dia da árvore
Buquês da natureza
Elas nos alimentam com seus frutos, nos protegem sob suas copas, nos encantam com suas flores. Resistem ao vento, acolhem os humores do clima, recebem o rigor da tempestade e a crueldade das motosserras. São as mães da natureza.
Helena Sá
Revista Bons Fluidos – 01/09/2009
Em 21 de setembro, Dia da Árvore, guarde um minuto para celebrar a beleza e o poder dessas criaturas que representam a generosidade da criação. E, agora, deleite-se com a seleção de espécies brasileiras que viram buquês para adoçar o olhar de quem passa em nossa galeria de fotos.
"As árvores são fáceis de achar/Ficam plantadas no chão/Mamam do sol pelas folhas/E pela terra/Também bebem água/Cantam no vento/E recebem a chuva de galhos abertos",
As Árvores, composição de Arnaldo Antunes/Jorge Ben Jor
EU AMO AS ÁRVORES
Quem ama cuida. Esse é o mantra da bióloga e paisagista Assucena Tupiassú, de São Paulo, que trata delas com carinho de mãe. Autora do livro Da Planta ao Jardim (Nobel), a moça chega a pedir licença a elas quando tem de fazer uma poda ou a coleta de um fruto. E já cometeu loucuras para salvar espécies ameaçadas - como fazer piquete em cima da árvore e evitar que fosse cortada. A paixão vem de cedo. No quintal de sua infância, a menina vivia inventando histórias em que as árvores eram personagens importantes.
Quando se sentia triste, logo ia se encarapitar nos galhos de uma velha seringueira, cujas raízes aéreas se transformavam na sua imaginação infantil em enormes lágrimas. Quem curte a natureza sabe: árvores são seres superiores. "Elas olham a vida de cima, enquanto nós enxergamos o que está perto e queremos resultados imediatos", filosofa Assucena, que vai adiante: "Seja qual for o tipo de poluição, elas cuidam de minimizá-la. Do ar, sonora, visual, das águas, do solo. E ainda amenizam a temperatura, controlam os ventos, melhoram a umidade do ar, produzem princípios ativos medicinais. Quer mais?"
"A beleza de uma árvore florida toma conta dos olhos e da alma. É impossível não se emocionar diante dela",
Assucena Tupiassú, bióloga e paisagista
PALMAS PARA O IPÊ
Força e resistência fazem do ipê um super-herói da natureza. "Trata-se de uma madeira capaz de sobreviver aos piores climas e, mesmo alagada, não apodrece", afirma a paisagista Sandra Siciliano, de São Paulo. Justamente por isso e por sua beleza, a espécie amarela acabou eleita a árvore-símbolo do país. "É como a bandeira brasileira, na visão da botânica", diz a bióloga Assucena Tupiassú. Alta, bem copada, floresce no fim do inverno e nos presenteia com seus buquês justamente na Semana da Pátria. Ele promove conforto térmico. Como outras espécies que perdem as folhas no inverno, a árvore deixa passar o calor do sol.
No verão, com a folhagem farta, faz uma sombra amiga. Os da espécie roxa merecem aplausos, pois trabalham contra o aquecimento global. Segundo o biólogo Vitor Lucato, eles devoram o dióxido de carbono, um dos gases responsáveis pelo efeito estufa. "Estima-se que um ipê viva em torno de 40 anos e sequestre cerca de 2,40 toneladas de CO2", complementa o engenheiro florestal carioca Renzo Solari. Entre o período de maio a agosto, o ipê sofre com a falta de água e acaba estressado, e então podemos sentir a força dessa espécie: "É admirável o modo como o ipê luta pela vida", diz Lucato.
"O homem, a fera e o inseto à sombra delas vivem, livres da fome e de fadigas, e em seus galhos abrigam-se as cantigas e os amores das aves tagarelas",
Velhas Árvores, poema de Olavo Bilac
TUDO PELO VERDE
O botânico paulista Ricardo Cardim é mais um fã de carteirinha da extensa família das árvores. Por causa dessa paixão, ele criou a Associação dos Amigos das Árvores de São Paulo e o blog Árvores de São Paulo. Tudo para sensibilizar a população sobre o papel dessas senhoras no equilíbrio do planeta. No blog, a conversa vai da abordagem mais científica a denúncias de maus tratos. Mas o grande barato do trabalho de Ricardo é o olhar especial que ele traz sobre as grandes cidades: "Muito se fala da necessidade de preservar a Amazônia, o que é fundamental. Não se pode esquecer, porém, das urgências do ambiente urbano, que concentra hoje a maioria da população, em todo o mundo", diz.
Esse é o canal para gente como a gente, que quer dar força à causa. Outra opção é o já famoso Clickárvores, programa de reflorestamento via internet criado pelo SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Ambiental Vidagua. Um simples clique no mouse e, pronto, mais uma muda vai para a terra, financiada por empresas parceiras. "São 27 mil cliques, em média, por dia, que resultam em 12 mil novos hectares arborizados", contabiliza Ludmila Pugliese, coordenadora de restauração florestal da SOS Mata Atlântica. O mundo depende das árvores para manter o ciclo das águas, a temperatura, o estoque de alimentos e a estabilidade ecológica. Clique já!
