Polêmica
A controvérsia verde
Prefeitura quer liberar construção de resorts em área de proteção ambiental
Patrick Moraes
Revista Veja Rio – 26/08/2009
Envolvida em discussões sobre o novo plano diretor da cidade, a prefeitura estuda a viabilidade da construção de onze eco-resorts nas áreas de proteção ambiental (APAs) de Marapendi e Grumari, na Zona Oeste do Rio. O modelo em análise difere do adotado em resorts exclusivos no Nordeste do país, com poucos bangalôs espalhados em áreas vastas, e chama atenção pela grandiosidade: são 200 suítes por imóvel.
Os novos empreendimentos pretendem diminuir o déficit hoteleiro carioca. Concorrente a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, a cidade precisa ter disponíveis 40.000 quartos, segundo as exigências do comitê organizador. Atualmente, o número beira os 20.000, de acordo com o dossiê da candidatura.
Criada em 1991, a APA de Marapendi está, entretanto, no meio de uma disputa judicial. Em 2005, a Câmara dos Vereadores aprovou lei complementar que diminuía as restrições da zona de ocupação controlada (ZOC-3) na restinga. No texto, o porcentual de edificação passava a 25% da área e o gabarito permitia construções de cinco andares – originalmente, os índices não ultrapassavam 10% e três pavimentos. As mudanças foram vetadas pelo ex-prefeito Cesar Maia e seguem sub judice.
Autor da lei que criou a área de proteção ambiental, o vereador Alfredo Sirkis (PV) considera o projeto equivocado. "Vejo com bons olhos, e a legislação permite, a construção de dois ou três pequenos resorts, com trinta ou quarenta quartos. Mas pôr hotéis de grande escala ali é matar o potencial ambiental da região", acredita. "Não se podem usar a Copa e a Olimpíada como pretexto para tudo."
Para o oceanógrafo David Zee, vice-presidente da Câmara Comunitária da Barra da Tijuca, os empreendedores teriam o encargo de zelar pela preservação ambiental da região. "Aquilo que era para ser protegido tornou-se abandonado", diz. "Desde que se respeitem todos os parâmetros e o ambiente não seja prejudicado, os operadores de eco-resort podem manter a área."
A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro vê na medida uma bem-vinda novidade turística para a cidade. "Os novos hotéis atrairiam um público classe AA", afirma Alfredo Lopes, presidente da entidade, que destaca a proximidade do aeroporto de Jacarepaguá como vantajosa para o pouso de jatinhos e helicópteros. Segundo Sirkis, mesmo que sejam feitas, as mudanças na legislação municipal podem ser insuficientes para viabilizar os resorts. "Existem parâmetros federais para a preservação de dunas, de vegetação e da faixa marginal de proteção costeira", explica. "Isso pode inviabilizar qualquer projeto ali. Espero que não vendam gato por lebre.
Envolvida em discussões sobre o novo plano diretor da cidade, a prefeitura estuda a viabilidade da construção de onze eco-resorts nas áreas de proteção ambiental (APAs) de Marapendi e Grumari, na Zona Oeste do Rio. O modelo em análise difere do adotado em resorts exclusivos no Nordeste do país, com poucos bangalôs espalhados em áreas vastas, e chama atenção pela grandiosidade: são 200 suítes por imóvel.
Os novos empreendimentos pretendem diminuir o déficit hoteleiro carioca. Concorrente a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, a cidade precisa ter disponíveis 40.000 quartos, segundo as exigências do comitê organizador. Atualmente, o número beira os 20.000, de acordo com o dossiê da candidatura.
Criada em 1991, a APA de Marapendi está, entretanto, no meio de uma disputa judicial. Em 2005, a Câmara dos Vereadores aprovou lei complementar que diminuía as restrições da zona de ocupação controlada (ZOC-3) na restinga. No texto, o porcentual de edificação passava a 25% da área e o gabarito permitia construções de cinco andares – originalmente, os índices não ultrapassavam 10% e três pavimentos. As mudanças foram vetadas pelo ex-prefeito Cesar Maia e seguem sub judice.
Autor da lei que criou a área de proteção ambiental, o vereador Alfredo Sirkis (PV) considera o projeto equivocado. "Vejo com bons olhos, e a legislação permite, a construção de dois ou três pequenos resorts, com trinta ou quarenta quartos. Mas pôr hotéis de grande escala ali é matar o potencial ambiental da região", acredita. "Não se podem usar a Copa e a Olimpíada como pretexto para tudo."
Para o oceanógrafo David Zee, vice-presidente da Câmara Comunitária da Barra da Tijuca, os empreendedores teriam o encargo de zelar pela preservação ambiental da região. "Aquilo que era para ser protegido tornou-se abandonado", diz. "Desde que se respeitem todos os parâmetros e o ambiente não seja prejudicado, os operadores de eco-resort podem manter a área."
A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro vê na medida uma bem-vinda novidade turística para a cidade. "Os novos hotéis atrairiam um público classe AA", afirma Alfredo Lopes, presidente da entidade, que destaca a proximidade do aeroporto de Jacarepaguá como vantajosa para o pouso de jatinhos e helicópteros. Segundo Sirkis, mesmo que sejam feitas, as mudanças na legislação municipal podem ser insuficientes para viabilizar os resorts. "Existem parâmetros federais para a preservação de dunas, de vegetação e da faixa marginal de proteção costeira", explica. "Isso pode inviabilizar qualquer projeto ali. Espero que não vendam gato por lebre.