aquíferos
Água subterrânea: invisível e contaminada
Principal fonte de água doce do mundo, as águas subterrâneas - que correspondem a 97% dos recursos hídricos para consumo humano - estão sendo crescentemente contaminadas em todo o mundo por resíduos industriais, derivados de petróleo e esgoto não tratado
Manoella Oliveira
Planeta Sustentável - 16/09/2009
Segundo estimativas da ABAS - Associação Brasileira de Águas Subterrâneas, apenas 28 a cada um milhão de litros de água do planeta são de água doce, algo como 84 latinhas de cerveja em relação a uma piscina olímpica. Dessa quantidade, na mesma analogia, meio copo está disponível para consumo na superfície, em lagos, rios, represas e açudes, enquanto 17 latinhas estariam embaixo da terra.
São essas águas subterrâneas que abastecem, apenas no Estado de São Paulo, 80% dos municípios total ou parcialmente. Segundo Everton de Oliveira, secretário-executivo da Abas, 97% dos recursos hídricos para consumo humano são formados por essas águas, embora as pessoas não deem o devido valor a elas, já que elas estão sob o solo e não são vistas.
De acordo com a Cetesb – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a maior fonte de contaminação são os postos de combustíveis, que afetam 78% das áreas contaminadas, seguidas por resíduos industriais que respondem por 13%. Ao todo, são 2514 locais contaminados no estado de São Paulo afetadas, principalmente, por derivados de petróleo, como benzeno, tolueno, etilbenzeno e xileno, e nitrato proveniente de esgoto não tratado.
O tratamento tem custo bastante elevado e variável, em torno de R$500 mil por área, de forma que o passivo ambiental do Brasil já ultrapassa R$15 bilhões. Em alguns casos, o espaço está em condições tão adversas que não há soluções, nesses casos, o uso da água é, naturalmente, proibido.
Para reverter a situação crescente de piora ambiental, São Paulo criou, em junho deste ano, a lei 13577 que estabelece normas e diretrizes para proteção do solo e gerenciamento de águas contaminadas. O documento institui que quando houver comprometimento de uma fonte de abastecimento de água, o responsável pela contaminação deverá fornecer fonte alternativa de água potável para a população afetada. Alagoas tem uma lei semelhante, que foi sancionada em setembro.
Em âmbito federal, ainda não há legislação, mas a Comissão de Meio Ambiente do Senado Federal aprovou, no último mês, uma audiência pública para discutir o uso de águas superficiais e subterrâneas brasileiras, sua titularidade e gerenciamento. O assunto será tema da PEC 43 – Proposta de Emenda Constitucional 43, que pretende transferir o domínio dessas águas do estados para a União. A Abas é contra. Everton Souza, presidente da Instituição, acredita que os órgãos estaduais estão mais estruturados e capacitados para gerir tais recursos.
O MMA - Ministério do Meio Ambiente também está se movimentando. No último dia 15, foi lançado, durante o I Congresso Internacional de Meio Ambiente Subterrâneo, realizado entre 15 e 18 deste mês, em São Paulo, o PNAS - Programa Nacional de Águas Subterrâneas que objetiva aprofundar o conhecimento sobre o tema e definir as bases legal e institucional para o gerenciamneto das águas subterrâneas.
* ABAS - Associação Brasileira de Águas Subterrâneas
* Cetesb – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo
* Ministério do Meio Ambiente
* PNAS - Programa Nacional de Águas Subterrâneas
Leia também:
Um crime...depois de morto
A quantas anda o saneamento?
Segundo estimativas da ABAS - Associação Brasileira de Águas Subterrâneas, apenas 28 a cada um milhão de litros de água do planeta são de água doce, algo como 84 latinhas de cerveja em relação a uma piscina olímpica. Dessa quantidade, na mesma analogia, meio copo está disponível para consumo na superfície, em lagos, rios, represas e açudes, enquanto 17 latinhas estariam embaixo da terra.
São essas águas subterrâneas que abastecem, apenas no Estado de São Paulo, 80% dos municípios total ou parcialmente. Segundo Everton de Oliveira, secretário-executivo da Abas, 97% dos recursos hídricos para consumo humano são formados por essas águas, embora as pessoas não deem o devido valor a elas, já que elas estão sob o solo e não são vistas.
De acordo com a Cetesb – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a maior fonte de contaminação são os postos de combustíveis, que afetam 78% das áreas contaminadas, seguidas por resíduos industriais que respondem por 13%. Ao todo, são 2514 locais contaminados no estado de São Paulo afetadas, principalmente, por derivados de petróleo, como benzeno, tolueno, etilbenzeno e xileno, e nitrato proveniente de esgoto não tratado.
O tratamento tem custo bastante elevado e variável, em torno de R$500 mil por área, de forma que o passivo ambiental do Brasil já ultrapassa R$15 bilhões. Em alguns casos, o espaço está em condições tão adversas que não há soluções, nesses casos, o uso da água é, naturalmente, proibido.
Para reverter a situação crescente de piora ambiental, São Paulo criou, em junho deste ano, a lei 13577 que estabelece normas e diretrizes para proteção do solo e gerenciamento de águas contaminadas. O documento institui que quando houver comprometimento de uma fonte de abastecimento de água, o responsável pela contaminação deverá fornecer fonte alternativa de água potável para a população afetada. Alagoas tem uma lei semelhante, que foi sancionada em setembro.
Em âmbito federal, ainda não há legislação, mas a Comissão de Meio Ambiente do Senado Federal aprovou, no último mês, uma audiência pública para discutir o uso de águas superficiais e subterrâneas brasileiras, sua titularidade e gerenciamento. O assunto será tema da PEC 43 – Proposta de Emenda Constitucional 43, que pretende transferir o domínio dessas águas do estados para a União. A Abas é contra. Everton Souza, presidente da Instituição, acredita que os órgãos estaduais estão mais estruturados e capacitados para gerir tais recursos.
O MMA - Ministério do Meio Ambiente também está se movimentando. No último dia 15, foi lançado, durante o I Congresso Internacional de Meio Ambiente Subterrâneo, realizado entre 15 e 18 deste mês, em São Paulo, o PNAS - Programa Nacional de Águas Subterrâneas que objetiva aprofundar o conhecimento sobre o tema e definir as bases legal e institucional para o gerenciamneto das águas subterrâneas.
* ABAS - Associação Brasileira de Águas Subterrâneas
* Cetesb – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo
* Ministério do Meio Ambiente
* PNAS - Programa Nacional de Águas Subterrâneas
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