Por Marcella Chartier
Planeta Sustentável - 28/01/2008
Todas as terças e quintas, Peterson Emboava, de 20 anos, e seu irmão Marlon, de 18, saem de Guaianases, zona Leste de São Paulo, e pegam trem, metrô e ônibus para chegar à Vila Madalena, zona Oeste. Uma hora e meia para ir, mais o mesmo tempo para voltar para casa, depois de passar a tarde criando capas de livros em papelão. Os meninos são filhos de Ailton Emboava, catador de papelão, e aprenderam a transformar o material que garante o sustento da família (mesmo com dificuldades) participando do projeto "Dulcinéia Catadora".
Esse coletivo de arte é inspirado no "Eloísa Cartonera", grupo de Buenos Aires que nasceu em 2003, comprando papelão de catadores a um preço mais alto do que o normal ($1,50 em vez de $0,30). Crianças que também trabalhavam recolhendo papelão nas ruas da cidade foram convidadas a participar, pintando e cortando capas de livros e recebendo pagamento por isso. Os exemplares, de autores que cederam suas obras para o projeto, passaram a ser vendidos por preços baixos, com a renda revertida aos jovens artistas.
A artista plástica Lúcia Rosa, de 54 anos, já trabalhava com sucata quando ouviu falar do "Eloísa Cartonera" pela primeira vez. Lúcia foi convidada a participar de uma exposição na biblioteca do Pari, na zona Leste de São Paulo, em que 30 artistas ocuparam o espaço com suas obras, que deveriam promover - de alguma forma - a interação com a comunidade do entorno. "Andando a pé pela região, decidi trabalhar com catadores e conheci um que morava na calçada. Quando cheguei para a conversa, ele logo me disse: 'O pessoal me chama de Fofão porque eu bebia muito e tinha as bochechas muito grandes. Mas emagreci porque o médico falou que eu podia morrer se continuasse assim, e eu não quero morrer'. Depois ele me falou que saía para dançar forró aos finais de semana, que comemorava o aniversário dele com churrasco. Fiquei encantada com sua vontade de viver e gravei, com vários catadores, trechos que usei em minha instalação na exposição", conta a artista.
Um amigo viu o interesse de Lúcia pelo trabalho com papelão e contou-lhe sobre o grupo "Eloísa Cartonera". Depois de e-mails trocados com Javier Barilaro, um dos criadores do grupo argentino, veio o convite para o Eloísa participar da 27ª Bienal Internacional de São Paulo, em 2006. Lúcia ajudou na organização e, principalmente, na captação de material para suprir as necessidades da oficina que ocorreu durante o evento. Ela conta:
[img1]"Não foi nada fácil fazer o pessoal das cooperativas entender o que eu queria. Eles me acharam doida. Demorei três meses para conseguir convencê-los a participar, depois de mandar um ofício com a assinatura do diretor da Bienal, garantindo que a verba adquirida com as vendas seria repassada aos filhos dos catadores", lembra a artista. Com o apoio de Javier, que ficou mais alguns meses no Brasil, Lúcia promoveu mais oficinas e chegou a hora de criar um núcleo brasileiro do projeto, o que aconteceu em fevereiro de 2007. O nome Dulcinéia é de uma das catadoras que trabalharam provendo as oficinas de material que Lúcia quis homenagear. "Ela é uma fortaleza de pessoa e, ao mesmo tempo, o nome é uma alusão à mulher ideal de Dom Quixote, à utopia", explica.
Desde o início, os livros do coletivo são vendidos na Mercearia São Pedro, bar da Vila Madalena, bairro paulistano. Depois de começar a aparecer mais na mídia, o "Dulcinéia Catadora" conseguiu um espaço exclusivo - cedido pela ONG Aprendiz - e mais pontos de venda. "O projeto se propõe auto-sustentável, não recebemos ajuda financeira de ninguém. Apenas contamos com os autores, que cedem seus livros, vendidos a 5 reais cada", diz Lúcia. "Toda vez que os meninos vão para a oficina, recebem alguma coisa". Em novembro, o coletivo chegou a vender 400 exemplares - cinco vezes mais do que o comum. Mas nem sempre é assim.