Em 21 de setembro, Dia da Árvore, guarde um minuto para celebrar a beleza e o poder dessas criaturas que representam a generosidade da criação. E, agora, deleite-se com a seleção de espécies brasileiras que viram buquês para adoçar o olhar de quem passa em nossa galeria de fotos.
"As árvores são fáceis de achar/Ficam plantadas no chão/Mamam do sol pelas folhas/E pela terra/Também bebem água/Cantam no vento/E recebem a chuva de galhos abertos",
As Árvores, composição de Arnaldo Antunes/Jorge Ben Jor
EU AMO AS ÁRVORES
Quem ama cuida. Esse é o mantra da bióloga e paisagista Assucena Tupiassú, de São Paulo, que trata delas com carinho de mãe. Autora do livro Da Planta ao Jardim (Nobel), a moça chega a pedir licença a elas quando tem de fazer uma poda ou a coleta de um fruto. E já cometeu loucuras para salvar espécies ameaçadas - como fazer piquete em cima da árvore e evitar que fosse cortada. A paixão vem de cedo. No quintal de sua infância, a menina vivia inventando histórias em que as árvores eram personagens importantes.
Quando se sentia triste, logo ia se encarapitar nos galhos de uma velha seringueira, cujas raízes aéreas se transformavam na sua imaginação infantil em enormes lágrimas. Quem curte a natureza sabe: árvores são seres superiores. "Elas olham a vida de cima, enquanto nós enxergamos o que está perto e queremos resultados imediatos", filosofa Assucena, que vai adiante: "Seja qual for o tipo de poluição, elas cuidam de minimizá-la. Do ar, sonora, visual, das águas, do solo. E ainda amenizam a temperatura, controlam os ventos, melhoram a umidade do ar, produzem princípios ativos medicinais. Quer mais?"
"A beleza de uma árvore florida toma conta dos olhos e da alma. É impossível não se emocionar diante dela",
Assucena Tupiassú, bióloga e paisagista
PALMAS PARA O IPÊ
Força e resistência fazem do ipê um super-herói da natureza. "Trata-se de uma madeira capaz de sobreviver aos piores climas e, mesmo alagada, não apodrece", afirma a paisagista Sandra Siciliano, de São Paulo. Justamente por isso e por sua beleza, a espécie amarela acabou eleita a árvore-símbolo do país. "É como a bandeira brasileira, na visão da botânica", diz a bióloga Assucena Tupiassú. Alta, bem copada, floresce no fim do inverno e nos presenteia com seus buquês justamente na Semana da Pátria. Ele promove conforto térmico. Como outras espécies que perdem as folhas no inverno, a árvore deixa passar o calor do sol.
No verão, com a folhagem farta, faz uma sombra amiga. Os da espécie roxa merecem aplausos, pois trabalham contra o aquecimento global. Segundo o biólogo Vitor Lucato, eles devoram o dióxido de carbono, um dos gases responsáveis pelo efeito estufa. "Estima-se que um ipê viva em torno de 40 anos e sequestre cerca de 2,40 toneladas de CO2", complementa o engenheiro florestal carioca Renzo Solari. Entre o período de maio a agosto, o ipê sofre com a falta de água e acaba estressado, e então podemos sentir a força dessa espécie: "É admirável o modo como o ipê luta pela vida", diz Lucato.
"O homem, a fera e o inseto à sombra delas vivem, livres da fome e de fadigas, e em seus galhos abrigam-se as cantigas e os amores das aves tagarelas",
Velhas Árvores, poema de Olavo Bilac
TUDO PELO VERDE
O botânico paulista Ricardo Cardim é mais um fã de carteirinha da extensa família das árvores. Por causa dessa paixão, ele criou a Associação dos Amigos das Árvores de São Paulo e o blog Árvores de São Paulo. Tudo para sensibilizar a população sobre o papel dessas senhoras no equilíbrio do planeta. No blog, a conversa vai da abordagem mais científica a denúncias de maus tratos. Mas o grande barato do trabalho de Ricardo é o olhar especial que ele traz sobre as grandes cidades: "Muito se fala da necessidade de preservar a Amazônia, o que é fundamental. Não se pode esquecer, porém, das urgências do ambiente urbano, que concentra hoje a maioria da população, em todo o mundo", diz.
Esse é o canal para gente como a gente, que quer dar força à causa. Outra opção é o já famoso Clickárvores, programa de reflorestamento via internet criado pelo SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Ambiental Vidagua. Um simples clique no mouse e, pronto, mais uma muda vai para a terra, financiada por empresas parceiras. "São 27 mil cliques, em média, por dia, que resultam em 12 mil novos hectares arborizados", contabiliza Ludmila Pugliese, coordenadora de restauração florestal da SOS Mata Atlântica. O mundo depende das árvores para manter o ciclo das águas, a temperatura, o estoque de alimentos e a estabilidade ecológica. Clique já!