velhice
Christine Yufon: a longa caminhada para a sabedoria
Para a artista plástica e consultora de moda, Christine Youfon, hoje com mais de 80 anos, sem adquirir sabedoria e equilíbrio a vida não tem sentido
Thays Prado - Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável - 01/10/2009
Nascida na China, Christine Yufon fez sucesso no Brasil como modelo na década de 50. Nos últimos trinta anos, se dedicou a fazer esculturas, bijuterias finas e acessórios de moda – que roubam a cena em desfiles na São Paulo Fashion Week – e dá aulas de postura e etiqueta.
Christine sempre usou, intuitivamente, o princípio do equilíbrio, do taoísmo, nas passarelas e com suas alunas, mas só mais tarde ficou sabendo da existência dessa filosofia milenar que é a base de sua vida. Em suas aulas, ensina seus alunos a não perderem sua personalidade.
Com mais de 80 anos, não é de muitas palavras e já não tem paciência para recontar sua história a mais uma jornalista – eu -, mas fala sobre a velhice, que entende como uma longa caminhada, e não vê sentido na vida sem uma ligação com a espiritualidade.
Como você lida com a passagem do tempo?
Eu tento usar a sabedoria e a espiritualidade, que é a maior religião da vida. A espiritualidade está ligada com a nossa essência, nossas boas ações, nosso desejo de ajudar, de doar, de ser um ser humano mais bonito. Tem a ver com saber ser justa e perdoar. É a busca do equilíbrio. Sem isso, a caminhada da vida não tem sentido, é vazia, não somos nada.
Por que você prefere não revelar a sua idade?
Não é isso, mas qual é a diferença? Não sei a quem isso pode interessar.
Você já declarou que usa maquiagem para esconder as rugas, mas elas são um traço natural do processo de envelhecimento. Preferia não tê-las?
Eu não estou escondendo as rugas tentando ser jovem, mas sou uma artista nata. Não quero ser bonita, mas sou minha própria escultura, construo minha fantasia e procuro deixar tudo mais harmonioso, mais sofisticado, isso não tem a ver com o meu caráter.
De que maneira você insere o taoísmo no seu trabalho?
Para mim, o taoísmo não é uma religião - sou católica -, mas uma filosofia. Muito antes de saber da existência do taoísmo, já praticava isso em minha vida sem saber. É a busca do caminho mais justo, profundo e equilibrado. O equilíbrio está em tudo. É o que eu ensino para minhas alunas.
Como você encara a possibilidade de morrer?
Não sei por que quando ficamos velhos todo mundo começa a perguntar sobre morte. Todo mundo pode morrer a qualquer momento, ninguém sabe... Essa pergunta me irrita muito.
Qual é a sensação quando olha para sua vida?
Minha escola foi viver minha própria vida. A verdadeira escola é observar a vida e tentar fazer da melhor forma possível. Não sou perfeita, estou longe de ser, e não sou professora, sou uma estudante da vida.
Que ganhos você vê em envelhecer?
Envelhecer é uma longa caminhada. Na velhice entendemos melhor a vida. É possível praticar o equilíbrio, a profundidade e sentir a essência da vida. Sou mais tolerante, aprendi a renunciar e adquiri mais sabedoria. Sem sabedoria, a vida não serve para nada.
Leia também:
Em paz com o tempo
Professor Hermógenes: aceitar o que o tempo traz
Nascida na China, Christine Yufon fez sucesso no Brasil como modelo na década de 50. Nos últimos trinta anos, se dedicou a fazer esculturas, bijuterias finas e acessórios de moda – que roubam a cena em desfiles na São Paulo Fashion Week – e dá aulas de postura e etiqueta.
Christine sempre usou, intuitivamente, o princípio do equilíbrio, do taoísmo, nas passarelas e com suas alunas, mas só mais tarde ficou sabendo da existência dessa filosofia milenar que é a base de sua vida. Em suas aulas, ensina seus alunos a não perderem sua personalidade.
Com mais de 80 anos, não é de muitas palavras e já não tem paciência para recontar sua história a mais uma jornalista – eu -, mas fala sobre a velhice, que entende como uma longa caminhada, e não vê sentido na vida sem uma ligação com a espiritualidade.
Como você lida com a passagem do tempo?
Eu tento usar a sabedoria e a espiritualidade, que é a maior religião da vida. A espiritualidade está ligada com a nossa essência, nossas boas ações, nosso desejo de ajudar, de doar, de ser um ser humano mais bonito. Tem a ver com saber ser justa e perdoar. É a busca do equilíbrio. Sem isso, a caminhada da vida não tem sentido, é vazia, não somos nada.
Por que você prefere não revelar a sua idade?
Não é isso, mas qual é a diferença? Não sei a quem isso pode interessar.
Você já declarou que usa maquiagem para esconder as rugas, mas elas são um traço natural do processo de envelhecimento. Preferia não tê-las?
Eu não estou escondendo as rugas tentando ser jovem, mas sou uma artista nata. Não quero ser bonita, mas sou minha própria escultura, construo minha fantasia e procuro deixar tudo mais harmonioso, mais sofisticado, isso não tem a ver com o meu caráter.
De que maneira você insere o taoísmo no seu trabalho?
Para mim, o taoísmo não é uma religião - sou católica -, mas uma filosofia. Muito antes de saber da existência do taoísmo, já praticava isso em minha vida sem saber. É a busca do caminho mais justo, profundo e equilibrado. O equilíbrio está em tudo. É o que eu ensino para minhas alunas.
Como você encara a possibilidade de morrer?
Não sei por que quando ficamos velhos todo mundo começa a perguntar sobre morte. Todo mundo pode morrer a qualquer momento, ninguém sabe... Essa pergunta me irrita muito.
Qual é a sensação quando olha para sua vida?
Minha escola foi viver minha própria vida. A verdadeira escola é observar a vida e tentar fazer da melhor forma possível. Não sou perfeita, estou longe de ser, e não sou professora, sou uma estudante da vida.
Que ganhos você vê em envelhecer?
Envelhecer é uma longa caminhada. Na velhice entendemos melhor a vida. É possível praticar o equilíbrio, a profundidade e sentir a essência da vida. Sou mais tolerante, aprendi a renunciar e adquiri mais sabedoria. Sem sabedoria, a vida não serve para nada.
Leia também:
Em paz com o tempo
Professor Hermógenes: aceitar o que o tempo traz