EXPERIMENTALISMO REBELDE E DIVERSIDADE
Hoje, o "Dulcinéia Catadora" publica 32 títulos, de autores com temáticas de base semelhante ("textos experimentais, que tenham frescor e uma certa rebeldia", como define Lúcia), mas de histórias pessoais totalmente opostas. Alguns, como Haroldo de Campos - que antes de falecer, em 2003, cedeu livros para o Eloísa Cartonera, que por sua vez liberou-os ao projeto brasileiro -, Glauco Mattoso e Jorge Mautner, já são reconhecidos há anos. Outros, como Marcelo Ariel e Sebastião Nicomedes, lançaram seus primeiros livros pelo selo.
Ariel tem 40 anos e vive em Cubatão. Autodidata, interessou-se por livros quando tinha 8 anos e foi levado pelo irmão mais velho, já falecido, a uma biblioteca. "Descobri um sentido para minha interioridade", afirma. Mas desde os nove anos, Ariel precisou trabalhar. "Já fui pedreiro, jardineiro, faxineiro...", conta o autor de Me enterrem com a minha AR-15, texto cheio de referências a outros escritores, poetas e músicos, associados a um teor de revolta social. Foi aos 11 anos que decidiu ser escritor, depois de ler O Lobo da Estepe, de Hermann Hesse. "Com esse livro percebi que as energias da revolta podem ser transformadas em poesia", conta. Poesia esta, fora do seu "lugar oficial", como diz Ariel: "Os cantores de rap e os sambistas do morro estão mais próximos dela do que os acadêmicos".
Matéria-prima é outro título do "Dulcinéia Catadora". O autor, Daniel Faria, é um historiador brasiliense, de 31 anos, que já publicado um livro e textos no site de Carlos Rosa, marido de Lúcia. "Aceitei participar logo de cara por causa da diversidade de perspectivas que ele permite", explica Daniel. "O livro é um objeto bem rico, desde a capa, dos textos, de tudo o que está envolvido em sua produção. O 'Dulcinéia' foge ao esquema pesado de mercado da literatura que fetichiza o autor".
As diferenças se misturam nos contatos entre autores, jovens artistas, catadores e a própria Lúcia, principalmente nos eventos do coletivo, como lançamentos de livros e oficinas especiais abertas ao público. Foi em uma dessas ocasiões que Peterson conheceu Glauco Mattoso, de 56 anos, um dos autores do "Dulcinéia", que escreve livros de poemas inéditos para o selo e dedicados a ele - como Bicicleta reciclada. "Ele ficou impressionado ao saber que sou cego e escrevo uma poesia informal e violenta na temática, apesar de formal no rigor", conta Glauco. O escritor destaca, ainda, a importância do formato diferenciado dos livros, que ele sente com mais atenção, pelo tato. "Quando o material tem um relevo diferente, é mais gostoso de apalpar, além de ser levinho, não tem aquele peso de livro", comenta.
Os encontros são também parte do objetivo do projeto. "É ótimo que os catadores ocupem espaços como a Bienal do Ibirapuera. E que esses locais recebam essas pessoas", afirma Lúcia. "O importante para nós é o processo, a troca entre todos eles, o que ainda melhora a auto-estima porque eles percebem que são capazes de criar. E a noção de reciclagem é bem enfatizada, porque é o gancho que dá a auto-estima para o catador. Ele é uma pessoa útil, não o último da sociedade. E é muito bonito poder mudar o olhar".
É assim que Peterson vê seu pai: uma pessoa com uma atividade essencial para que tenhamos um planeta melhor. E Ailton, por sua vez, enxerga o envolvimento do filho no projeto como um reconhecimento pela importância de seu trabalho. "A gente trabalha beneficiando o meio ambiente e o "Dulcinéia" mostra uma utilidade a mais, que ainda traz conhecimento", opina.
