Suzana Camargo – Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável – 11/05/2009
A herdeira do sobrenome Cousteau continua a obra do avô e do pai. Produtora e apresentadora de documentários, fotógrafa, palestrante e ambientalista, Céline Cousteau apóia programas de preservação do meio ambiente e culturas locais no mundo todo, inclusive um no Brasil. O Projeto Vale do Javari, no norte do país, quer melhorar o acesso médico às comunidades indígenas da região.
Aos 35 anos, Céline mora nos Estados Unidos, mas passa metade do ano viajando, seja em suas expedições marítimas ou como “o rosto e voz” da linha “Advanced Marine Biology”, da marca de cosméticos suíça La Prairie. Trabalha, ainda, como Embaixadora da Campanha Clean Up the World.
Entre uma viagem e outra, a caçula dos Cousteau concedeu entrevista exclusiva ao Planeta Sustentável, durante a qual falou sobre a família famosa e engajada, seus projetos profissionais e a paixão pela região amazônica.
Você tinha nove anos quando esteve na Amazônia pela primeira vez, a bordo do navio Calypso, com seu avô. Que lembranças você tem daquela viagem?
Para uma criança de nove anos, a maior parte das lembranças é visual, como fotografias. Eu fiquei a bordo do Calypso durante duas semanas, no rio Amazonas. Para mim, aquele era um grande mar verde cercado pela floresta. A equipe do barco era uma família para mim, então todos tinham um cuidado especial comigo. Lembro de ter passeado numa canoa para pegar algumas piranhas para pesquisas. Também vi sapos e borboletas (Céline ainda lembra o nome borboletas em português).
Você teve contato com a população local naquela época?
Tive uma experiência fantástica. Havia um vendedor de bananas no rio e decidimos ir até a casa dele para conhecer o local. Fiquei impressionada em ver como uma família podia viver com tão pouco. Era um telhado, um chão de madeira, as crianças correndo em volta da casa... A esposa estava cozinhando mandioca numa panela: a comida era pouca, mas ela - obviamente - nos ofereceu. Muitos anos depois voltei a comer mandioca e, no mesmo momento, todas aquelas imagens da Amazônia voltaram à minha mente.
Que mudanças você notou na Amazônia quando voltou à região para uma expedição, em 2006?
Quando você navega ao longo do Amazonas, vê vilarejos e pessoas em todos os lugares. Mas o que mais me chocou foi o desmatamento da floresta, a quantidade de árvores derrubadas. E um dos maiores problemas é que os moradores da região são os mais afetados, já que tiram a sobrevivência da natureza; seja pescando, caçando, produzindo ervas e medicamentos naturais. Muitas pessoas acreditam que a Amazônia pertence ao mundo, já que é um gigante produtor de oxigênio para o planeta. Mas são as pessoas que vivem lá que sofrem diariamente com o desmatamento e vêem de perto o impacto da chegada de novas indústrias à região. Quando falamos sobre derrubada de árvores e aquecimento global, precisamos parar para pensar que há indivíduos reais sendo afetados por tudo isso.
Como você chegou à Reserva Indígena do Vale do Javari, na fronteira entre Brasil e Peru?
Nós queríamos voltar a lugares que meu avô e a equipe dele estiveram há mais de 25 anos. Nosso objetivo era reencontrar algumas comunidades indígenas, como os Matis, que ele visitou, e ver como elas estavam. Para chegar lá, entrei em contato com a FUNAI - Fundação Nacional do Índio e o Conselho Indígena do Vale do Javari, que fica em Atalaia do Norte. Tivemos que pedir permissão para entrar na reserva e poder filmar. Quando chegamos lá, estava sendo realizada a XI Conferência Anual dos Líderes do Vale do Javari. Era um encontro de seis diferentes tribos para discutir problemas sobre o meio ambiente, educação, saúde e fiscalização.
Quais são os problemas de saúde enfrentados pelos índios?
