mudanças climáticas
Transporte é o principal desafio de São Paulo
O sociólogo Volf Steinbaum, responsável pela condução do Programa de Mudanças Climáticas da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, afirma que campanhas para a mudança no modelo de consumo e a adoção do conceito do poluidor-pagador serão estratégias a serem utilizadas
Sucena Shkrada Resk
Planeta Sustentável – 17/08/2009
Há dois meses em vigor, a Política de Mudança do Clima no Município de São Paulo (PMMC), instituída em 5 de junho, já revela muitos desafios a serem enfrentados pela administração pública, principalmente quanto ao modelo de transporte, além das áreas de energia, de uso do solo e de tecnologia de construção. “Sem a integração das políticas setoriais do planejamento urbano, de construção de edifícios verdes, de gerenciamentos de resíduos e da aplicação de instrumentos econômicos, não é possível mitigar os efeitos da emissão dos gases de efeito estufa”, disse o sociólogo Volf Steinbaum, assessor-técnico responsável pela condução do Programa de Mudanças Climáticas, na Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, durante encontro realizado na Biblioteca Temática Municipal em Meio Ambiente Raul Bopp, no Parque da Aclimação, em São Paulo. O evento integra a programação ambiental da Secretaria Municipal de Cultura.
A meta do Plano Municipal é de, até 2012, reduzir em 30% a emissão de gases de efeito estufa em relação ao ano de 2005. Exemplos de iniciativas de cidades européias, como Londres e Paris, serviram como fonte de inspiração para a PMMC, conforme destacou Steinbaum. “O crescimento do número de carros em São Paulo ocorre de forma irracional. Há casas que tem até cinco carros na garagem! Por isso, a prioridade é converter decisões climáticas de âmbito internacional na administração do lar, na esfera pública e das empresas”.
As mudanças, segundo ele, devem começar pela mudança do modelo de transporte adotado no município. “Está sendo planejado o aumento da frota de trólebus e de outros veículos de passageiros com combustíveis alternativos, além da rede metroviária e ferroviária”, afirmou o assessor.
Steinbaum também comentou que o transporte em ônibus é mais racional e fez a seguinte comparação: “Enquanto são precisos 127 carros para transportar 190 pessoas, o mesmo número de passageiros pode viajar em um ônibus tri-articulado ou em dois ônibus comuns”.
A ampliação das ciclovias no município é mais um aspecto de destaque no PMMC, como estímulo ao transporte alternativo não-motorizado. A programação da SVMA inclui a ampliação, em 70 km, do circuito na cidade. Hoje 29,5 km de ciclovias estão concluídos e 18,1 km em obras.
O município deverá investir, também, em campanhas educativas para promover a carona solidária em escolas e empresas, em conjunto com o incentivo ao hábito de caminhar. “Em Paris, é possível alugar bicicletas e lá está sendo introduzido o programa do carro solidário, no qual o motorista coloca o cartão de crédito para utilizar o veículo até determinado ponto, para que outro dê sequência”, ressaltou.
Para inibir o uso excessivo de veículos pelo município, serão estudadas formas de mexer no bolso do motorista, um dos temas que devem provocar mais polêmicas, quanto às estratégias do PMMC. “Os poluidores deverão pagar a conta. Dessa forma, o custo seria embutido no preço do combustível., disse. No caso de veículos com um passageiro, se estuda a proposta de sistema de tráfego tarifado. “Na Grande Londres, por exemplo, não se entra de carro, se não pagar pedágio”, diz.
O trânsito caótico do município de São Paulo, de acordo com a previsão do assessor técnico da SVMA, deverá diminuir ainda com outras medidas nos principais eixos viários. "Uma das ideias é implantar faixas exclusivas para veículos ocupados por mais de dois passageiros, além de aumentar as faixas exclusivas para trólebus. Ainda haverá o estímulo à criação de espaços terminais multimodais de carga no em torno da região metropolitana". Também se estuda o escalonamento de horários de atividades públicas e privadas, para diminuir os pontos de congestionamento em horário de pico.
O gerenciamento de resíduos é mais um ponto estratégico do combate às mudanças climáticas, de acordo com Steinbaum. Para isso, mais uma proposta desafiadora, que até hoje não foi concretizada em São Paulo, é a implementação do programa de Coleta Seletiva no município, com a instalação de ecopontos e central de triagem em cada distrito da cidade. “Outro projeto é estender a coleta a novos edifícios. Isso se agrega ao estímulo ao consumo sustentável, como a eliminação do uso de sacolas plásticas, entre outras ações”, diz.
Para auxiliar na promoção de todas as metas estabelecidas na PMMC, ainda neste mês, está prevista a formação do Conselho Consultivo da política, que será a interface entre poder público e sociedade. “Deverão compor o conselho, representantes de secretarias municipais, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (UNESP), da Eletropaulo, de uma das centrais sindicais, como também representantes do setor da construção, da indústria, entre outros”, adianta Steinbaum.
* Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA)
* Política de Mudança do Clima no Município de São Paulo (PMMC)
* Biblioteca Temática Municipal em Meio Ambiente Raul Bopp
Há dois meses em vigor, a Política de Mudança do Clima no Município de São Paulo (PMMC), instituída em 5 de junho, já revela muitos desafios a serem enfrentados pela administração pública, principalmente quanto ao modelo de transporte, além das áreas de energia, de uso do solo e de tecnologia de construção. “Sem a integração das políticas setoriais do planejamento urbano, de construção de edifícios verdes, de gerenciamentos de resíduos e da aplicação de instrumentos econômicos, não é possível mitigar os efeitos da emissão dos gases de efeito estufa”, disse o sociólogo Volf Steinbaum, assessor-técnico responsável pela condução do Programa de Mudanças Climáticas, na Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, durante encontro realizado na Biblioteca Temática Municipal em Meio Ambiente Raul Bopp, no Parque da Aclimação, em São Paulo. O evento integra a programação ambiental da Secretaria Municipal de Cultura.
A meta do Plano Municipal é de, até 2012, reduzir em 30% a emissão de gases de efeito estufa em relação ao ano de 2005. Exemplos de iniciativas de cidades européias, como Londres e Paris, serviram como fonte de inspiração para a PMMC, conforme destacou Steinbaum. “O crescimento do número de carros em São Paulo ocorre de forma irracional. Há casas que tem até cinco carros na garagem! Por isso, a prioridade é converter decisões climáticas de âmbito internacional na administração do lar, na esfera pública e das empresas”.
As mudanças, segundo ele, devem começar pela mudança do modelo de transporte adotado no município. “Está sendo planejado o aumento da frota de trólebus e de outros veículos de passageiros com combustíveis alternativos, além da rede metroviária e ferroviária”, afirmou o assessor.
Steinbaum também comentou que o transporte em ônibus é mais racional e fez a seguinte comparação: “Enquanto são precisos 127 carros para transportar 190 pessoas, o mesmo número de passageiros pode viajar em um ônibus tri-articulado ou em dois ônibus comuns”.
A ampliação das ciclovias no município é mais um aspecto de destaque no PMMC, como estímulo ao transporte alternativo não-motorizado. A programação da SVMA inclui a ampliação, em 70 km, do circuito na cidade. Hoje 29,5 km de ciclovias estão concluídos e 18,1 km em obras.
O município deverá investir, também, em campanhas educativas para promover a carona solidária em escolas e empresas, em conjunto com o incentivo ao hábito de caminhar. “Em Paris, é possível alugar bicicletas e lá está sendo introduzido o programa do carro solidário, no qual o motorista coloca o cartão de crédito para utilizar o veículo até determinado ponto, para que outro dê sequência”, ressaltou.
Para inibir o uso excessivo de veículos pelo município, serão estudadas formas de mexer no bolso do motorista, um dos temas que devem provocar mais polêmicas, quanto às estratégias do PMMC. “Os poluidores deverão pagar a conta. Dessa forma, o custo seria embutido no preço do combustível., disse. No caso de veículos com um passageiro, se estuda a proposta de sistema de tráfego tarifado. “Na Grande Londres, por exemplo, não se entra de carro, se não pagar pedágio”, diz.
O trânsito caótico do município de São Paulo, de acordo com a previsão do assessor técnico da SVMA, deverá diminuir ainda com outras medidas nos principais eixos viários. "Uma das ideias é implantar faixas exclusivas para veículos ocupados por mais de dois passageiros, além de aumentar as faixas exclusivas para trólebus. Ainda haverá o estímulo à criação de espaços terminais multimodais de carga no em torno da região metropolitana". Também se estuda o escalonamento de horários de atividades públicas e privadas, para diminuir os pontos de congestionamento em horário de pico.
O gerenciamento de resíduos é mais um ponto estratégico do combate às mudanças climáticas, de acordo com Steinbaum. Para isso, mais uma proposta desafiadora, que até hoje não foi concretizada em São Paulo, é a implementação do programa de Coleta Seletiva no município, com a instalação de ecopontos e central de triagem em cada distrito da cidade. “Outro projeto é estender a coleta a novos edifícios. Isso se agrega ao estímulo ao consumo sustentável, como a eliminação do uso de sacolas plásticas, entre outras ações”, diz.
Para auxiliar na promoção de todas as metas estabelecidas na PMMC, ainda neste mês, está prevista a formação do Conselho Consultivo da política, que será a interface entre poder público e sociedade. “Deverão compor o conselho, representantes de secretarias municipais, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (UNESP), da Eletropaulo, de uma das centrais sindicais, como também representantes do setor da construção, da indústria, entre outros”, adianta Steinbaum.
* Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA)
* Política de Mudança do Clima no Município de São Paulo (PMMC)
* Biblioteca Temática Municipal em Meio Ambiente Raul Bopp