Bangkok: alguma esperança para a COP-15
Terminou hoje o penúltimo encontro preparatório para a
COP-15, 15a Conferência das Partes, da ONU, que acontece em
Copenhague, em dezembro, e pretende firmar um acordo global eficiente de combate às
mudanças climáticas.
Durante as duas últimas semanas, o ponto mais preocupante para os países em desenvolvimento foi a intenção demonstrada pelos países ricos de acabar com o
Protocolo de Kyoto - sem ter nenhuma outra opção melhor para substituí-lo, até o momento - e começar uma nova negociação em Copenhague, que envolva todos os países. A Austrália foi uma das que sugeriu que não houvesse acordo internacional e a redução de
emissões de gases de efeito estufa fosse regulada nacionalmente.
A boa notícia foi dada pela
Noruega e aplaudida pelos demais países: o governo anunciou, no penúltimo dia de discussões em
Bangkok, que o país vai reduzir suas emissões de carbono em 40% até 2020 - assim como recomenda o
IPCC - Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas.
Os Estados Unidos, apesar de se recusarem a assinar o Protocolo de Kyoto, se comprometeram a apoiar o controle do desmatamento e a melhoria de técnicas de uso do solo em outros países, como o Brasil, mas voltaram a afirmar que desejam que os países em desenvolvimento assumam responsabilidades, ainda que menores, no acordo climático, em relação ao corte de emissões.
A blogueira Juliana Russar, do projeto
Adote um Negociador, escreveu hoje, desanimada, que não há muito o que comemorar sobre o encontro de Bangkok (leia o post
Sexta à noite e nada para festejar). Ela disse que muitos negociadores alegam estar apenas cumprindo ordens de seus respectivos países e que decisões mais sérias precisam ser tomadas pelos chefes de Estado. Vamos torcer para que eles apareçam em Copenhague!
No entanto, neste último dia, o secretário-executivo da
UNFCCC - Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, Yvo de Boer, se mostrou mais animado do que andava ultimamente e disse que todos os ingredientes para que seja firmado um bom acordo em Copenhague estão sobre a mesa, já que a discussão em Bangkok trouxe uma sensação de urgência para as negociações e avanços mais concretos. De todo modo, ele lembrou que os países devem deixar seus interesses individuais de lado e pensar no coletivo, para que as decisões em dezembro sejam ambiciosas.
De Boer orientou os negociadores a voltarem para casa, pensarem sobre o que foi discutido até agora e se prepararem para o último encontro antes da COP, que acontece em Barcelona, entre os dias 2 e 6 de novembro.
Comentários