80% da população indígena tem alguma forma de hepatite. Isso significa que quatro, de cada cinco pessoas, tem a qualidade de vida seriamente afetada. Em 2006, houve quase três mil casos de malária nas comunidades.
Qual é o seu envolvimento com o Projeto do Vale do Javari?
Eu consegui que uma equipe de médicos fosse até a região e que uma organização americana mandasse medicamentos para lá. Infelizmente, tudo tem que ser feito através da Funai e da Funasa - Fundação Nacional de Saúde, o que torna o processo longo e complicado.
Fica mais difícil ajudar quando se é um estrangeiro?
Sem dúvida, você sempre é visto como um outsider. É necessário conhecer alguém que more no Brasil para fazer esse contato mais facilmente e que possa se dedicar inteiramente a esse projeto para resolver o problema na região. Acho natural que o governo brasileiro prefira profissionais locais, mas então que isso seja feito. Ainda há uma necessidade gigantesca de auxílio médico no Vale do Javari e eu não vejo isso sendo feito, sinceramente.
Você continua engajada nessa luta?
Sempre falo sobre o assunto nas minhas palestras sobre a Amazônia. No Peru, conseguimos ter sucesso num projeto semelhante porque contamos com a ajuda de uma organização não-governamental voluntária de Iquitos, que leva assistência médica tanto para as populações indígenas como para os mestiças em áreas remotas da Amazônia Peruana. Agora, estou fazendo um filme sobre isso, mostrando o sucesso desse projeto, através do qual as comunidades continuam recebendo auxílio médico.
Por que deu certo no Peru e no Brasil ainda não?
É mais fácil trabalhar com o governo do Peru, há menos burocracia e, assim, o trabalho de pequenas Ongs se torna mais eficiente. Isso não significa que não é fundamental haver leis e fiscalização governamental, mas me parece que no Peru a burocracia é muito menor.
Por que a preservação da cultura indígena é tão importante?
Os índios tem vivido em harmonia com o meio ambiente por muito mais tempo que os ocidentais e tem uma compreensão melhor de como conviver com a natureza. Para mim, eles são essenciais para podermos aprender a fazer o mesmo. Os índios tem um conhecimento incrível sobre o uso das plantas. Se nós continuarmos desmatando a floresta e deixarmos de ajudar os indígenas a viver do jeito que sempre viveram, nós não estaremos somente perdendo pessoas, mas também recursos, sabedoria e conhecimentos. Eles são os guardiões da Amazônia.
Os índios podem se beneficiar dos avanços da nossa sociedade sem perder o legado cultural dos antepassados?
Acredito que sim. Conheci um índio no Peru, Ramon, que vive entre esses dois mundos. Ele continua ensinando as pessoas da tribo a usar plantas medicinais, mas também faz uso de medicamentos alopáticos modernos. Ramon ensina a língua dos antepassados aos mais novos, já que muito da cultura indígena é oral. Se os mais velhos não repassarem os conhecimentos aos jovens, ela acabará se perdendo definitivamente.
Quando você começou a viajar em expedições para realizar documentários e fotografar o meio ambiente e diferentes culturas?
Em 2003 eu decidi me juntar à expedição da OFT - Ocean Futures Society (organização não-governamental comandada pelo pai, Jean-Michel Cousteau, que esteve no Brasil em 2008) para acompanhar a migração das baleias cinzas da Califórnia até o Alaska. Eu queria ver mais de perto como era a produção da série de documentários que a OFT estava gravando para o canal PBS nos Estados Unidos e que seria transmitida mundialmente pela National Geographic International. Foi lá, quando eu estava no Alaska, que me dei conta que era aquilo que eu queria continuar fazendo na minha vida. Ficou muito claro, para mim, que esse era meu objetivo, capturar imagens e histórias de pessoas e animais em seus ambientes e repassar isso adiante. Eu queria ser uma contadora de histórias.
