Campus Party
Respostas sobre o Campus Verde
Os campuseiros verdes levantaram diversas questões sobre a programação da área e a infra-estrutura da Bienal. Os organizadores do evento respondem às questões
Por Thiago Carrapatoso
Planeta Sustentável - 21/02/2008
A maior festa tecnológica do mundo, segundo os campuseiros verdes, deixou a desejar quando o tema era a sustentabilidade. Eles, que se organizaram durante o evento, apontaram diversas falhas nas propostas e na infra-estrutura que a Campus Party ofereceu. Falha na coleta seletiva, problemas na programação, falta de comunicação, geradores de energia que usavam diesel, entre outros, como mostrado no post do blog Planeta Conectado. Todos esses itens interferiram na área Campus Verde, que até se chegou a questionar se a cor não deveria ser cinza.
Para os organizadores do evento, a resposta recorrente é que foi a primeira edição do evento. A grande maioria dos problemas será resolvida na próxima, que já está confirmada para o ano que vem com data a definir. Mas o que houve com a primeira? Por que aconteceram tantos erros em infra-estrutura e em programação?
Marcelo Branco, diretor da Campus Party Brasil, explica: "confesso que nós não dominamos completamente essa área. Não conseguimos estender as ações na amplitude em que elas mereciam. De qualquer forma, a área foi muito positiva, pois mostrou que técnicos de informática estão preocupados com isso. Nós também estávamos preocupados com a consciência ecológica, mas não tínhamos como estender essas ações da maneira que um evento desse porte exige. Sabemos que algumas ações foram débeis e outras falhas, mas não conseguimos a tempo conversar com essa rede."
Uma rede bem articulada, como demonstram os nossos blogueiros e um grupo de discussão criado durante o evento. Foram essas pessoas, com seus conhecimentos sobre meio ambiente e sustentabilidade, que apontaram os defeitos e criaram extra-oficialmente uma área específica para o Campus Verde, que não existia até então.
Sobre isso, Juan Negrillo, vice-presidente de operações da E3-Futura e coordenador do Campus Verde da Espanha, argumenta: "Campus Verde não é uma área da Campus Party. As áreas são voltadas à tecnologia. Claro que o Campus Verde tem algo relacionado a isso, porque há ações que se podem fazer com a tecnologia em prol do meio ambiente, mas é uma atividade que vamos debater com os campuseiros para tentar chegar a um consenso. Na Espanha, a preocupação maior é com as mudanças no clima. Aqui, vimos que a preocupação é um pouco diferente. Não conhecemos muito a cultura brasileira, porém preparamos atividades, como um formulário no site com alguns compromissos para os campuseiros; uma série de palestras que aconteceu todos os dias; íamos passar alguns filmes, mas tivemos problemas por causa dos direitos autorais; os desafios que o Planeta Sustentável organizou. Tudo isso existiu, mas não é uma área como tal. Nós nos demos conta de que no Brasil a preocupação é maior do que em outros lugares. No próximo ano, tentaremos criar uma área para o Campus Verde."
Maira Begalli, coordenadora do Campus Verde no Brasil, ainda completa: "como é um evento livre, as manifestações podem acontecer. Certamente a organização do evento não esperava uma adesão tão grande ao Campus Verde. É um fenômeno muito bacana. As pessoas não tendem a associar a tecnologia com ambientalismo. Eles acham que o ambientalista fica no meio do mato e o geek fica trancafiado no quarto. Na verdade, não é isso. E isso está ligado ao lema do evento: 'a internet não é uma rede de computadores, é uma rede de pessoas'".
Por mais que não existia uma área fixa e determinada para que os campuseiros verdes pudessem se encontrar, havia palestras que aconteciam em diferentes áreas. As atividades, com isso, eram anunciadas como transversais, como o tema sustentabilidade deve ser tratado em qualquer lugar. Mas isso gerou confusão entre os campuseiros. Alguns não sabiam onde seria ministrada a palestra e, outros, nem entendiam porque tal pessoa estava falando em um evento de tecnologia.
