Na última semana, países signatários da Convenção do Clima, da ONU, estiveram reunidos em Bonn, na Alemanha, para mais um encontro preparatório antes da 15ª COP – Conferência das Partes, da ONU, em Copenhague, em dezembro deste ano. Sua principal função era sintetizar o enorme documento que se tem até agora do que, provavelmente, comporá um acordo internacional de redução de emissões de carbono, a ser posto em prática depois de 2012, quando expira o Protocolo de Kyoto. O objetivo da negociação é controlar as mudanças climáticas e permitir que a temperatura da Terra aumente em, no máximo, 2ºC.
O resultado do encontro ficou aquém das expectativas. Yvo de Boer, secretário executivo da UNFCCC – United Nations Framework Convention on Climate Change, referindo-se ao acordo climático, comentou no último briefing à imprensa: “a essa velocidade, não vamos fazê-lo”.
Boer considera que as propostas de redução de emissões de gases de efeito estufa feitas pelos países desenvolvidos ainda não são ambiciosas o suficiente. Ele ainda criticou o fato de as metas estarem centradas em alguns países e com foco apenas na mitigação do aquecimento global, não na adaptação aos eventos extremos que, certamente, ocorrerão e podem gerar verdadeiras catástrofes para determinados países, especialmente os menos desenvolvidos.
Ao denominar as mudanças climáticas de “game over”, o secretário executivo chamou a atenção daqueles que defendem que o mundo tem outras prioridades, que poderemos postergar as discussões sobre aquecimento global e mesmo sobreviver a um aumento de temperatura superior a 2ºC. “Acredito que esse é o caminho para um desastre global”, enfatiza.
Yvo de Boer afirmou ainda que os próximos encontros antes de Copenhague – no dia 28 de setembro, em Bancoc, Tailândia, e em novembro, em Barcelona, Espanha – devem definir como o acordo climático global vai funcionar na prática.
Por enquanto, o que dá para saber é que a União Européia e os Estados Unidos devem exigir metas quantificáveis de países em desenvolvimento como Brasil, Índia e China, que insistem em alegar que a responsabilidade maior é dos países desenvolvidos, por questões históricas.
A preservação das florestas, as regras para o mecanismo de REDD – Redução de Emissões para o Desmatamento e Degradação, a polêmica sobre a compensação de créditos de carbono para os países com metas obrigatórias e as emissões causadas por fatores naturais também já fazem parte das discussões atuais entre os países e serão levadas a Copenhague.
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UNFCCC