Na manhã de ontem, a senadora Marina Silva esteve presente no lançamento do produto Conformidade Ambiental, da Serasa Experian. Durante a coletiva, ela comentou sobre o papel do Brasil na 15ª Conferência das Partes, em Copenhague.
Para a senadora, não podemos comprar, previamente, a ideia de que a COP-15 será um fracasso. “Esse é o momento de a opinião pública internacional se posicionar para impedir que isso aconteça”. Mas ela também disse entender o desânimo de algumas pessoas, como o do próprio ministro Sérgio Rezende, que afirmou recente estar deseperançoso em relação às negociações. Especialmente, em função da falta de uma definição do governo brasileiro em relação ao que será apresentado em Copenhague. “Até agora não avançamos”, comentou Marina.
A opinião dela é de que não apenas os países desenvolvidos arquem com metas de redução de emissões, mas também os países em desenvolvimento – “porque eles são responsáveis por mais da metade das emissões”. A senadora ainda afirmou que a Legislação sobre o Clima, que tramita no Congresso americano, sinaliza uma mudança de postura do país. “Ainda que as propostas sejam tímidas, os EUA estão entrando no jogo e isso vai fazer a diferença”.
Sobre o fato de a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, ter sido nomeada para chefiar a equipe que vai a Copenhague, Marina disse entender que essa é uma decisão do presidente Lula. “Quando eu era ministra do Meio Ambiente, sugeri que o próprio presidente coordenasse o Plano de Combate ao Desmatamento, através da Casa Civil, inicialmente com o ministro José Dirceu e, em seguida, com a ministra Dilma Roussef”, lembrou Marina. Questionada sobre a possibilidade de a escolha de Lula se tratar de uma jogada eleitoral, a senadora disse que espera que todas as candidaturas presidenciais fiquem ainda mais verdes do que a dela, “para o bem do Brasil”.
A senadora afirmou que o mais importante é que o Brasil vá à Conferência comprometido não apenas em reduzir emissões provenientes do desmatamento, mas também dos setores de energia, agricultura e indústria, a que Marina deu o nome de “meta global”. Sua esperança é de que o país lidere duplamente, tanto dentro do G77, quanto em relação aos países desenvolvidos.
“É o que eu chamo de constrangimento ético”, disse a senadora. “Se um país em desenvolvimento, com menos recursos e tecnologia e com desigualdade social, é capaz de ter metas, por que os países ricos, que têm responsabilidade histórica, mais tecnologias e recursos não teriam?”. Marina defende que busquemos todos uma nova forma de cumprir o acordo de reduzir as emissões de carbono em 80% até 2050, em vez de nos esquivarmos no princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.