O acesso ao computador é suficiente?
É claro que não existe inclusão digital se não há computadores disponíveis. Mas o fácil acesso ao equipamento também não garante domínio sobre suas ferramentas e sobre a internet. É preciso que o usuário se aproprie de fato da tecnologia e saiba fazer uso dela. Há quem defenda que a rede não deve, obrigatoriamente, compor o cenário educacional, assim como a televisão não participou ativamente desse processo quando foi lançada, mas as propostas educacionais continuam pipocando com sucesso.
Uma delas é o
Acessa SP, iniciativa do
Governo do Estado de São Paulo em parceria com a
Escola do Futuro, núcleo de pesquisa da USP que investiga novas tecnologias de comunicação aplicadas à educação e tem hoje outros dez projetos em andamento.
O Acessa oferece à população de baixa renda postos públicos de informática que contam com a supervisão de monitores que auxiliam os internautas a navegar na rede de maneira autônoma. O site disponibiliza também outros subprojetos que ensinam como mexer na máquina e se virar na rede. São cerca de 1,5 milhão de cadastrados, a maioria é de jovens.
“Não queremos que os meninos fiquem apenas na página do projeto ou no Orkut. De que internet estamos falando?”, questiona Hernani Dimantas, que coordena o Lidec - Laboratório de Inclusão Digital e Educação Comunitária - da Escola do Futuro, com Drica Guzzi. “É claro que as redes sociais são importantes, nós estimulamos que eles interajam porque essas redes são uma janela para outras ferramentas. O Orkut tem vídeo, por exemplo. Mas queremos que eles se tornem protagonistas deles mesmos”, completa.
Uma dessas ações é a
Rede de Projetos que estabelece conexão entre todos os postos para compartilhar experiências. A partir dela, os usuários podem propor atividades ligadas à informática para beneficiar a comunidade.
É o caso do projeto Mulheres Online (veja vídeo abaixo) que apresentou a internet a um grupo de trabalhadoras de um canavial em Iepê, em São Paulo, que resolveu partir para uma nova fonte de renda: o comércio de artesanato online.
Outra história de inclusão teve início em Marabá Paulista, quando a monitora Elizângela Souza percebeu que as pessoas com deficiência não freqüentavam o posto e decidiu bater de porta em porta para convidá-los a explorar a internet, com um atendimento diferenciado. Conheça também essa história no segundo vídeo.
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