solidariedade
O prato é seu
Quem leva um dos belos utensílios cerâmicos para casa alimenta uma rede solidária
Raphaela de Campos Mello
Revista Bons Fluídos – 10/2009
Compre um exemplar de cerâmica, coma muito bem e, de quebra, ajude crianças, jovens e adultos em situação de exclusão social. Essa proposta é feita anualmente pela ONG Estrela Nova - Movimento Comunitário, que há 25 anos atua na região do bairro Campo Limpo, zona sul de São Paulo. A ideia veio dos Estados Unidos, onde acontece O Dia da Salada. Lá, as pessoas compram pratos assinados por ceramistas, os utilizam durante o evento e depois levam a aquisição para casa. A verba angariada é destinada a uma escola de artes.
Italiana de nascimento, a ceramista radicada em São Paulo Lucia Ramenzoni gostou tanto da iniciativa que resolveu adaptá-la por aqui. Primeiro, propôs a parceria à entidade presidida pela psicóloga Tessy Hantzschel. Diante do sinal verde, tratou de convidar um grupo de artistas dispostas a abraçar a causa. Deu tão certo que, este ano, o evento, realizado no final de agosto, na pizzaria Quintal do Bráz, na Vila Mariana, chegou à sua quinta edição.
O ingresso, ou melhor, o valor de cada prato, custa R$ 130. Cada ceramista - ao todo, 16 mulheres - fez cerca de 35 modelos. Logo na chegada, os participantes dão de cara com uma extensa mesa forrada de utensílios de diferentes estilos e formatos. Um mais bonito que o outro. Ali mesmo, eles têm de eleger o artefato predileto. Momento de indecisão. "Se a pessoa não escolher de imediato, depois fica difícil, pois as peças são disputadas", avisa a ceramista Mariângela Aragão. "O lugar é lindo e a iniciativa extremamente importante. Mas é muito difícil escolher uma peça, tamanha a variedade de opções", comenta, entre risos, a funcionária pública Flávia Morone.
Passada a concorrida disputa, o prato é guardado em uma caixa de pizza, com o nome do dono escrito à caneta, e será retirado na saída. Pronto. Os convidados podem se acomodar e se regalar com o rodízio de pizza e o bufê de salada.
"Gostaria que a responsabilidade social fosse mais presente na sociedade", Tessy Hantzschel, presidente da ONG Estrela Nova - Movimento Comunitário
PEQUENOS AJUSTES
Na versão brasileira, o restaurante cede os utensílios, enquanto as obras de arte permanecem intocadas. "No primeiro evento, as pessoas comeram no prato de cerâmica. Mas esse sistema não deu muito certo. Depois, foi uma correria para lavar todos eles e entregá-los aos respectivos proprietários", lembra Louise Deroualle, produtora-assistente do encontro. O deslize foi corrigido, mas, mesmo que outros surgissem no caminho, não conseguiriam esfriar o clima de festa que toma conta da pizzaria. Ceramistas, membros da instituição e convidados transbordam alegria por fazerem parte dessa rede solidária. "Cada um se doa um pouco: o restaurante, o fornecedor da matéria-prima, as artistas, os organizadores", observa a ceramista Cynthia Gavião, que recentemente transferiu seu ateliê da capital paulista para a cidade de Gonçalves, no sul de Minas Gerais.
Lucia, a idealizadora do projeto, concentrada para que tudo saísse de acordo com o planejado, resume em uma única frase seu estado de espírito naquela tarde de sábado: "Estar aqui, cada vez com um número maior de pessoas, é uma grande satisfação e nos dá energia para voltar a cada ano". Àquela altura, ela não sabia que nas próximas horas a entidade faturaria mais de R$ 40 mil. Bom demais!
Eventos como esse são importantes fontes de recursos e de divulgação do trabalho desenvolvido pela Estrela Nova. No entanto, isoladamente, são insuficientes para bancar todas as ações promovidas pela entidade, que atua em favor da comunidade, preenchendo lacunas deixadas pelo Estado. "Oferecemos creche, reforço escolar, oficinas de dança, arte, reciclagem de papel, além de cursos profissionalizantes", diz Tessy.
Atualmente, a verba vem de diferentes parceiros: da prefeitura, de convênios temporários com empresas e de holandeses que prestam solidariedade a distância, já que a organização foi fundada por um casal dessa origem. "Precisamos de mais e mais parceiros", declara ela. "Meu sonho é que uma empresa nos adote por pelo menos cinco anos", confessa.
A seriedade da ONG atrai reforços - humanos e financeiros. Mas o envolvimento da sociedade ainda é tímido, segundo Tessy. "Gostaria que mais pessoas se mobilizassem e se oferecessem como voluntárias, que a responsabilidade social fosse mais presente na nossa sociedade. Assim, quem precisasse de ajuda encontraria apoio com mais facilidade."
