eliana Medina, Luciana Benatti e Valentina Figuerola
*Revistas Casa Claudia e Arquitetura e Construção
CAPTAÇÃO DE ENERGIA NO CAMPO
Em vez de conectar-se à rede elétrica existente, distante 4 km de seu terreno, o engenheiro Tércio Pacitti aproveita o vento para gerar eletricidade em sua casa de campo, em Ouro Fino, no sul de Minas Gerais. O Sol também contribui para a causa. No lote de 22 mil mts, a 1 400 m de altitude, é possível captar até sete horas de radiação solar por dia. “A produção de energia não é constante, varia de acordo com as condições climáticas. Por isso optei pelo sistema híbrido. No verão há mais horas de sol e menos de vento, enquanto no inverno acontece o contrário.
Assim, as duas fontes se complementam”, diz o engenheiro. Preocupado em respeitar o meio ambiente, ele não se importou em encarecer seu orçamento inicial em 30% para instalar duas turbinas eólicas e dez placas fotovoltaicas.
Juntas, elas têm potencial para produzir em média 600 kwh (quilowatt-hora) por mês. É mais do que suficiente: uma família de quatro pessoas consome de 200 a 300 kwh morando no imóvel. Desde que construiu a casa, há dez anos, ele garante que nunca ficou no escuro. “Quando chove, a região fica sem luz, enquanto aqui nunca falta.” Mesmo assim, a família se empenha em economizar: prefere lâmpadas de baixo consumo (24 w) e cuida para não esquecer as luzes acesas.
Energia eólica e energia fotovoltáica
COMO FUNCIONA
Eletricidade fornecida pelo vento: Ela é produzida pela rotação das pás da turbina eólica. Para gerar luz, o vento deve ter uma velocidade minima de 4 m por segundo. “Isso acontece mais facilmente na costa do Ceará, no interior baiano, em alguns lugares de Minas Gerais e no litoral catarinense e gaúcho”, explica Júlio Passos, doutor em engenharia térmica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Energia vinda do Sol: Placas de células de silício – também conhecidas como placas fotovoltaicas – transformam a luz do Sol em energia elétrica, que fica armazenada em baterias. Um inversor converte a energia de corrente contínua para corrente alternada,adequada para eletrodomésticos. Numa casa, o alto investimento inicial demora a se pagar. “O valor equivale a todas as contas de luz durante 30 anos”, compara o engenheiro Ricardo Rüther, professor da UFSC. “Só vale a pena quando for preciso puxar a rede elétrica de um poste a cerca de 3 km de distância”, avalia.
Descubra o potencial eólico de sua região
Atlas do Potencial Eólico Brasileiro e Potencial Energético Solar - Laboratório Solar da Universidade Federal de Santa Catarina -
COLETA DE ÁGUA DA CHUVA NA CIDADE
Essa é uma das várias soluções adotadas na casa da arquiteta paulistana Consuelo Jorge e do marido, o engenheiro Sergio Cordeiro. Entusiasta da união de ecologia e tecnologia, ele frequenta feiras no exterior, adapta equipamentos náuticos para uso doméstico e desenvolve sozinho o que não encontra pronto no mercado. “Tem que ser idealista e um pouco inventor”, afirma.
A água da chuva coletada no telhado irriga o jardim e abastece as torneiras externas. Um sistema de reúso reduz ainda mais o consumo. “Com isso deixamos de gastar R$ 100 por mês na conta de água. Em seis anos, essa economia já amortizou o custo de instalação”, calcula. Embora a casa já contasse com sistema de aquecimento solar, Sergio queria aproveitar mais essa fonte de energia. Por isso, investiu numa bomba elétrica movida a energia solar, captada por uma placa fotovoltaica no telhado. “Na época, em 2003, paguei R$ 1 800.
Foi uma escolha ideológica, pois o sistema ainda não gerou eletricidade suficiente para compensar esse valor”, explica. Como os três tipos de água que abastecem a moradia (da chuva, de reúso e a proveniente da empresa de abastecimento) não podem se misturar, há a necessidade de tubulações e caixas extras, o que encarece o projeto. “O custo é alto, mas estamos ajudando a preservar um recurso natural e a diminuir as enchentes”, diz.
Veja as soluções adotadas numa casa da cidade
COMO FUNCIONA
[img2]Ar-condicionado ecológico: O projeto arquitetônico previa uma cascata decorativa feita de chapas de aço corten. “Vou tirar partido dela”, pensou Sergio durante a obra. Conhecendo o funcionamento dos climatizadores evaporativos de uso industrial – que diminuem a temperatura do ambiente em até 5 ºC por meio da evaporação de água –, resolveu adotar o mesmo princípio em casa. Ao passar através da cascata, o ar torna-se mais fresco e úmido, e é então soprado no interior da sala por meio de uma grelha embutida no piso. “Parece uma brisa de cachoeira”, compara Consuelo. O sistema utiliza água da chuva, filtrada e clorada.
[img3]Captação de chuva: “Conheci o método numa feira na Alemanha e adaptei para a nossa realidade”, afirma Sergio. Enquanto lá fora a questão é impedir a entrada de folhas, que levam à proliferação de bactérias e fungos (o que se resolve com um filtro), aqui a dificuldade consiste em evitar que a água poluída da primeira chuva após um longo período de estiagem alcance a cisterna. Para isso, o engenheiro bolou uma caixa de descarte da primeira chuva. Quando ela enche, um sistema de boias criado por ele com garrafas pet fecha a passagem. Só então a coleta na cisterna se inicia.
Deu certo: uma análise encomendada por ele ao Instituto Adolfo Lutz atesta que a água é saudável para consumo doméstico não humano.
Reúso: A água que escoa de chuveiros, lavatórios, máquina de lavar e tanque passa por dois filtros e vai para um reservatório sob o deck, onde é clorada e bombeada até uma segunda caixa localizada no telhado. Depois de um tratamento químico, está pronta para abastecer as descargas.
Quem oferece:
EÓLICA E SOLAR:
- Altercoop
- Energia Pura
- Unicoba
FOTOVOLTAICA:
- Solar Brasil
EÓLICA:
- Enersud
ÁGUA DA CHUVA E REÚSO:
- Acquabrasilis
- Cirra
- Perenne
* Cristina Bava, Danilo Costa, Eliana Medina, Luciana Benatti e Valentina Figuerola