Casal navega pelos rios voadores

Desde agosto de 2007, Gérard e Margi Moss perseguem, a bordo de um avião monomotor, a rota dos rios voadores – correntes de vapor com volumes de água semelhantes aos de rios que, ao encontrarem regiões mais frias, condensam e se transformam em chuva. O fenômeno deu origem ao nome do mais recente projeto do casal.
A cada expedição – foram 10 até agora –, o inglês e a queniana, companheiros há mais de vinte anos, procuram as áreas em que os rios voadores estão mais ativos e coletam dados sobre esses vapores d’água, que são estudados pela equipe de cientistas envolvidos com o projeto. Enquanto Gerard pilota, Margi fotografa as paisagens, nem sempre belas – eles se deparam constantemente com grandes áreas desmatadas, queimadas em florestas e rios assoreados.
O grande objetivo dos
Rios Voadores é comprovar a teoria – difundida entre a comunidade científica, mas pouco conhecida pelos leigos – de que a existência da Floresta Amazônica é o que garante boa parte das chuvas do Sul e Sudeste do Brasil e a destruição deste bioma poderia desencadear chuvas excessivas ou até mesmo a formação de desertos nessas regiões.
Isso porque, as nuvens que se formam sobre o Oceano Atlântico e chegam até a floresta provocam chuvas no Norte do país. Por sua vez, a umidade na Amazônia contribui para a formação de um grande volume de nuvens, que percorrem um trajeto em direção ao sul e vão provocando chuvas pelo caminho (veja a
animação no site dos Rios Voadores).
As expedições devem terminar em março deste ano e os resultados vão servir tanto para conscientizar a população quanto para dar subsídios ao governo na elaboração de políticas públicas que contribuam para a preservação da floresta.
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