
A possível candidatura de Marina Silva à presidência já é notícia internacional. Na semana passada, a senadora e ex-ministra do Meio Ambiente deixou o Partido dos Trabalhadores, a que era filiada há quase 30 anos. Hoje, ela confirmou sua filiação ao Partido Verde, que será comemorada no dia 30, em São Paulo, e disse que só em 2010 vai dizer se será, de fato, presidenciável.
Quando Marina deixou o Ministério do Meio Ambiente, em maio de 2008, diversos veículos internacionais, entre eles The Guardian, BBC, The New York Times e a agência Reuters, repercutiram sua decisão e afirmaram que a credibilidade brasileira em termos ambientais estava seriamente abalada (veja reportagem Antes e depois de Marina Silva).
Na semana passada, lá estava ela novamente ocupando seu espaço. No site oficial da 15ª COP – Conferência das Partes, que vai acontecer em Dezembro deste ano, em Copenhague, o título da nota era, em tradução livre, “Ambientalista concorre à presidência brasileira”. O site ressaltou o fato de Marina ter deixado o PT para viabilizar sua candidatura, lembrou sua luta pela proteção da Amazônia e o seu desejo de romper com o crescimento econômico a qualquer custo.
Essa também foi a abordagem do The Guardian, que associou o nome de Marina à esperança de reinserir o meio ambiente na agenda dos governos da América do Sul e citou Zuenir Ventura, que havia declarado que a senadora trazia um “toque que Barack Obama às eleições brasileiras”.
O site Mongabay também comparou Marina a Obama e citou Sérgio Abranches, afirmando que a presença da senadora altera a estrutura do jogo presidencial. No entanto, diz que ela poderá ter problemas pelo fato de estar, agora, em um partido mais fraco e que enfrentará a força dos opositores às suas ideias.
E o TreeHugger lembrou a frase da ex-ministra: “O crescimento pelo crescimento não é mais um pensamento válido”.
A BBC disse que Marina tem poucas chances de ganhar as eleições de fato, mas pode trazer impactos à corrida presidencial. A notícia ainda falava de sua oposição, sem sucesso, às hidrelétricas no Rio Madeira e à pavimentação da BR 319.
Todos os meios de comunicação lembraram o fato de Marina ter deixado o ministério em 2008 por dificuldades em inserir as questões ambientais e o desenvolvimento sustentável da região amazônica na agenda do governo. Sua origem pobre, o fato de ter sido analfabeta até os 14 anos e seu contato direto com Chico Mendes também costumam ser citados a favor dela.
Veja as notícias internacionais sobre Marina:
15ª COP
The Guardian
Mongabay
TreeHugger
BBC
Imagem: Rodrigo Moreira