
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o primeiro a discursar, ontem, na Assembléia Geral da ONU. Além de falar sobre crise financeira e governança mundial, abordou também o assunto das mudanças climáticas.
Lula começou falando sobre a resistência dos países ricos em fazer sua parte e atribuiu a esse grupo “responsabilidades exclusivas”, que não poderiam ser transferidas aos demais países, e comentou que as metas de redução de emissões para os desenvolvidos deveriam ser mais ambiciosas.
Sobre o Brasil, ele ressaltou nosso Plano Nacional de Mudanças Climáticas e se vangloriou de nossa meta de diminuição de 80% do desmatamento da Amazônia até 2020 – o que faria com que a redução de emissões brasileiras, na conta do presidente, superasse o compromisso conjunto dos países desenvolvidos.
No discurso, ainda foram citadas nossa matriz energética limpa, o uso do etanol como combustível e o sucesso do carro flex. Lula se resguardou das críticas recorrentes em relação às más condições de trabalho e a destruição da vegetação em áreas de canaviais dizendo que:
- a atividade foi proibida em áreas de vegetação nativa;
- o setor não ocupa mais do que 2% das terras agricultáveis;
- não ameaça a segurança alimentar do país e
- empresários, governo e trabalhadores assinaram um pacto que garante boas condições de trabalho nos canaviais.
Apesar da descoberta do pré-sal, o presidente disse que “o Brasil não renunciará à agenda ambiental para ser apenas um gigante do petróleo” e anunciou a intenção de nos tornarmos uma “potência mundial verde”.
Lula cobrou mais recursos para que sejam feitas as inovações tecnológicas necessárias nos países em desenvolvimento para o combate às mudanças climáticas e voltou a reforçar a ideia das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.
Foto: Ricardo Stuckert/PR - Agência Brasil