Setor de saúde não trata o lixo corretamente

Dar uma
destinação correta para os
resíduos sólidos, assim como manuseá-los e armazená-los de forma certa, é essencial para a nossa
saúde, mas, ironicamente, é justamente no setor dos cuidados médicos que são cometidos grandes erros no
tratamento do lixo.
O dado é da 6ª edição do
Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, divulgada recentemente pela
Abrelpe – Associação de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais. A pesquisa, referente a 2008, mostrou que 45% dos RSS – Resíduos dos Serviços de Saúde coletados em todo o Brasil têm destinação incorreta e acabam em lixões que não têm nenhum controle sanitário.
Pior do que isso, o estudo apontou que os RSS estão sendo manuseados e separados de forma indevida. Segundo membros da Abrelpe, a culpa é das Resoluções 306 e 358, da Anvisa e do Conama, respectivamente, que dispensam hospitais e outros estabelecimentos do setor de saúde da responsabilidade de tratar todos os resíduos infectantes que produzem.
Com isso, bolsas de sangue e objetos cortantes, por exemplo – que são grandes transmissores de doenças –, estão sendo misturados com outros resíduos não-infectantes do setor de saúde e, todos, são destinados de forma incorreta à lixões despreparados.
Mudar isso é simples: ainda segundo a pesquisa, para separar e destinar os RSS de forma correta e, assim, reduzir significativamente os riscos de contaminação da população, os hospitais e serviços de saúde não gastariam mais do que 0,5% do seu faturamento anual.
Mas, enquanto a Lei brasileira não obrigar, será que alguém estará disposto a mudar?
Foto de Joel Rocha
Leia também:
O lixo dos outros e o nosso O sistema ainda é um lixo Em São Paulo, governo punirá aterros irregulares *Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil – 2008
*Abrelpe – Associação de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais
Comentários