Quando a mãe de Peterson ficou doente e impossibilitada de trabalhar com as costuras que fazia para fora, ele começou a trabalhar como catador de materiais recicláveis, como seu pai. Mas a atividade durou menos de um mês porque ele foi convidado a participar da oficina do "Eloísa Cartonera", na Bienal. "Fui porque sou curioso e estava precisando de dinheiro. Cheguei lá procurando a tal feirinha do Ibirapuera e vi que era uma Bienal", lembra.
O mais próximo que Peterson tinha chegado de arte era desenhando paisagens em casa, antes com canetas - agora com pincéis. E além de se interessar por leitura, chegou a escrever um conto (que ainda não quis mostrar para ninguém) e a descobrir uma nova vontade: a de fotografar. Começou um curso, mas parou. "Quero juntar dinheiro, ter um negócio meu, para depois voltar. Gosto muito de revelar filmes", conta.
Peterson aprendeu a economizar cedo e, desde que o projeto começou, guardou dinheiro suficiente para, com o irmão Marlon, dar entrada num Gol 97. Quando era pequeno, Peterson chegou a comprar uma bicicleta e um videogame com o que conseguia economizar da venda de doces. "Tenho que ir caminhando aos poucos, não dar um passo maior que o outro, mas sempre prosperando para ajudar minha família", planeja.
ONG NÃO! COLETIVO DE ARTE
Desde o início, a idéia do "Eloísa Cartonera" era colocar um núcleo em cada país da América Latina, com cada selo publicando livros de autores de todos os países. Em Lima, no Peru, existe o "Sarita Cartonera", único núcleo ativo além do brasileiro e do argentino. Mas já houve iniciativas na Bolívia e no Paraguai, que hoje não funcionam mais.
A preocupação com o desvirtuamento do projeto é constante para Lúcia. "Temos um tripé no projeto, que é artístico, cultural e social. E ele tem que se equilibrar. As pessoas nos confundem muitas vezes com ONGs, mas somos um coletivo de arte que faz intervenções urbanas e não quero que saiam por aí simplesmente fazendo livrinhos", explica a artista, que acha interessante o surgimento de iniciativas que tragam benefícios aos que precisam, mas teme a banalização. "Também não somos assistencialistas. O que a gente faz aqui é dar espaço, melhorar o astral, mostrar que eles são capazes e até ouvir os problemas, mas sem a pretensão de resolver a vida deles", diz.
Quer encomendar livros ou conhecer o projeto? É só acessar o site do "Dulcinéia Catadora".
Por Marcella Chartier
Planeta Sustentável - 28/01/2008
Esse coletivo de arte é inspirado no "Eloísa Cartonera", grupo de Buenos Aires que nasceu em 2003, comprando papelão de catadores a um preço mais alto do que o normal ($1,50 em vez de $0,30). Crianças que também trabalhavam recolhendo papelão nas ruas da cidade foram convidadas a participar, pintando e cortando capas de livros e recebendo pagamento por isso. Os exemplares, de autores que cederam suas obras para o projeto, passaram a ser vendidos por preços baixos, com a renda revertida aos jovens artistas.
A artista plástica Lúcia Rosa, de 54 anos, já trabalhava com sucata quando ouviu falar do "Eloísa Cartonera" pela primeira vez. Lúcia foi convidada a participar de uma exposição na biblioteca do Pari, na zona Leste de São Paulo, em que 30 artistas ocuparam o espaço com suas obras, que deveriam promover - de alguma forma - a interação com a comunidade do entorno. "Andando a pé pela região, decidi trabalhar com catadores e conheci um que morava na calçada. Quando cheguei para a conversa, ele logo me disse: 'O pessoal me chama de Fofão porque eu bebia muito e tinha as bochechas muito grandes. Mas emagreci porque o médico falou que eu podia morrer se continuasse assim, e eu não quero morrer'. Depois ele me falou que saía para dançar forró aos finais de semana, que comemorava o aniversário dele com churrasco. Fiquei encantada com sua vontade de viver e gravei, com vários catadores, trechos que usei em minha instalação na exposição", conta a artista.
