No dia do movimento Blog Action Day, que convida a blogosfera a escrever sobre um assunto específico e importante da atualidade – este ano, as mudanças climáticas –, a redação do Planeta Sustentável decidiu falar sobre a posição que nosso país assumirá em Copenhague, no final do ano, durante a 15ª Conferência das Partes, da ONU.
Ainda não existe consenso, mas, na última terça-feira, o presidente Lula se reuniu com alguns ministros e ouviu propostas em relação ao que deveria ser o posicionamento brasileiro diante da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.
A proposta inicial apresentada pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, é de que a curva de crescimento de emissões brasileira seja desviada em até 40% até 2020. A projeção é de que nossas emissões cheguem a 2,8 gigatoneladas de carbono naquela data – isso quer dizer que a quantidade ideal de emissões seria de 1,68 gigatoneladas/ano daqui a 11 anos.
No entanto, de acordo com a assessoria do ministério (veja release), o que Minc sugere é que elas fiquem em 2,2 gigatoneladas, equiparando-se aos níveis de 2005. Para 2050, a intenção é de que os níveis de emissões sejam a metade do que emitíamos em 1990.
Para cumprir essa meta, o ministro apontou que seria necessário reduzir o desmatamento da Amazônia em 80%, além de controlar o desmatamento nos outros biomas e tornar nossa matriz energética ainda mais limpa.
As medidas se traduziriam em um crescimento econômico de 4%, segundo as projeções do MMA, e teriam que contar com financiamento dos países ricos superior a 10 bilhões de dólares. Durante a reunião, a ministra Dilma Roussef pediu que fossem feitos novos estudos considerando-se a possibilidade de crescermos entre 5% e 6% – pelo visto ela está disposta a ver um esforço menor de redução das emissões brasileiras em prol do desenvolvimento econômico. Os cenários foram encomendados ao IPEA – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas e devem ficar prontos em alguns dias.
O Ministério de Ciência e Tecnologia e o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas também apresentaram propostas ao governo, mas não falaram em números. Os ministros têm até o dia 20 deste mês para chegar a um consenso e apresentá-lo a Lula.
Ontem, os ministros Carlos Minc, Sérgio Rezende, de Ciência e Tecnologia, e Celso Amorim, de Relações Exteriores, mais representantes do Ministério da Fazenda e da Casa Civil se reuniram novamente para continuar a conversa e pensar nos ajustes necessários ao documento do MMA. Hoje, eles se encontraram mais uma vez. Agora, é torcer para que os ajustes não afrouxem as metas brasileiras.