Igualdade para as bikes

A
SPtrans, empresa responsável pelo gerenciamento do sistema de transporte de São Paulo, resolveu inverter os papéis: reuniu cerca de 80 motoristas de ônibus para um treinamento de convivência com os ciclistas e sugeriu que eles circulassem a bordo de uma “magrela”. Os participantes também assistiram a uma palestra com o ativista André Pasqualini sobre prudência no trânsito e o possível efeito em cadeia caso esses profissionais se colocassem como exemplos de conduta e preservação da vida na tarefa caótica de guiar um veículo pela cidade.
Os profissionais toparam fazer o passeio de bicicleta, devidamente escoltados, nas proximidades do Parque Ibirapuera para vivenciar a realidade de quem normalmente se desloca dessa forma e tiveram as ilustres companhias do prefeito Gilberto Kassab e dos secretários Alexandre de Moraes, de
Transportes, e Eduardo Jorge, de
Verde e Meio Ambiente, de São Paulo.
A intenção era experimentar os problemas e, principalmente, os medos de quem pedala pela cidade como os esportista, os entregadores, por lazer e para ir e voltar do trabalho. E deu certo.
Daqui a três meses, esses motoristas - que sentiram na pele a dificuldade e a tensão de pedalar cidade afora - serão os multiplicadores da conscientização, nas garagens, para os outros 60 mil colegas. E a melhor parte é que, durante o evento, houve uma decisão muito importante: as bicicletas vão deixar de ser de responsabilidade da Secretaria de Verde e serão assunto da Secretaria de Transportes.
Na prática, isso significa que as bikes terão espaço semelhante ao que já têm ônibus, motos, e veículos porque todos os novos projetos da Secretaria serão pensados em conjunto, contemplando a recém-chegada. É claro que o grupo que definia a política para as bicicletas já reunia representantes de todas as secretarias, mas, agora, as bicicletas deixam de ter apenas viés ecológico e devem ser alocadas no âmbito dos transportes, no prazo de um mês.
É ou não é um bom começo?
*Foto: Júlio Vilela
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