Um amigo viu o interesse de Lúcia pelo trabalho com papelão e contou-lhe sobre o grupo "Eloísa Cartonera". Depois de e-mails trocados com Javier Barilaro, um dos criadores do grupo argentino, veio o convite para o Eloísa participar da 27ª Bienal Internacional de São Paulo, em 2006. Lúcia ajudou na organização e, principalmente, na captação de material para suprir as necessidades da oficina que ocorreu durante o evento. Ela conta:
[img1]"Não foi nada fácil fazer o pessoal das cooperativas entender o que eu queria. Eles me acharam doida. Demorei três meses para conseguir convencê-los a participar, depois de mandar um ofício com a assinatura do diretor da Bienal, garantindo que a verba adquirida com as vendas seria repassada aos filhos dos catadores", lembra a artista. Com o apoio de Javier, que ficou mais alguns meses no Brasil, Lúcia promoveu mais oficinas e chegou a hora de criar um núcleo brasileiro do projeto, o que aconteceu em fevereiro de 2007. O nome Dulcinéia é de uma das catadoras que trabalharam provendo as oficinas de material que Lúcia quis homenagear. "Ela é uma fortaleza de pessoa e, ao mesmo tempo, o nome é uma alusão à mulher ideal de Dom Quixote, à utopia", explica.
Desde o início, os livros do coletivo são vendidos na Mercearia São Pedro, bar da Vila Madalena, bairro paulistano. Depois de começar a aparecer mais na mídia, o "Dulcinéia Catadora" conseguiu um espaço exclusivo - cedido pela ONG Aprendiz - e mais pontos de venda. "O projeto se propõe auto-sustentável, não recebemos ajuda financeira de ninguém. Apenas contamos com os autores, que cedem seus livros, vendidos a 5 reais cada", diz Lúcia. "Toda vez que os meninos vão para a oficina, recebem alguma coisa". Em novembro, o coletivo chegou a vender 400 exemplares - cinco vezes mais do que o comum. Mas nem sempre é assim.
EXPERIMENTALISMO REBELDE E DIVERSIDADE
Hoje, o "Dulcinéia Catadora" publica 32 títulos, de autores com temáticas de base semelhante ("textos experimentais, que tenham frescor e uma certa rebeldia", como define Lúcia), mas de histórias pessoais totalmente opostas. Alguns, como Haroldo de Campos - que antes de falecer, em 2003, cedeu livros para o Eloísa Cartonera, que por sua vez liberou-os ao projeto brasileiro -, Glauco Mattoso e Jorge Mautner, já são reconhecidos há anos. Outros, como Marcelo Ariel e Sebastião Nicomedes, lançaram seus primeiros livros pelo selo.
Ariel tem 40 anos e vive em Cubatão. Autodidata, interessou-se por livros quando tinha 8 anos e foi levado pelo irmão mais velho, já falecido, a uma biblioteca. "Descobri um sentido para minha interioridade", afirma. Mas desde os nove anos, Ariel precisou trabalhar. "Já fui pedreiro, jardineiro, faxineiro...", conta o autor de Me enterrem com a minha AR-15, texto cheio de referências a outros escritores, poetas e músicos, associados a um teor de revolta social. Foi aos 11 anos que decidiu ser escritor, depois de ler O Lobo da Estepe, de Hermann Hesse. "Com esse livro percebi que as energias da revolta podem ser transformadas em poesia", conta. Poesia esta, fora do seu "lugar oficial", como diz Ariel: "Os cantores de rap e os sambistas do morro estão mais próximos dela do que os acadêmicos".
Matéria-prima é outro título do "Dulcinéia Catadora". O autor, Daniel Faria, é um historiador brasiliense, de 31 anos, que já publicado um livro e textos no site de Carlos Rosa, marido de Lúcia. "Aceitei participar logo de cara por causa da diversidade de perspectivas que ele permite", explica Daniel. "O livro é um objeto bem rico, desde a capa, dos textos, de tudo o que está envolvido em sua produção. O 'Dulcinéia' foge ao esquema pesado de mercado da literatura que fetichiza o autor".
