Esta semana, o jornalista Caco de Paula concedeu entrevista para o site da Alcoa sobre o movimento Planeta Sustentável do qual é publisher. Ele comentou a iniciativa da Alcoa com seu Prêmio de Inovação em Alumínio e ressaltou que, sem informação, não há discernimento, portanto, impossível fazer uma escolha consciente. Leia, abaixo, o texto na íntegra:
Ampliar o conhecimento sobre o tema sustentabilidade é a missão do Planeta Sustentável, projeto desenvolvido pela Editora Abril com 13 milhões de leitores e participação de revistas e sites do grupo, que se tornou referência e fonte de consulta sobre o assunto. À frente dele está Caco de Paula, jornalista há 30 anos, diretor do Núcleo de Turismo da Editora Abril - composto pela revista Viagem e Turismo, Guias Quatro Rodas, pela edição brasileira da National Geographic e portal Viaje Aqui -, e Publisher do movimento PLANETA SUSTENTÁVEL. Caco foi repórter e editor de O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, repórter de Veja, editor de Veja São Paulo, e participou do projeto da revista Vida Simples.
Alcoa - Como você avalia a cobertura pela imprensa de assuntos relacionados à sustentabilidade?
Caco de Paula - A cobertura da imprensa vem melhorando muito, mas pode melhorar muito mais. Acredito que o principal problema está na falta de uma visão mais mediana sobre o tema. O que vemos é que muito mais veículos hoje estão se dedicando ao tema, mas a maioria ainda peca, ora por fazer um conteúdo ingênuo demais, ora por não conseguir preparar e transmitir um conteúdo compreensível a um público mais amplo. É por isso que acreditamos muito na fórmula encontrada no Planeta Sustentável, onde conseguimos falar sobre sustentabilidade traduzindo o tema para as linguagens de espectro de referências de cada audiência.
Assim, falamos sobre sustentabilidade no âmbito de viagem para quem lê Viagem e Turismo ou Guia Quatro Rodas, de informática para quem lê a revista Info Exame, de negócios na cobertura de Exame e de atualidade de informação em Veja. Ou seja, creio que a maior razão do sucesso do Planeta Sustentável esteja em nossa capacidade de expressão em 35 linguagens referentes às 35 revistas participantes, o mesmo para sites e eventos. É assim que estamos falando com mais de 13 milhões de leitores. Na linguagem acessível a cada um.
Qual o papel dos meios de comunicação na ampliação do debate sobre sustentabilidade e na mobilização da sociedade em torno do assunto?
O papel dos meios de comunicação é tornar mais compreensíveis alguns temas que originalmente podem parecer complexos demais. Recentemente editamos uma cartilha com dicas sobre hábitos sustentáveis no dia-a-dia. Imprimimos mais de 2,5 milhões de cópias desse material e temos uma versão ampliada, na internet, com mais de 100 dicas. O sucesso desse tipo de iniciativa mostra que o público está interessado, se houver quem leve a ele uma visão que o aproxime de sua realidade e não um discurso em "sustentabilidez", acessível apenas a iniciados. Creio que o papel dos meios é compreender a questão, torná-la interessante e acessível para as audiências e, sim, ter opinião sobre o assunto.
Você acredita que a sustentabilidade é ainda pouco compreendida pela sociedade, apesar de muito falada atualmente?
Sem nenhuma dúvida. Ainda há muita confusão sobre sustentabilidade, um conceito que, para muitos, é entendido apenas como um sinônimo de "ambiental", ou mesmo de "responsabilidade social", ou "benemerência", "fazer o bem", "salvar o planeta". Primeiro porque uma visão mais ampla de sustentabilidade está apoiada em ao menos três pilares, que são o econômico, o social e o ambiental. Eu ainda incluiria um quarto pilar, que é o da cultura. Temos agora um protagonismo maior do aspecto ambiental por conta de um fenômeno que chamo de "algorização" do tema.
Ou seja, desde o esforço empreendido por Al Gore para incluir o tema na pauta das eleições legislativas dos EUA em 2006, quando também se intensificaram os estudos e publicações relacionados ao assunto, como os estudos do IPCC, por exemplo, e, depois, com a concessão do Nobel a Al Gore e ao IPCC.
Em sustentabilidade deve-se desconfiar de qualquer solução que não envolva um aspecto econômico, pois as soluções têm custos. E, se eles não aparecerem, é porque algo está sendo escondido. Eu, particularmente, acredito que as grandes soluções estão ligadas ao capital. Seja na Amazônia, no agronegócio, na emissão de gases de efeito estufa e por aí afora. A visão voluntarista é muito ingênua. E a própria idéia de que se está batalhando para salvar o planeta é algo muito desinformado. O planeta Terra é muito resistente. Se há algo em risco é a capacidade de sobrevivência do ser humano em algumas partes, ou em todo esse planeta. Mas não o planeta em si. Enfim, ainda há muita desinformação. Mas não existe dúvida de que a sociedade está cada vez mais interessada no assunto.
Qual a sua opinião sobre iniciativas como o Prêmio Alcoa, cujo objetivo é estimular a criatividade e difundir as ideias dos estudantes e profissionais brasileiros sobre produtos e aplicações do alumínio, além de gestão de reciclagem?
Acho genial! O Prêmio Alcoa de Inovação em Alumínio já é uma referência, com boa introdução nos meios estudantis e com um grande futuro pela frente. Na minha opinião seu principal mérito está justamente em levar a discussão da sustentabilidade para um campo prático e tangível.
Creio que, num certo aspecto, assemelha-se à experiência que temos no Planeta Sustentável com as cartilhas e também com os planos de aulas, que nós mesmos criamos a partir de conteúdos que produzimos, e que são utilizados por milhares de professoras em salas de aula. Outro ponto que eu destacaria do Prêmio Alcoa é a sua relevância de primeira hora. Ele não foi criado ontem, só porque agora começou-se a falar mais sobre esse assunto. Se não me engano, o Prêmio existe há oito anos, o mesmo período em que a companhia figura no Índice de Sustentabilidade Dow Jones.
Para mim, esse tipo de iniciativa, ligada à educação, à formação, ao estímulo sério dos estudos é um dos principais caminhos que se deve traçar para incluir a sustentabilidade nas discussões cotidianas de pessoas, empresas e governos. E com uma pegada muito ligada a consumo, que é onde cada um de nós toma decisões que podem impactar ambiente, sociedade e economia. Impactos que, a experiência mostra, podem ser negativos ou positivos, dependendo da escolha que fizermos. E as boas escolhas dependem, antes de mais nada, de informação, de educação. Não há escolha consciente sem algum tipo de discernimento.