Blog da Redação
28/10/2009 às 17:34
O que é Pegada Ecológica


A Pegada Ecológica calcula a pressão do ser humano sobre o planeta, medindo a rapidez com que consumimos recursos naturais e produzimos resíduos, em comparação com a capacidade do planeta de absorver esses resíduos e gerar novos recursos – denominada de biocapacidade.

Os dados mais recentes, de 2006, sobre a biocapacidade do planeta apontam para 2,1 hectares por pessoa, enquanto nosso consumo já é de 2,7 hectares por pessoa. Isso quer dizer que estamos consumindo cerca de 1,4 planeta e que a Terra precisa de 16 meses para repor o que usamos em 12. Se continuarmos com um modelo de desenvolvimento como o que temos atualmente, em 2050, quando se estima que seremos 9 bilhões de habitantes, teremos uma dívida ecológica de 24 meses, e ainda não se tem certeza se o planeta, de fato, aguentaria uma pressão deste tamanho.

Vale considerar que estamos falando apenas de uma entre as 1,4 milhões de espécies existentes. Ou seja, não adianta apenas calcular qual é a biocapacidade da Terra e o quanto podemos consumir. Há que se pensar sobre o quanto de biodiversidade estamos dispostos a conservar. Jennifer Mitchel, diretora da Global Footprint Network, diz que se trata de uma decisão sobre em que tipo de mundo queremos viver. Isso sem contar que ainda será necessário deixar recursos suficientes para as gerações futuras.

A chamada Pegada de Carbono corresponde à metade da Pegada Ecológica e é o componente que cresce mais rapidamente. E é onde podemos atuar de maneira mais intensiva para diminuir a sobrecarga sobre o planeta. Até porque, o aumento de temperatura da Terra pode diminuir ainda mais o acesso a recursos naturais.

A pegada ecológica de cada país é calculada a partir de mais de 5 mil dados reportados pelos próprios países à ONU. “É uma medida conservadora, com a sobreestimação da biocapacidade dos países e uma subestimação do consumo”, admite Jennifer Mitchel.

Hoje, os Emirados Árabes são o país que tem a maior pegada ecológica do mundo, consomem 9,6 hectares globais por pessoa. Os Estados Unidos vêem em segundo lugar, com 9,4 hectares globais por pessoa. Se todos os habitantes do planeta tivessem o mesmo estilo de vida que os americanos, seriam necessários 4,5 planetas para suprir todo o consumo.

A biocapacidade brasileira é a segunda maior do planeta – 7,3 hectares/pessoa, atrás apenas dos EUA. No entanto, a pegada ecológica do Brasil é de 2,4 hectares por pessoa. Isso quer dizer que consumimos menos do que nosso país tem capacidade de gerar, mas, em termos globais, superamos a biocapacidade do planeta. A China, por outro lado, tem apenas 0,9 hectares de biocapacidade, mas consome 2,1 hectares/pessoa. Ou seja, os chineses estão na média do que o planeta pode aguentar, mas não suprem os recursos que consomem em seu próprio território.

Ao longo do tempo, um país pode conseguir reduzir sua pegada ecológica e isso não implica em prejuízos para seu desenvolvimento socioeconômico. O Brasil faz esse caminho. Em 1977, nossa pegada era de 2,8 hectares globais por pessoa e nosso IDH de 0,66. Dez anos depois, havíamos diminuído a pegada para 2,6, enquanto o IDH crescia para 0,71. Os dados de 2006 apontam uma pegada ecológica de 2,4 e um IDH de 0,8. Outro exemplo disso é a Europa, que tem um IDH tão alto quanto o dos EUA e, no entanto, metade da pegada de um americano.

Em uma escala IDH x Pegada Ecológica, realizada pela Global Footprint Network, Cuba é o país mais sustentável do mundo, ou seja, tem um IDH alto e uma baixa Pegada Ecológica.

A ferramenta, é claro, tem suas limitações. A Pegada Ecológica só mede os recursos naturais renováveis a cada ano e que estão na superfície do planeta, não mede água e nem recursos minerais. Também não faz distinção entre uma área de floresta e outra utilizada pela agricultura. O que significa que se uma região for desmatada para o plantio de soja, por exemplo, isso não será contemplado.

Os esforços da Global Footprint Network são para que todos os seres humanos satisfaçam suas necessidades usando um planeta apenas, afinal, é exatamente isso que temos. Para tanto, além de inovação tecnológica e investimento de recursos financeiros, será necessário também mudar hábitos de consumo e reduzir o crescimento da população.

Daqui pra frente, cada vez mais, será impossível não considerar a limitação de nossos recursos naturais na tomada de qualquer decisão que envolva o consumo destes.

*Global Footprint Network






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