Esta semana, de 2 a 6 de novembro, os países-membro da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas realizam o último encontro, em Barcelona, antes da 15ª Conferência das Partes, em Copenhague, no próximo mês.
As expectativas não são muito animadoras. Ontem, os países africanos boicotaram as reuniões da Convenção alegando que as propostas dos países desenvolvidos de reduzir emissões estão muito abaixo do mínimo esperado – de acordo com o IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, as metas de redução devem ficar entre 25% e 40% até o ano de 2020, em relação às emissões de 1990.
O grupo africano afirmou que só continuaria a discutir sobre o acordo global se os países industrializados apresentassem metas claras e ambiciosas e foi apoiado pelos países em desenvolvimento.
A blogueira Jualiana Russar*, do projeto Adote um Negociador, ainda contou que ontem, o prêmio do Fóssil do Dia – dado ao país que mais está atravancando as negociações do clima – foi entregue a ninguém menos do que a Dinamarca, a anfitriã da COP-15! É que o país cogitou a possibilidade de a Conferência servir apenas para uma tomada de decisões em relação ao que cada país vai fazer para conter o avanço das mudanças climáticas, mas que não tenha força de lei.
Noruega e Suécia já chegaram a sinalizar sobre a possibilidade de haver uma COP-15,5, no começo de 2010, já que aguardar mais um ano por decisões concretas em relação ao clima só na COP-16 é esperar demais.
Para piorar, aqui no Brasil, Lula se reuniu com os ministros que vão compor a delegação brasileira na COP para falar de nossa meta para Copenhague, mas a decisão final acabou sendo adiada para o dia 14 deste mês. Por enquanto, tudo indica que levaremos apenas “boas intenções” para a Dinamarca e não uma proposta formal com números definidos – exceto a redução de 80% do desmatamento na Amazônia até 2020. É que o clima nos ministérios é de descrença em relação à posição de países como Estados Unidos e China. Além disso, parece que ainda estamos muito preocupados com crescimento econômico a qualquer custo.
*Leia o post de Juliana Russar sobre as negociações em Barcelona.