Finalmente, os Estados Unidos admitiram que o CO2 e mais cinco gases de efeito estufa – metano (CH2), óxido nitroso (N2O), os hidrofluorocarbonos (HFCs), os perfluorocarbonos (PFCs) e os hexafluoreto de enxofre (SF6), todos listados pelo Protocolo de Kioto, rejeitado no governo Bush - são poluentes e ameaçam a saúde pública e o bem-estar.
A notícia é muito boa, mas não deixa de ter um tom absurdo, não? Como pode um país tão avançado, reconhecer, apenas agora, os efeitos devastadores desses gases? Mas, como dizem por aí, “antes tarde do que mais tarde”.
E a afirmação, feita pela EPA – Agência de Proteção Ambiental, vem em boa hora: às vésperas da realização da COP-15 - Conferência das Partes, em dezembro, em Copenhague, na Dinamarca, durante a qual será definido o destino do Planeta e de todos os seres vivos que o habitam, já que lá, os países signatários do Protocolo de Kioto, mais os EUA, deverão se comprometer com planos para conter suas emissões.
Com a divulgação da conclusão do relatório – que está disponível no site da agência - epa.gov/climatechange/endangerment.html), os EUA assumem, publicamente, que também são responsáveis pelo aquecimento global. Mas não é só isso!
Esses dados tornam possível regular os seis gases de efeito estufa pela mesma lei que limita a emissão de poluentes como o enxofre: a Clean Air Act. Com um detalhe: isso acontecerá, independente da aprovação de uma lei de emissões pelo Congresso americano, responsável pela não-ratificação do Protocolo de Kioto.
E claro que já tem gente protestando contra a EPA. John Egler, presidente da Associação Nacional das Indústrias, por exemplo, alega que “condenar” esses seis gases custará empregos e que trata-se de uma medida pouco eficiente para o meio ambiente. Que proteste! O que importa é que esse pensamento, em breve, deverá ser apenas um registro cruel na História da Humanidade e não uma prática impune.
Fonte: Folha de São Paulo