A contribuição das lâmpadas para crise climática

Cerca de dois terços da iluminação utilizada no mundo é ineficiente, gerada por tecnologias desenvolvidas na década de 1970 ou antes. O dado é de
Harry Verhaar, integrante do comitê que articulou acordo entre a Federação dos Fabricantes de Lâmpadas da Europa e a
União Europeia para a substituição definitiva das
lâmpadas incandescentes por outras de baixo consumo de energia e diretor de Eficiência Energética e Mudanças Climáticas na Philips Lighting.
A boa notícia é que as soluções para todos os segmentos, de
iluminação pública a lâmpadas de refrigeradores, já existem, mas a substituição das antigas pelas novas é muito lenta: falta conscientização dos consumidores, políticas de implementação e, claro, parcerias entre governo e instituições privadas para financiar os projetos maiores. O potencial de economia energética, caso as adaptações fossem feitas, seria superior a 40%. Em valores, isso corresponderia a 120 bilhões de euros e evitar 630 milhões de CO2 na atmosfera.
“Há dois anos, a Rússia teve apagão em Moscóvia e já anunciou que vai eliminar as incandescentes”, diz Verhaar ao explicar a dimensão da crise energética, que se entrelaça com a de mudanças climáticas e a econômica. A partir de setembro, as “vilãs” também vão estar proibidas de figurar nos portfólios das lojas europeias.
No Brasil, a questão ainda é polêmica, dado que o país não oferece estrutura para reciclar as
fluorescentes. Então, seria melhor abolir as incandescentes aqui também? Para o holandês, a primeira preocupação é desenvolver lâmpadas que durem mais, sejam mais eficientes e contenham menos ou nenhum mercúrio. “O ideal é fechar o ciclo, coletar essas lâmpadas e ter condições de reciclá-las”, opina. “Essa é uma tendência global e o Brasil está inserido nessa discussão. Talvez, leve mais tempo por aqui, mas o importante é mudar”.
*Foto: Divulgação
Comentários