As diferenças se misturam nos contatos entre autores, jovens artistas, catadores e a própria Lúcia, principalmente nos eventos do coletivo, como lançamentos de livros e oficinas especiais abertas ao público. Foi em uma dessas ocasiões que Peterson conheceu Glauco Mattoso, de 56 anos, um dos autores do "Dulcinéia", que escreve livros de poemas inéditos para o selo e dedicados a ele - como Bicicleta reciclada. "Ele ficou impressionado ao saber que sou cego e escrevo uma poesia informal e violenta na temática, apesar de formal no rigor", conta Glauco. O escritor destaca, ainda, a importância do formato diferenciado dos livros, que ele sente com mais atenção, pelo tato. "Quando o material tem um relevo diferente, é mais gostoso de apalpar, além de ser levinho, não tem aquele peso de livro", comenta.
Os encontros são também parte do objetivo do projeto. "É ótimo que os catadores ocupem espaços como a Bienal do Ibirapuera. E que esses locais recebam essas pessoas", afirma Lúcia. "O importante para nós é o processo, a troca entre todos eles, o que ainda melhora a auto-estima porque eles percebem que são capazes de criar. E a noção de reciclagem é bem enfatizada, porque é o gancho que dá a auto-estima para o catador. Ele é uma pessoa útil, não o último da sociedade. E é muito bonito poder mudar o olhar".
É assim que Peterson vê seu pai: uma pessoa com uma atividade essencial para que tenhamos um planeta melhor. E Ailton, por sua vez, enxerga o envolvimento do filho no projeto como um reconhecimento pela importância de seu trabalho. "A gente trabalha beneficiando o meio ambiente e o "Dulcinéia" mostra uma utilidade a mais, que ainda traz conhecimento", opina.
Quando a mãe de Peterson ficou doente e impossibilitada de trabalhar com as costuras que fazia para fora, ele começou a trabalhar como catador de materiais recicláveis, como seu pai. Mas a atividade durou menos de um mês porque ele foi convidado a participar da oficina do "Eloísa Cartonera", na Bienal. "Fui porque sou curioso e estava precisando de dinheiro. Cheguei lá procurando a tal feirinha do Ibirapuera e vi que era uma Bienal", lembra.
O mais próximo que Peterson tinha chegado de arte era desenhando paisagens em casa, antes com canetas - agora com pincéis. E além de se interessar por leitura, chegou a escrever um conto (que ainda não quis mostrar para ninguém) e a descobrir uma nova vontade: a de fotografar. Começou um curso, mas parou. "Quero juntar dinheiro, ter um negócio meu, para depois voltar. Gosto muito de revelar filmes", conta.
Peterson aprendeu a economizar cedo e, desde que o projeto começou, guardou dinheiro suficiente para, com o irmão Marlon, dar entrada num Gol 97. Quando era pequeno, Peterson chegou a comprar uma bicicleta e um videogame com o que conseguia economizar da venda de doces. "Tenho que ir caminhando aos poucos, não dar um passo maior que o outro, mas sempre prosperando para ajudar minha família", planeja.
ONG NÃO! COLETIVO DE ARTE
Desde o início, a idéia do "Eloísa Cartonera" era colocar um núcleo em cada país da América Latina, com cada selo publicando livros de autores de todos os países. Em Lima, no Peru, existe o "Sarita Cartonera", único núcleo ativo além do brasileiro e do argentino. Mas já houve iniciativas na Bolívia e no Paraguai, que hoje não funcionam mais.
A preocupação com o desvirtuamento do projeto é constante para Lúcia. "Temos um tripé no projeto, que é artístico, cultural e social. E ele tem que se equilibrar. As pessoas nos confundem muitas vezes com ONGs, mas somos um coletivo de arte que faz intervenções urbanas e não quero que saiam por aí simplesmente fazendo livrinhos", explica a artista, que acha interessante o surgimento de iniciativas que tragam benefícios aos que precisam, mas teme a banalização. "Também não somos assistencialistas. O que a gente faz aqui é dar espaço, melhorar o astral, mostrar que eles são capazes e até ouvir os problemas, mas sem a pretensão de resolver a vida deles", diz.
Quer encomendar livros ou conhecer o projeto? É só acessar o site do "Dulcinéia Catadora".


