Compre um exemplar de cerâmica, coma muito bem e, de quebra, ajude crianças, jovens e adultos em situação de exclusão social. Essa proposta é feita anualmente pela ONG Estrela Nova - Movimento Comunitário, que há 25 anos atua na região do bairro Campo Limpo, zona sul de São Paulo. A ideia veio dos Estados Unidos, onde acontece O Dia da Salada. Lá, as pessoas compram pratos assinados por ceramistas, os utilizam durante o evento e depois levam a aquisição para casa. A verba angariada é destinada a uma escola de artes.
Italiana de nascimento, a ceramista radicada em São Paulo Lucia Ramenzoni gostou tanto da iniciativa que resolveu adaptá-la por aqui. Primeiro, propôs a parceria à entidade presidida pela psicóloga Tessy Hantzschel. Diante do sinal verde, tratou de convidar um grupo de artistas dispostas a abraçar a causa. Deu tão certo que, este ano, o evento, realizado no final de agosto, na pizzaria Quintal do Bráz, na Vila Mariana, chegou à sua quinta edição.
O ingresso, ou melhor, o valor de cada prato, custa R$ 130. Cada ceramista - ao todo, 16 mulheres - fez cerca de 35 modelos. Logo na chegada, os participantes dão de cara com uma extensa mesa forrada de utensílios de diferentes estilos e formatos. Um mais bonito que o outro. Ali mesmo, eles têm de eleger o artefato predileto. Momento de indecisão. "Se a pessoa não escolher de imediato, depois fica difícil, pois as peças são disputadas", avisa a ceramista Mariângela Aragão. "O lugar é lindo e a iniciativa extremamente importante. Mas é muito difícil escolher uma peça, tamanha a variedade de opções", comenta, entre risos, a funcionária pública Flávia Morone.
Passada a concorrida disputa, o prato é guardado em uma caixa de pizza, com o nome do dono escrito à caneta, e será retirado na saída. Pronto. Os convidados podem se acomodar e se regalar com o rodízio de pizza e o bufê de salada.
"Gostaria que a responsabilidade social fosse mais presente na sociedade", Tessy Hantzschel, presidente da ONG Estrela Nova - Movimento Comunitário
PEQUENOS AJUSTES
Na versão brasileira, o restaurante cede os utensílios, enquanto as obras de arte permanecem intocadas. "No primeiro evento, as pessoas comeram no prato de cerâmica. Mas esse sistema não deu muito certo. Depois, foi uma correria para lavar todos eles e entregá-los aos respectivos proprietários", lembra Louise Deroualle, produtora-assistente do encontro. O deslize foi corrigido, mas, mesmo que outros surgissem no caminho, não conseguiriam esfriar o clima de festa que toma conta da pizzaria. Ceramistas, membros da instituição e convidados transbordam alegria por fazerem parte dessa rede solidária. "Cada um se doa um pouco: o restaurante, o fornecedor da matéria-prima, as artistas, os organizadores", observa a ceramista Cynthia Gavião, que recentemente transferiu seu ateliê da capital paulista para a cidade de Gonçalves, no sul de Minas Gerais.
Lucia, a idealizadora do projeto, concentrada para que tudo saísse de acordo com o planejado, resume em uma única frase seu estado de espírito naquela tarde de sábado: "Estar aqui, cada vez com um número maior de pessoas, é uma grande satisfação e nos dá energia para voltar a cada ano". Àquela altura, ela não sabia que nas próximas horas a entidade faturaria mais de R$ 40 mil. Bom demais!
Eventos como esse são importantes fontes de recursos e de divulgação do trabalho desenvolvido pela Estrela Nova. No entanto, isoladamente, são insuficientes para bancar todas as ações promovidas pela entidade, que atua em favor da comunidade, preenchendo lacunas deixadas pelo Estado. "Oferecemos creche, reforço escolar, oficinas de dança, arte, reciclagem de papel, além de cursos profissionalizantes", diz Tessy.
Atualmente, a verba vem de diferentes parceiros: da prefeitura, de convênios temporários com empresas e de holandeses que prestam solidariedade a distância, já que a organização foi fundada por um casal dessa origem. "Precisamos de mais e mais parceiros", declara ela. "Meu sonho é que uma empresa nos adote por pelo menos cinco anos", confessa.
A seriedade da ONG atrai reforços - humanos e financeiros. Mas o envolvimento da sociedade ainda é tímido, segundo Tessy. "Gostaria que mais pessoas se mobilizassem e se oferecessem como voluntárias, que a responsabilidade social fosse mais presente na nossa sociedade. Assim, quem precisasse de ajuda encontraria apoio com mais facilidade."