Begalli comenta sobre a programação: "eu cheguei a pouco tempo aqui [Maira foi contratada na quinta-feira anterior ao evento], e eu ainda não tive oportunidade de conversar com os organizadores. É a primeira vez que o evento acontece, com acertos e erros. Eu não digo que foi um erro de organização, mas é até como a Anita Fiori disse na palestra do Al Gore: muitas vezes a gente acha que sabe o que está fazendo - não digo que eles não sabem -, mas às vezes nós fazemos previsões e achamos que as coisas vão se comportar de determinada forma. Na Espanha, o pessoal não é adepto a palestras. Lá eles são mais interessados na banda [de internet], em sentar e jogar, até porque na cidade tem praia. Aqui, o perfil é outro, as pessoas querem aprender. O brasileiro é antropófago."
E qual foi o problema da coleta seletiva? Por que ela não funcionou como deveria? João Alves, dono da empresa Banco de Apoio, que fez a coleta e separação do lixo dentro da Bienal, comenta: "O lixo não conseguia ser selecionado no dia seguinte por causa dos catadores. Um número muito grande de mendigos fazia essa mistura, bagunçando tudo e deixando inadequado para uma seleção de lixo melhor". Segundo Juan Negrillo, tentou-se ainda colocar seguranças para que isso não acontecesse, mas "os catadores eram muito violentos", o que impossibilitou proteger a área de separação. Ele conta que, para o ano que vem, os organizadores já estão "prevendo um espaço separado e a coleta não vai acontecer mais pela manhã, e sim pela noite."
Outra questão abordada pelos campuseiros era o patrocínio da área Campus Verde. Se, como disse Marcelo Branco, os organizadores não conseguiram criar ações focadas no meio ambiente, como uma área pode ter sido patrocinada por uma empresa pública, como a Petrobrás?
Roberto Andrade, diretor de comunicação, ficou responsável pela resposta: "o governo federal é apoiador institucional da Campus Party Brasil. Ou seja, por meio das empresas públicas, como a Petrobrás, a Caixa Econômica Federal, a Infraero e o Serpro, o governo deu o seu apoio. Nós queríamos valorizar o Campus Verde exatamente porque entendíamos que deveríamos ter uma ação nesse sentido. Então, nós consultamos a Petrobrás para saber se poderíamos associar a marca à área. Como eles têm um longo trabalho em relação a ações de defesa do meio ambiente e experiência nesse sentido, disseram que não teria problema nenhum. Inclusive, para o ano que vem, dentro dessa idéia de construir um projeto de Campus Verde bem mais consolidado e efetivo, a Petrobrás já se comprometeu conosco a nos assessorar junto às comunidades que procuraremos para que nós construamos uma ação voltada especificamente para o Campus Verde."
A maior festa tecnológica do mundo, segundo os campuseiros verdes, deixou a desejar quando o tema era a sustentabilidade. Eles, que se organizaram durante o evento, apontaram diversas falhas nas propostas e na infra-estrutura que a Campus Party ofereceu. Falha na coleta seletiva, problemas na programação, falta de comunicação, geradores de energia que usavam diesel, entre outros, como mostrado no
post do blog
Planeta Conectado. Todos esses itens interferiram na área Campus Verde, que até se chegou a questionar se a cor não deveria ser cinza.
Para os organizadores do evento, a resposta recorrente é que foi a primeira edição do evento. A grande maioria dos problemas será resolvida na próxima, que já está confirmada para o ano que vem com data a definir. Mas o que houve com a primeira? Por que aconteceram tantos erros em infra-estrutura e em programação?
Marcelo Branco, diretor da Campus Party Brasil, explica: "confesso que nós não dominamos completamente essa área. Não conseguimos estender as ações na amplitude em que elas mereciam. De qualquer forma, a área foi muito positiva, pois mostrou que técnicos de informática estão preocupados com isso. Nós também estávamos preocupados com a consciência ecológica, mas não tínhamos como estender essas ações da maneira que um evento desse porte exige. Sabemos que algumas ações foram débeis e outras falhas, mas não conseguimos a tempo conversar com essa rede."
Uma rede bem articulada, como demonstram os nossos blogueiros e um grupo de discussão criado durante o evento. Foram essas pessoas, com seus conhecimentos sobre meio ambiente e sustentabilidade, que apontaram os defeitos e criaram extra-oficialmente uma área específica para o Campus Verde, que não existia até então.