O que você estava fazendo profissionalmente antes dessa experiência?
Eu tinha me formado em psicologia e me especializado em Relações Interculturais. Sempre fui interessada pelo ser humano e, agora, consigo aliar o aspecto humano ao meio ambiente e contar histórias sobre essa interação.
“Nós não herdamos o planeta dos nossos pais,
nós o emprestamos das nossas crianças”
Você já esteve em expedições de pesquisa sobre os tubarões na Grande Barreira de Corais, na Austrália, com os indígenas na Amazônia, em Parques Marinhos nos Estados Unidos e muitas outras. Que tipo de trabalho é produzido nesses locais?
Eu já produzi documentários, fiz pesquisas, sou apresentadora das séries e também fotografo. Agora estou criando minha própria produtora de filmes e buscando novos formatos, que atraiam mais a atenção do público, como minidocumentários, divididos em capítulos independentes, que poderão ser vistos tanto em televisão quanto pela internet.
Já há planos para as próximas expedições?
Estamos fazendo pesquisas sobre Bornéu (Ásia), África e Índia. Em todos esses lugares procuramos encontrar alguma Ong que esteja envolvida - de maneira bem-sucedida - com algum projeto ambiental. Queremos ressaltar o trabalho dessas organizações e mostrar como um problema pode ser bem resolvido.
Qual o seu papel como Embaixadora da Campanha Clean Up the World?
Eu participo de eventos e atividades que estimulam comunidades a preservar o meio ambiente, seja através de iniciativas simples como a reciclagem de lixo, plantio de árvores ou até projetos de preservação de energia e água. Clean Up the World mobiliza anualmente cerca de 35 milhões de voluntários em 100 países.
Como é a sua parceria com a marca de cosméticos La Prairie?
Apóio as iniciativas empregadas pela empresa, como o uso de embalagens recicladas e a tecnologia inovadora da linha “Advanced Marine Biology”. Esses produtos utilizam ingredientes desenvolvidos através de aguacultura, uma tecnologia em que plantas marinhas são cultivadas no solo sem prejudicar o ecossistema marinho. Para cada produto da linha vendido, La Prairie doa um euro para a Ocean Futures Society.
Em algum momento da sua vida foi difícil carregar o sobrenome Cousteau?
Não, em momento nenhum. Nunca houve nenhum tipo de pressão ou expectativa da minha família para que eu trabalhasse na mesma área. Mas a ligação com o meio ambiente sempre esteve na minha vida. Minha mãe trabalhou como fotógrafa em expedições durante 13 anos e, quando voltava delas, me contava o que tinha visto. Eu sempre tive esse sentimento de que fazia parte de um mundo muito maior e, por isso, nunca deixei de ter essa consciência sobre o meio ambiente e o homem. Eu nunca poderia fazer o que faço hoje, com honestidade, caso só estivesse fazendo porque os outros esperam isso de mim. O que faço hoje é uma escolha minha.
É difícil trabalhar em família? (Céline também tem alguns projetos com o irmão, Fabien)
O melhor de trabalhar em família é que você pode dizer exatamente o que pensa e eles sempre vão te amar (risos). É uma grande oportunidade e as pessoas ao nosso redor sentem isso e ficam inspiradas ao ver que estamos continuando o trabalho que nosso avô começou.
Quais são as lembranças mais marcantes que você tem de Jacques Cousteau, como homem e como avô?
Como avô, sempre que ele estava ao meu lado, eu tinha certeza que ele estava comigo e isso era muito especial. Ele era muito alegre, animado. Já como homem, eu só fui perceber muitos anos depois, adulta, o quanto as pessoas o admiram e o respeitam. Ver a reação das pessoas foi realmente inspirador para mim.
O que você sonha para o futuro do nosso planeta e das nossas crianças?
