
Em tempos de mudanças climáticas, de redução de emissões e de propostas para COP-15 - encontro que irá reunir mais de 200 países para discutir políticas e frear o aquecimento global - o Ministério do Meio Ambiente divulgou que a emissão de CO2 do cerrado é igual, em volume, à da Amazônia, cerca de 350 milhões de toneladas por ano.
E tem mais. A degradação do cerrado entre 2002 e 2008 foi o dobro do contabilizado na floresta: ultrapassou 21 mil km, contra 10 mil km. De acordo com o MMA, enquanto a taxa de desmatamento da Amazônia caiu 50% ao ano, a do cerrado se manteve a mesma, em torno de 1%.
A cultura de soja para exportação e a pecuária extensiva são apontados como grandes vilões, embora o ministro Carlos Minc tenha insinuado que parte da culpa é da gestão passada que se dedicou à Amazônia em detrimento do cerrado. E como vai ser daqui para frente?
Segundo o ministro, os números não caracterizam o desmate como legal ou ilegal, mas acredita-se que boa parte do prejuízo ambiental seja legalizado, já que o Código Florestal prevê cerrado que integra a Amazônia Legal seja preservado em 35% e, fora, dela, a reserva legal é de menos de 20%.
A partir desse levantamento, e da constatação de que essas perdas afetam o ciclo hídrico das principais bacias brasileiras, diminuindo a oferta de água, e eliminam algo em torno de 12 mil espécies, o bioma ganhará novos rumos, o PPCerrado - Plano de Ação de Prevenção e Controle do Desmatamento no Bioma Cerrado.
A ideia é monitorar o desmatamento anual do cerrado, via satélite, como já acontece na Amazônia, em um programa realizado em parceria com o Inpe - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais ainda sem data para entrar em funcionamento. Atualmente, o bioma tem 7,5% do seu território protegido, mas a intenção é chegar a 10%, por meio do aumento do número de áreas de conservação.
Outra ideia do Ministro é transformar o cerrado em patrimônio nacional, como acontece com a Mata Atlântica, o Pantanal, a Amazônia, a Serra do Mar e a Zona Costeira. Será o suficiente?
*Ministério do Meio Ambiente
*Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
*Foto: Isabel Schimidt