Rede para mudar

Qual o valor de um jornal impresso na era da informação gratuita (ou quase) e em tempo real (ou quase) oferecida pela internet? Aos poucos, surgem respostas a essa pergunta que sacode as cabeças e bolsos de executivos da imprensa no mundo inteiro há pelo menos dez anos, quando a bolha da internet começava a se formar.
Na Alemanha, o legendário diário alternativo “Die Tageszeitung” – que abraça causas socioambientais desde 1978 – acaba de lançar uma plataforma na internet para conectar gente com vontade de mudar o mundo. Quem se “loga” na
plataforma do TAZ (vale a pena ver a animação na homepage) encontra ativistas e ativismos listados por cidade, por tipo de organização, por tema ou em uma espécie de calendário de ações. Entre os assuntos: a cidade, os transportes e o desenvolvimento urbano.
Acabo de encontrar nesta plataforma um sujeito que quer fazer uma espécie de “passeata do incômodo” ou “revolução dos carroceiros”. Seu ideal é fazer a propaganda de veículos de tração humana que meçam 12 metros quadrados (mais ou menos, a área ocupada por um automóvel), juntar um monte de gente e, a 5 quilômetros por hora, protestar contra a hegemonia dos automóveis. A proposta se chama “Vamos para as ruas como pedestres”, mas sua melhor tradução para o português seria “Carroçada”. Afinal, o que se pretende é importar a idéia de carroças para reorganizar conceitos de transporte na Alemanha.
Construída com software livre, a plataforma do TAZ funciona como uma incubadora de iniciativas inovadoras e subversivas ou simplesmente como fonte de informação. Meio ambiente é o ponto forte da plataforma. Quem se conecta, agrega ao TAZ o valor que um meio de comunicação contemporâneo merece: o valor da formação de redes sociais para a sustentabilidade.
Lógico que o Brasil também carece de inovações no modo como os transportes urbanos são organizados e principalmente de mais envolvimento da sociedade civil na questão da mobilidade urbana. Uma plataforma aberta e transversal às várias agremiações (que hoje trabalham bastante isoladas) e que dê mais volume às iniciativas propostas seria muito útil. Mas também é claro que essa iniciativa, no Brasil, não virá do TAZ. Essa rede só poderá surgir de gente verdadeiramente interessada em participação popular nas questões urbanas. O que, de cara, já exclui uma porção de partidos políticos, ONGs e grupos que se auto-intitulam “movimentos”.
E então? Quem dará o primeiro passo?
(Foto: em algum lugar da Alemanha, a palavra “liberdade” escrita em uma placa de contramão)
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