Sobre isso, Juan Negrillo, vice-presidente de operações da E3-Futura e coordenador do Campus Verde da Espanha, argumenta: "Campus Verde não é uma área da Campus Party. As áreas são voltadas à tecnologia. Claro que o Campus Verde tem algo relacionado a isso, porque há ações que se podem fazer com a tecnologia em prol do meio ambiente, mas é uma atividade que vamos debater com os campuseiros para tentar chegar a um consenso. Na Espanha, a preocupação maior é com as mudanças no clima. Aqui, vimos que a preocupação é um pouco diferente. Não conhecemos muito a cultura brasileira, porém preparamos atividades, como um formulário no site com alguns compromissos para os campuseiros; uma série de palestras que aconteceu todos os dias; íamos passar alguns filmes, mas tivemos problemas por causa dos direitos autorais; os desafios que o Planeta Sustentável organizou. Tudo isso existiu, mas não é uma área como tal. Nós nos demos conta de que no Brasil a preocupação é maior do que em outros lugares. No próximo ano, tentaremos criar uma área para o Campus Verde."
Maira Begalli, coordenadora do Campus Verde no Brasil, ainda completa: "como é um evento livre, as manifestações podem acontecer. Certamente a organização do evento não esperava uma adesão tão grande ao Campus Verde. É um fenômeno muito bacana. As pessoas não tendem a associar a tecnologia com ambientalismo. Eles acham que o ambientalista fica no meio do mato e o geek fica trancafiado no quarto. Na verdade, não é isso. E isso está ligado ao lema do evento: 'a internet não é uma rede de computadores, é uma rede de pessoas'".
Por mais que não existia uma área fixa e determinada para que os campuseiros verdes pudessem se encontrar, havia palestras que aconteciam em diferentes áreas. As atividades, com isso, eram anunciadas como transversais, como o tema sustentabilidade deve ser tratado em qualquer lugar. Mas isso gerou confusão entre os campuseiros. Alguns não sabiam onde seria ministrada a palestra e, outros, nem entendiam porque tal pessoa estava falando em um evento de tecnologia.
Begalli comenta sobre a programação: "eu cheguei a pouco tempo aqui [Maira foi contratada na quinta-feira anterior ao evento], e eu ainda não tive oportunidade de conversar com os organizadores. É a primeira vez que o evento acontece, com acertos e erros. Eu não digo que foi um erro de organização, mas é até como a Anita Fiori disse na palestra do Al Gore: muitas vezes a gente acha que sabe o que está fazendo - não digo que eles não sabem -, mas às vezes nós fazemos previsões e achamos que as coisas vão se comportar de determinada forma. Na Espanha, o pessoal não é adepto a palestras. Lá eles são mais interessados na banda [de internet], em sentar e jogar, até porque na cidade tem praia. Aqui, o perfil é outro, as pessoas querem aprender. O brasileiro é antropófago."
E qual foi o problema da coleta seletiva? Por que ela não funcionou como deveria? João Alves, dono da empresa Banco de Apoio, que fez a coleta e separação do lixo dentro da Bienal, comenta: "O lixo não conseguia ser selecionado no dia seguinte por causa dos catadores. Um número muito grande de mendigos fazia essa mistura, bagunçando tudo e deixando inadequado para uma seleção de lixo melhor". Segundo Juan Negrillo, tentou-se ainda colocar seguranças para que isso não acontecesse, mas "os catadores eram muito violentos", o que impossibilitou proteger a área de separação. Ele conta que, para o ano que vem, os organizadores já estão "prevendo um espaço separado e a coleta não vai acontecer mais pela manhã, e sim pela noite."
Outra questão abordada pelos campuseiros era o patrocínio da área Campus Verde. Se, como disse Marcelo Branco, os organizadores não conseguiram criar ações focadas no meio ambiente, como uma área pode ter sido patrocinada por uma empresa pública, como a Petrobrás?
Roberto Andrade, diretor de comunicação, ficou responsável pela resposta: "o governo federal é apoiador institucional da Campus Party Brasil. Ou seja, por meio das empresas públicas, como a Petrobrás, a Caixa Econômica Federal, a Infraero e o Serpro, o governo deu o seu apoio. Nós queríamos valorizar o Campus Verde exatamente porque entendíamos que deveríamos ter uma ação nesse sentido. Então, nós consultamos a Petrobrás para saber se poderíamos associar a marca à área. Como eles têm um longo trabalho em relação a ações de defesa do meio ambiente e experiência nesse sentido, disseram que não teria problema nenhum. Inclusive, para o ano que vem, dentro dessa idéia de construir um projeto de Campus Verde bem mais consolidado e efetivo, a Petrobrás já se comprometeu conosco a nos assessorar junto às comunidades que procuraremos para que nós construamos uma ação voltada especificamente para o Campus Verde."