Eu espero que as pessoas entendam que nós temos capacidade, inteligência e poder para fazer mudanças positivas. Ainda não é tarde demais. Não podemos nos deixar abater pelos grandes problemas, mas nos motivar pelas soluções que já estão sendo encontradas. Gosto sempre de citar um ditado indígena: “Nós não herdamos o planeta dos nossos pais, nós o emprestamos das nossas crianças”. Qualquer pai e mãe consegue entender plenamente o que isso quer dizer.
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Aos 35 anos, Céline mora nos Estados Unidos, mas passa metade do ano viajando, seja em suas expedições marítimas ou como “o rosto e voz” da linha “Advanced Marine Biology”, da marca de cosméticos suíça La Prairie. Trabalha, ainda, como Embaixadora da Campanha Clean Up the World.
Entre uma viagem e outra, a caçula dos Cousteau concedeu entrevista exclusiva ao Planeta Sustentável, durante a qual falou sobre a família famosa e engajada, seus projetos profissionais e a paixão pela região amazônica.
Você tinha nove anos quando esteve na Amazônia pela primeira vez, a bordo do navio Calypso, com seu avô. Que lembranças você tem daquela viagem?
Para uma criança de nove anos, a maior parte das lembranças é visual, como fotografias. Eu fiquei a bordo do Calypso durante duas semanas, no rio Amazonas. Para mim, aquele era um grande mar verde cercado pela floresta. A equipe do barco era uma família para mim, então todos tinham um cuidado especial comigo. Lembro de ter passeado numa canoa para pegar algumas piranhas para pesquisas. Também vi sapos e borboletas (Céline ainda lembra o nome borboletas em português).
Você teve contato com a população local naquela época?
Tive uma experiência fantástica. Havia um vendedor de bananas no rio e decidimos ir até a casa dele para conhecer o local. Fiquei impressionada em ver como uma família podia viver com tão pouco. Era um telhado, um chão de madeira, as crianças correndo em volta da casa... A esposa estava cozinhando mandioca numa panela: a comida era pouca, mas ela - obviamente - nos ofereceu. Muitos anos depois voltei a comer mandioca e, no mesmo momento, todas aquelas imagens da Amazônia voltaram à minha mente.
Que mudanças você notou na Amazônia quando voltou à região para uma expedição, em 2006?
Quando você navega ao longo do Amazonas, vê vilarejos e pessoas em todos os lugares. Mas o que mais me chocou foi o desmatamento da floresta, a quantidade de árvores derrubadas. E um dos maiores problemas é que os moradores da região são os mais afetados, já que tiram a sobrevivência da natureza; seja pescando, caçando, produzindo ervas e medicamentos naturais. Muitas pessoas acreditam que a Amazônia pertence ao mundo, já que é um gigante produtor de oxigênio para o planeta. Mas são as pessoas que vivem lá que sofrem diariamente com o desmatamento e vêem de perto o impacto da chegada de novas indústrias à região. Quando falamos sobre derrubada de árvores e aquecimento global, precisamos parar para pensar que há indivíduos reais sendo afetados por tudo isso.
Como você chegou à Reserva Indígena do Vale do Javari, na fronteira entre Brasil e Peru?
Nós queríamos voltar a lugares que meu avô e a equipe dele estiveram há mais de 25 anos. Nosso objetivo era reencontrar algumas comunidades indígenas, como os Matis, que ele visitou, e ver como elas estavam. Para chegar lá, entrei em contato com a FUNAI - Fundação Nacional do Índio e o Conselho Indígena do Vale do Javari, que fica em Atalaia do Norte. Tivemos que pedir permissão para entrar na reserva e poder filmar. Quando chegamos lá, estava sendo realizada a XI Conferência Anual dos Líderes do Vale do Javari. Era um encontro de seis diferentes tribos para discutir problemas sobre o meio ambiente, educação, saúde e fiscalização.
Quais são os problemas de saúde enfrentados pelos índios?
