Blog da Redação
15/04/2009 às 15:50
No que deu a moratória da soja


O segundo ano de monitoramento do plantio de soja no bioma Amazônia, safra 2008/2009, já tem resultados. O GTS – Grupo de Trabalho da Soja –, composto por representantes dos grupos envolvidos na moratória, verificou, com a ajuda do Globalsat Sensoreamento Remoto, a situação em 630 polígonos de 46 municípios da Amazônia, num total de 157.896 hectares, e identificou 12 áreas com soja, aproximadamente 1.385 hectares de área plantada.

Pela Moratória da Soja, acordo firmado entre governo, organizações ambientalistas, Abiove - Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais - e Anec – Associação Nacional dos Exportadores de Cereais, nenhuma empresa filiada a essas instituições, que representam 92% do mercado, compraria a commodity proveniente de áreas desmatadas depois de julho de 2006.

A proposta é fruto da pressão de importadores europeus e do compromisso brasileiro de reduzir a zero o desmate da Amazônia até 2015. Os fazendeiros que descumprirem o documento, terão acesso restringido ao crédito na safra 2009/2010 e, em tese, dificuldades para comercializar a produção, já que toda compra será condicionada ao levantamento das propriedades que plantaram soja em novas áreas desmatadas.

Segundo o diário O Estado de São Paulo, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, declarou que algumas empresas descumpriram o acordo, mas que as “infrações” não chegaram a 10% da área vigiada.

Nesse segundo monitoramento, a área mapeada aumentou: foram incluídas 365 novas áreas em relação ao primeiro, publicado em março de 2008. Apesar disso, a metodologia ainda será aperfeiçoada, porque o padrão de desmatamento está mudando.

De acordo com o INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais -, em 2002 as áreas acima de 100 hectares representavam 55% do total desmatado na região, enquanto as derrubadas menores do que 25 hectares ocuparam 20%. Em 2008, a participação das  grandes desvatações caiu para 22% da área total enquanto o corte de árvores menores que 25 hectares subiram para 47%.

Para especialistas, a transformação pode ser resultado de uma tática para burlar os satélites ou uma estratégia de adaptação de área. Na Amazônia, o desmate é permitido em até 20% desde que com autorização de órgão ambiental.

*Foto: João Ramid




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