Como costuma acontecer em reuniões de negociação da UNFCCC – Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, países ricos e pobres se mostram em lados opostos da negociação, cada um defendendo seus próprios interesses. Em Bangkok, na penúltima reunião preparatória para a 15ª COP – Conferência das Partes, da ONU, em Copenhague, não tem sido diferente.
Ontem, a polêmica era sobre o fim do Protocolo de Kyoto. O primeiro período de compromisso do acordo que foi assinado pelos países do chamado Anexo I – os 37 industrializados, exceto os EUA, que já têm metas de redução de emissões de carbono em 5,2% – termina em 2012 e deveria ser renovado por mais quatro anos, de acordo com o que fosse decidido em Copenhague.
No entanto, o Japão, que faz parte do Anexo I, sugeriu que se acabasse com o Protocolo de Kyoto e se fechasse um novo acordo em Copenhague.
Os G77 + China viram a proposta com a desconfiança de que os países ricos desejem estabelecer um acordo ineficaz e pouco exigente em Copenhague. O principal enviado da China para o encontro, Yu Qingtai, considerou uma perda de energia querer, a essa altura, desmantelar o Protocolo de Kyoto em vez de buscar metas rígidas para a redução de emissões de gases de efeito estufa e acusou os países do Anexo I de falta de vontade política.
De acordo com a reportagem publicada pela agência Associated Press, e reproduzida no site da COP-15, Yvo de Boer, secretário da Convenção-Quadro da ONU, comentou, na última semana, sobre sua frustração em ver os países em desenvolvimento se oferecendo para reduzir suas próprias emissões, enquanto os países ricos não estão assumindo compromissos equiparáveis.
Ainda segundo a agência, o negociador-chefe da Suécia, que atualmente preside a União Européia, afirmou que os países da UE não pretendem acabar com o Protocolo de Kyoto.