80% da população indígena tem alguma forma de hepatite. Isso significa que quatro, de cada cinco pessoas, tem a qualidade de vida seriamente afetada. Em 2006, houve quase três mil casos de malária nas comunidades.
Qual é o seu envolvimento com o Projeto do Vale do Javari?
Eu consegui que uma equipe de médicos fosse até a região e que uma organização americana mandasse medicamentos para lá. Infelizmente, tudo tem que ser feito através da Funai e da Funasa - Fundação Nacional de Saúde, o que torna o processo longo e complicado.
Fica mais difícil ajudar quando se é um estrangeiro?
Sem dúvida, você sempre é visto como um outsider. É necessário conhecer alguém que more no Brasil para fazer esse contato mais facilmente e que possa se dedicar inteiramente a esse projeto para resolver o problema na região. Acho natural que o governo brasileiro prefira profissionais locais, mas então que isso seja feito. Ainda há uma necessidade gigantesca de auxílio médico no Vale do Javari e eu não vejo isso sendo feito, sinceramente.
Você continua engajada nessa luta?
Sempre falo sobre o assunto nas minhas palestras sobre a Amazônia. No Peru, conseguimos ter sucesso num projeto semelhante porque contamos com a ajuda de uma organização não-governamental voluntária de Iquitos, que leva assistência médica tanto para as populações indígenas como para os mestiças em áreas remotas da Amazônia Peruana. Agora, estou fazendo um filme sobre isso, mostrando o sucesso desse projeto, através do qual as comunidades continuam recebendo auxílio médico.
Por que deu certo no Peru e no Brasil ainda não?
É mais fácil trabalhar com o governo do Peru, há menos burocracia e, assim, o trabalho de pequenas Ongs se torna mais eficiente. Isso não significa que não é fundamental haver leis e fiscalização governamental, mas me parece que no Peru a burocracia é muito menor.
Por que a preservação da cultura indígena é tão importante?
Os índios tem vivido em harmonia com o meio ambiente por muito mais tempo que os ocidentais e tem uma compreensão melhor de como conviver com a natureza. Para mim, eles são essenciais para podermos aprender a fazer o mesmo. Os índios tem um conhecimento incrível sobre o uso das plantas. Se nós continuarmos desmatando a floresta e deixarmos de ajudar os indígenas a viver do jeito que sempre viveram, nós não estaremos somente perdendo pessoas, mas também recursos, sabedoria e conhecimentos. Eles são os guardiões da Amazônia.
Os índios podem se beneficiar dos avanços da nossa sociedade sem perder o legado cultural dos antepassados?
Acredito que sim. Conheci um índio no Peru, Ramon, que vive entre esses dois mundos. Ele continua ensinando as pessoas da tribo a usar plantas medicinais, mas também faz uso de medicamentos alopáticos modernos. Ramon ensina a língua dos antepassados aos mais novos, já que muito da cultura indígena é oral. Se os mais velhos não repassarem os conhecimentos aos jovens, ela acabará se perdendo definitivamente.
Quando você começou a viajar em expedições para realizar documentários e fotografar o meio ambiente e diferentes culturas?
Em 2003 eu decidi me juntar à expedição da OFT - Ocean Futures Society (organização não-governamental comandada pelo pai, Jean-Michel Cousteau, que esteve no Brasil em 2008) para acompanhar a migração das baleias cinzas da Califórnia até o Alaska. Eu queria ver mais de perto como era a produção da série de documentários que a OFT estava gravando para o canal PBS nos Estados Unidos e que seria transmitida mundialmente pela National Geographic International. Foi lá, quando eu estava no Alaska, que me dei conta que era aquilo que eu queria continuar fazendo na minha vida. Ficou muito claro, para mim, que esse era meu objetivo, capturar imagens e histórias de pessoas e animais em seus ambientes e repassar isso adiante. Eu queria ser uma contadora de histórias.
O que você estava fazendo profissionalmente antes dessa experiência?
Eu tinha me formado em psicologia e me especializado em Relações Interculturais. Sempre fui interessada pelo ser humano e, agora, consigo aliar o aspecto humano ao meio ambiente e contar histórias sobre essa interação.
“Nós não herdamos o planeta dos nossos pais,
nós o emprestamos das nossas crianças”
Você já esteve em expedições de pesquisa sobre os tubarões na Grande Barreira de Corais, na Austrália, com os indígenas na Amazônia, em Parques Marinhos nos Estados Unidos e muitas outras. Que tipo de trabalho é produzido nesses locais?
Eu já produzi documentários, fiz pesquisas, sou apresentadora das séries e também fotografo. Agora estou criando minha própria produtora de filmes e buscando novos formatos, que atraiam mais a atenção do público, como minidocumentários, divididos em capítulos independentes, que poderão ser vistos tanto em televisão quanto pela internet.
Já há planos para as próximas expedições?
Estamos fazendo pesquisas sobre Bornéu (Ásia), África e Índia. Em todos esses lugares procuramos encontrar alguma Ong que esteja envolvida - de maneira bem-sucedida - com algum projeto ambiental. Queremos ressaltar o trabalho dessas organizações e mostrar como um problema pode ser bem resolvido.
Qual o seu papel como Embaixadora da Campanha Clean Up the World?
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Apóio as iniciativas empregadas pela empresa, como o uso de embalagens recicladas e a tecnologia inovadora da linha “Advanced Marine Biology”. Esses produtos utilizam ingredientes desenvolvidos através de aguacultura, uma tecnologia em que plantas marinhas são cultivadas no solo sem prejudicar o ecossistema marinho. Para cada produto da linha vendido, La Prairie doa um euro para a Ocean Futures Society.
Em algum momento da sua vida foi difícil carregar o sobrenome Cousteau?
Não, em momento nenhum. Nunca houve nenhum tipo de pressão ou expectativa da minha família para que eu trabalhasse na mesma área. Mas a ligação com o meio ambiente sempre esteve na minha vida. Minha mãe trabalhou como fotógrafa em expedições durante 13 anos e, quando voltava delas, me contava o que tinha visto. Eu sempre tive esse sentimento de que fazia parte de um mundo muito maior e, por isso, nunca deixei de ter essa consciência sobre o meio ambiente e o homem. Eu nunca poderia fazer o que faço hoje, com honestidade, caso só estivesse fazendo porque os outros esperam isso de mim. O que faço hoje é uma escolha minha.
É difícil trabalhar em família? (Céline também tem alguns projetos com o irmão, Fabien)
O melhor de trabalhar em família é que você pode dizer exatamente o que pensa e eles sempre vão te amar (risos). É uma grande oportunidade e as pessoas ao nosso redor sentem isso e ficam inspiradas ao ver que estamos continuando o trabalho que nosso avô começou.
Quais são as lembranças mais marcantes que você tem de Jacques Cousteau, como homem e como avô?
Como avô, sempre que ele estava ao meu lado, eu tinha certeza que ele estava comigo e isso era muito especial. Ele era muito alegre, animado. Já como homem, eu só fui perceber muitos anos depois, adulta, o quanto as pessoas o admiram e o respeitam. Ver a reação das pessoas foi realmente inspirador para mim.
O que você sonha para o futuro do nosso planeta e das nossas crianças?
Eu espero que as pessoas entendam que nós temos capacidade, inteligência e poder para fazer mudanças positivas. Ainda não é tarde demais. Não podemos nos deixar abater pelos grandes problemas, mas nos motivar pelas soluções que já estão sendo encontradas. Gosto sempre de citar um ditado indígena: “Nós não herdamos o planeta dos nossos pais, nós o emprestamos das nossas crianças”. Qualquer pai e mãe consegue entender plenamente o que isso quer dizer.
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